segunda-feira, 29 de julho de 2013

Clichê

Era uma vez uma menina que, depois de ser traída e humilhada por aquele que julgava ser o amor da sua vida, resolveu mudar seu cabelo, mudar de cidade e mudar sua vida. Adquiriu vícios, fechou seu coração e fez novos amigos. Arrumou um emprego, começou a fumar e abriu sua mente para as novas filosofias. Comprou novas roupas,entrou na faculdade e tomou por  resolução não mais se apaixonar.

Cansou dos novos amigos, mudou de casa e se reinventou. Descobriu um talento, reviveu sonhos antigos e seu coração continuava fechado. Alguns tentaram entrar em sua alma, mas deram com a cara na porta. Ela apaixonou-se novamente, por alguém tão ruim quanto o primeiro. Novamente decepcionada, endureceu os poucos sentimentos que tinha guardado para si e jurou por Deus não mais amar. A cada dia se tornava mais amarga, mais rancorosa, mais fechada. Era descolada, popular, ficou com fama de vadia. Resolveu viver de sexo casual e amar apenas aos seus vícios.

Aprendeu um novo idioma, foi demitida por saber demais e cansou de ser amada. E, por fim....e  quem quer saber o final dessa história, que aguarde. Ou não. É só mais um clichê sem-graça de novela mexicana.

domingo, 28 de julho de 2013

Era uma vez em julho

Era uma vez uma menina que achava que era mulher, um homem que achava que ainda era menino e a carência travestida de amor. Era uma vez uma cama que guardava inúmeras noites de paixões ardentes, conversas sem fim sobre tudo aquilo que se havia criado e discussões intermináveis sobre um ciúme inventado. E era uma vez também um pedido de desculpas em forma de convite,e um perdão em forma de sexo. Era uma vez uma intimidade tamanha que a única vergonha era a de não ser vista. Um afago na cabeça, um pausar de jogo para arrumar os cobertores e um Memórias de um Sargento de Milícias com a capa rasgada. Era uma vez aquele acordar com os sentidos à flor da pele, numa madrugada escura com uma mão curiosa passeando pelo corpo. 

Era uma vez um "Me busca? Queria dormir contigo hoje..." que logo foi sucedido por um "arruma as tuas coisas e vai embora, tenho outros planos para a noite de hoje". Era uma vez uma menina que chegou chorando, e um travesseiro úmido de tantas lágrimas. Era uma vez alguém que ficou com medo de amar de novo...

E era uma vez uma conversa com cigarros e café, e uma resolução de não mais ficar com ninguém. Uma penitência, abstinência, conveniência. Era uma vez uma menina que só queria amar e ser amada.

Era uma vez alguém que se sentia feia e excluída, e que procurava em seus vícios uma forma de consolo que só o carinho poderia lhe trazer. Era uma vez alguém que entregava seus afagos ao vazio de seu quarto, ao pensar em por que não eu?

Era uma vez um mês frio que finalmente chegava ao fim, e um coração vazio que ainda espera uma resposta para as suas dores.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Escreverência

Dia 25 de julho: dia do escritor. E hoje fui presenteada com um comentário inesperado no chat do facebook: uma pessoa que nem é tão amiga assim (a ponto de me bajular, como muitos o fazem), disse que leu alguns textos e ficou impressionada com a qualidade dos mesmos. Fiquei feliz deveras, admito. 

Muitas pessoas me perguntam o que me motiva a escrever. Na verdade, nunca parei para pensar sobre isso. As palavras fluem,e por vezes a velocidade dos dedos no teclado é mais rápida do que os meus pensamentos. Um turbilhão de letras, organizadas de uma forma que não sei explicar, dezenas e centenas de palavras escolhidas e encaixadas de forma tal a fazerem um sentido que só quem já viveu algo semelhante consegue entender. Meus textos são o que eu sou: compilam meus sentimentos de uma forma tão translúcida que basta lê-los para ver o que se passa na minha tão avoada cabecinha. Nunca fui de esconder as coisas: sempre gostei de clareza e objetividade, inclusive sentimental.

Enfim, escrevo porque gosto, porque preciso, porque amo e porque faz parte de mim. Tão natural quanto falar, escrever é a minha essência. Mesmo que não seja tão bom assim.

Boa noite, meus negros lindos
xoxo

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Vai ou fica?

Relacionamento tipo "iô-iô", vai e volta...e a cada volta tira um pedacinho de mim. Lágrimas não são água, são mágoa. Me tens em tua mão, bem sabes disso. Aliás, nem sei por que te escrevo, já que nunca lerás isso. Ah, e sim, meu perfume tinha cheiro de pera. Nem sei como foi que tu conseguiu identificar, visto que tu nunca repara em mim. 

Me enfeitiçou de um jeito tão cruel,que basta um estalo de dedos para que eu caia aos teus pés. Teu perfume ainda está no meu travesseiro,  e a nossa cumplicidade é algo que me perturba. Chama e eu vou, e na mesma velocidade em que chego, logo sou dispensada.  Não sou uma boneca, meu bem. Devias saber disso. Eu sempre me contradigo,sempre. "Tu não consegue ficar brava comigo, negrinha". Realmente, não consigo. Fico triste, decepcionada, magoada,mas nunca brava. Tu me usa, simples. E eu deixo-me usar, simples. 

Mulheres são assim, tolas quando amam. E eu, que nunca soube me entregar pela metade, vou vivendo às custas das  migalhas que tu me deixa. Parece que eu nunca aprendo, né?

Um dia, quem sabe, quando eu realmente crescer e ver que brincar de esconde-esconde emocional não é divertido, quando eu cansar de me magoar e quando eu cansar de me deixar usar, eu apague teu telefone da minha agenda. Por hora, deixo teu facebook ainda excluído. 

Um basta. Só isso que eu preciso. Quem sabe dessa vez a  brincadeira realmente tenha acabado, não é mesmo? Maldita hora que eu resolvi contemplar a pitangueira...

domingo, 21 de julho de 2013

Welcome to Wonderland


"Felizes são os ignorantes." Sempre dei fé a esse provérbio popular. Acredito piamente na veracidade dessas palavas: quem não conhece a verdade acaba sendo bem mais feliz do que as pessoas que enxergam a podridão fétida que as cerca. Por vezes morro de inveja dessa gente que vive uma vida linda: gente bonita, que só faz frequentar as aulas da universidade, as baladas da cidade e postar fotos no facebook. Gente que não tem problemas com dinheiro, não precisa contar as moedas para comprar miojo no final do mês e sempre anda com aparelhos eletrônicos novos. Gente que não sabe o que é estar cansado de tanto trabalhar, e, mesmo assim, chegar em casa sabendo que no outro dia a sua rotina interminável recomeça.

Há também o outro lado da moeda: gente que vive acomodada em seu mundo pequeno e não sabe que há possibilidade de ser mais, melhor. Vivem felizes com seu salário mínimo e meio, sua casa pré-fabricada e seu trabalho "oito horas por dia de segunda a sexta". Nunca viajam porque o dinheiro nunca sobra, não buscam outro emprego porque aquele ali está bom, ainda não tou passando fome. Chegam em casa, tomam um banho, banham as crianças, fazem a janta com as sobras do almoço e assistem o jornal e a novela. E assim a vida segue, dia após dia, até se aposentarem ainda com seu salário e meio e curtirem a velhice jogando damas na praça da cidade.

Essa gente que possui a felicidade verdadeira. Não sabem o quanto mais há para se conquistar. Não estão contaminados com essa ânsia maldita de ter sempre mais. Essa patologia crônica, inerente ao ser humano, a ambição desenfreada por bens materiais, beleza, conhecimento ou popularidade, é a maior causadora de decepção da humanidade. Viver sempre desejando o mais, o melhor, o além do que se pode ter, que causa tanta tristeza, guerras, doenças e mazelas a nós, pobres criaturas.

Quisera eu ter essa vida linda, livre de decepções, ou aquela vidinha pacata, pão-com-ovo, que tá ruim mas tá bom, as crianças tão na escola, a guria mais velha trabalha de vendedora nas casas bahia e o guri tá juntando dinheiro pra comprar uma moto e ser motoboy da farmácia. Quisera eu...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aturação


Parece-me que, cada vez menos, as pessoas estão dispostas a “aturar” os outros. Os relacionamentos têm se tornado um litígio constante de sexo, bons momentos e só. Ter alguém para compartilhar também os momentos ruins está fora de questão. Ora, o ser humano é imperfeito, tipo um pacotinho de bala de goma. Não há como comprar um que tenha apenas as balas vermelhas: mesmo que sejam as mais gostosas, sempre tem as verdes que acabamos comendo, naquela ânsia de chegar logo às maravilhosas balas vermelhas e amarelas. Quem quer apenas as balas vermelhas de seu parceiro ainda não está maduro o suficiente para um relacionamento: quero alguém que me ature na TPM, que acorde comigo mesmo quando eu já não esteja maquiada, com cabelo bonito e salto alto. Quero alguém que tenha prazer em compartilhar meus momentos de angústia, que goste de andar de mãos dadas e que não me procure apenas quando eu estiver em bons momentos da minha vida. E eu também quero alguém com as balas verdes: mesmo sendo azedas, sei que fazem parte do pacote e seria um desperdício pô-las fora. Afinal, comprei o pacote todo. Algumas pessoas vêm com mais balas vermelhas, outras com mais balas amarelas e ainda há aquelas que possuem balas verdes em demasia. Mas, afinal de contas, quem é que possui apenas as vermelhas? Quero alguém disposto a salvar meu coração do tédio da minha rotina, que me escute quando eu não tiver absolutamente nada para dizer e que saiba dividir um sorvete de casquinha. E tô disposta a aturar mal-humor, ligações não-atendidas sem motivos aparentes e atrasos sem aviso. Faz parte. E que venham as balas verdes,porque só balas vermelhas me deixam enjoada com relativa facilidade.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

I can’t feel it again


Confesso que o tema do texto de hoje não seria este de agora. Passei a tarde toda planejando falar sobre pessoas que não vivem a realidade, que acham que tudo é lindo e que não percebem o mundo que as cerca. Mas, ao voltar para casa (ah, sempre a maldita volta pra casa, aquele momento em que coloco minha maquininha da consciência pra funcionar e faço o review do dia), comecei a arquitetar minha vida amorosa. Há  tempos que não tenho mais paixões arrebatadoras, daquelas que fazem as pessoas sorrirem o dia todo, mandar sms  a cada trinta minutos e sonhar com aquele que se ama. O máximo que tive foram projeções, utopias e desgostos. Sabe, não sei se invejo os casais apaixonados que andam de mãos dadas por aí, demonstrando afeto recíproco e vivendo em seus castelos de areia, ou se fico feliz por ter me tornado mais realista.
Recalque à parte, por vezes me pergunto se não sou alguém apaixonante. Revejo conceitos e atitudes, e penso toda vez que olho no espelho: qual é o teu problema, moça? Por que ninguém consegue se apaixonar por ti? Qual será teu grande segredo, que afasta as pessoas do teu coração e te impede de ver a verdade?
Mas, por vezes, agradeço por não mais me apaixonar. Não quero sentir novamente o gosto azedo que tem o veneno da decepção, inundando minha boca e me afogando de amargura. Talvez seja essa a parte interessante da coisa: amadurecer a cada passo que se dá. Mas sou o tipo de   jogadora que sai na metade do jogo, quando ainda não ganhou o suficiente mas também não perdeu tudo. Tenho optado pelo certo de não perder tudo do que pela dúvida de ganhar o grande prêmio. Just another girl alone at the bar.

Boa noite, meus negros lindos

Xoxo

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Esse tal de sentimento....



Um mar de gente carente. Quer coisa mais previsível?  Todo mundo longe de casa, com a liberdade soprando nos cabelos e um novo estilo de vida para adotar. Poderiam ter quaisquer coisas que quisessem, mas não. Querem o tal de amor. Só se esquecem de que o amor a gente não acha no facebook, nem no spotted, e muito menos pra comprar na padaria. Amor é algo tão complicado, mas tão complicado, que nem eu consigo encontrá-lo. E olha que o procurei durante anos. Acho que desisti, sei lá. Ou fiquei mais calma, mais tranquila e mais focada.Menos obsessiva. Sei lá, acho que uma hora ele vem. Ou não. E se não vier talvez não tenha problema nenhum. Acho que o tempo consigo mesmo é bom, faz com que a pensemos mais em nós mesmos e tenhamos mais clareza nos sentimentos. Sem desespero, sem mágoas, só espera. Confesso que às vezes me preocupo: parece que estamos todos à espera de um ônibus que nunca chega. Todos na parada se entreolham, preocupados, fumam mais um cigarro e caminham   com aflição de um lado para o outro. Alguns sentam no meio fio,abrem um livro e simplesmente curtem a espera. Outros aproveitam para fazer amigos. Os mais ousados pedem carona, sem saber para onde vão. Os impacientes desistem de esperar e vão até a esquina, para ver se conseguem avistá-lo. Eu às vezes converso, às vezes leio, às vezes peço carona (mas sempre acabo rejeitando quando a consigo) e penso em ir até  a esquina. Mas sempre desisto. É bem típico meu: largar as coisas no meio do caminho. Desistir. Há quem tenha pegado a linha errada e chegado no destino certo. Há quem pegue qualquer veículo. Há quem consiga discernir qual é o certo. E há quem pegue o certo e se perca no meio do caminho...

Dizem que o importante mesmo é a viagem, e não o destino final. Mas como é possível seguir um caminho no qual não se sabe onde vai parar? Tenho medo. E (provavelmente) por causa desse medo infundado e bobo que eu ainda continue aqui parada, enquanto tantos outros já chegaram e já partiram...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Sentir saudades e demonstrar afeto

Pessoas diferentes demonstram amor de formas diferentes.  Sentir saudades e saber demonstrá-las (ou querer demonstrar) para a pessoa amada fica ainda mais complicado quando não se está em um relacionamento oficializado. E quantas vezes a vontade de  mandar aquele sms de boa noite foi deixada de lado em detrimento de um pensamento tolo, do tipo "ele vai achar que eu estou me apegando demais", "vai ficar com medo e sair correndo", "só estamos ficando, ele vai pensar que estamos indo rápido demais".... Já dizia o ditado que em rio que tem piranha jacaré nada de costas. Nos relacionamentos de hoje,todo cuidado é pouco. Parece que a fase de "ficar", que deveria servir para as pessoas se conhecerem e se curtirem vira um "caminhar sobre ovos", no qual todo cuidado é pouco e demonstrar algum sentimento que não tesão está totalmente fora de questão.

Poxa, eu sinto saudades, sabe? Se eu gostei da tua voz, do teu cheiro, do teu abraço e do jeito como tu mexeu no meu cabelo é óbvio que vou te mandar mensagens e etc. Qual o problema disso? Não estou desesperada e nem caçando marido,meu bem. Gostei de ti,e tu também gostou de mim que eu sei. Então vamos deixar essa bobagem de pensar no futuro e viver agora, que o hoje está maravilhoso e o amanhã é incerto.