quinta-feira, 19 de setembro de 2013

dedo podre


Sou aquele tipo de pessoa acometida pela síndrome do "dedo podre": tenho o dom de fazer escolhas erradas em todas as facetas de minha tão simplória vida. Homens, amigos, empregos, roupas...tudo o que escolho parece trazer consigo a maldição eterna do "não-vai-dar-certo". Salvo as raras exceções dos meus poucos e bons amigos (posso contar nos dedos das mãos aqueles que entraram em minha vida e nela permanecem sem me deixar danos". Menos de uma dezena. Ás vezes me parece pouco, mas eles me bastam. 
Falar em relacionamento malogrado e não citar meu nome é quase um ultraje. Me apaixono rápido, confesso. Falta de amor próprio? Maybe. Mas a verdade é que atraio gente com problema.
Daí, do nada, o bofe pelo qual me apaixonei se descobre gay. Sim, era uma bicha. Eu sei. Poxa, ele rebolava mais do que eu quando andávamos, certo? Sinto que quando caminhávamos juntos o pessoal comentava "lá vai o viado e a sapatão". O boy magia seguinte descobre que a ex-namorada tá grávida e volta pra ela. O outro me trai com a minha vizinha (por anos) e eu, como boa corna que sou, fico sabendo depois de todo mundo. Ainda tem aquele que tinha fortes tendências psicopatas: me seguia de noite, fazia acampamento na frente da minha casa pra saber onde eu ia, me ligava 24h por dia. Sem falar em todos os outros (cachorros, cretinos, salafrários, calhordas, imbecis, toscos, pobres, honestos).

Um bom dia regado a banhos de arruda e sal grosso, meus negros lindos.
xoxo

domingo, 8 de setembro de 2013

Volta para casa

A volta para casa sempre  me deu uma sensação de derrota. De demonstrar para todo mundo que, mais uma vez, você falhou. É assumir publicamente que seus planos não deram certo e que tudo aquilo que foi  planejado, anotado  e cuidado com tanto carinho foi por água abaixo. E os planos para o futuro,como ficam?E os castelos de areia que construí com tanto esmero? 

Lágrimas não são o suficiente para mensurar o que sinto.Nunca foram, na verdade. Elas apenas exteriorizavam uma pequena parcela daquilo que se passava dentro de mim. Por vezes, meras gotículas, forjavam um sentimento que não era assim tão recíproco. Mas paciência, paciência. Elas passarão, eu passarinho....

Nunca convivi muito bem com a derrota, confesso. Sou uma péssima perdedora, e contesto até o último momento, relutante em aceitar aquilo que não me favorece. Mas pior ainda é saber que o seu futuro foi decidido pela simples assinatura de uma pessoa que sequer lhe conhece e que tem poder o suficiente para discriminar quem deve ou não ser abençoado...mas reclamar não adianta e o que passou, passou.

Voltemos então, com os olhos baixos de quem deixou para trás uma carreira promissora e um grande amor não correspondido. A volta será guiada, dessa vez. Tudo o que vai, volta. Certo?E a única coisa que ainda não me decepcionou até hoje foi a vodka.

Uma boa noite, meus negros lindos

xoxo

E eu não uso fio dental!

Segundo uma amiga minha da engenharia de alimentos, o problema da comida do RU é que eles colocam bicarbonato de sódio na comida. Isso é feito,  claro, de forma clandestina. O resultado é o seguinte: o bicarbonato, ao entrar em contato com o suco gástrico, dá a falsa sensação de saciedade , pois efervesce. Só que ele tem um efeito colateral: gases. Muitos gases. Depois de comer no RU fico com a barriga inchada e cheia desses fedorentos clandestinos. Como detesto fazer cocô na universidade, depois das 4 da tarde não aguentava mais e resolvi vir para casa. A cada curva que o ônibus fazia era um pum que eu soltava (de forma muito silenciosa, diga-se de passagem) e a vontade de evacuar aumentando. Desci do ônibus e acho que nunca percorri os 10 min de caminhada entre o ponto e a minha casa de forma tão rápida. Vim entoando um mantra no caminho: vai dar tempo, vai dar tempo, vai dar tempo. Cheguei em casa com uma velocidade digna de velocista  olímpico, adentrei minha casa e.... deparo-me com a dona da casa colocando suas roupas na máquina de lavar, que fica ao lado do banheiro. Eu, como não podia ficar parada (corria o  risco de fazer tudo ali mesmo), comecei a lavar a louça que estava na pia. E a infeliz da mulher não parava de puxar assunto, pois eu também sou tagarela e sempre dou papo para ela. Mas eu estava no limite entre o higiênico e a porqueira total e a desgraçada queria contar a vida toda dela. Dei um sorriso meia-boca e falei:
-Acho que vou tomar banho...
Ela apercebeu-se da situação e saiu da casa. Só deu tempo de baixar as calças e sentar no vaso.  Peidei gente. Peidei mesmo. Um peido barulhento, e tão fedorento que nem eu mesma aguentei o fedor.  Não, eu não soltei um pum, eu não tive flatulências. Eu peidei. E que sensação de alívio. Depois de fazer cocô, tomei um banho e coloquei o pijama.Vocês não fazem ideia de como é bom fazer cocô. Aliás, vocês fazem  sim. Todo mundo faz. Coisa normal, gente. Quem não faz cocô aqui que levante sua mão. Eu tenho uma restrição quanto à fazer cocô em locais onde há outras pessoas. Me criei sozinha em casa,fazendo cocô quando dava na telha e sem ninguém pra reclamar do cheiro. Uma vez fui para a praia com meus tios e primas e fiquei uma semana sem ir aos pés. Motivo? Nunca ficava sozinha em casa. Mas voltando ao assunto da agradabilidade de se defecar.  Só conheço uma pessoa que não gosta de “ir aos pés”. Era um menino da engenharia de alimentos e até hoje tenho sérias dúvidas quanto à sua sexualidade. Ele ia ao banheiro uma vez ao dia e depois ainda tomava banho, porque sentia nojo. Sexo anal para ele era algo impensável. Se bem que também não sou muito fã das técnicas sodomitas:acho extremamente desagradável. Me dá a mesma sensação de estar evacuando, só que no sentido inverso... chego a me arrepiar só de pensar nisso. Não sei o porquê da insistência masculina nessa prática.
Mas voltando à comida do Ru e  suas conseqüências: uma vez fiquei muito mal do estômago . Culpa do feijão endemoniado do RU. Sei que eram seis horas da tarde e eu havia combinado de esperar um amigo meu da engenharia civil para irmos depois para a casa dele e fazermos janta. Senti meu estômago reverberando ao entrar em contato com o feijão. Vi que não daria tempo de chegar em casa e aceitei: vou ter de fazer no banheiro da universidade. Após uma análise cuidadosa, optei pelo banheiro do segundo andar do prédio das ciências humanas. Cheguei, sentei e só deu tempo de pensar: acabou de entrar mais alguém. Juro que nunca me aconteceu de fazer tanto barulho assim.As duas meninas que entraram no banheiro saíram dando risada corredor afora, aquelas filhas da mãe. Fizeram o maior estardalhaço e ainda chamaram platéia para a porta do banheiro. Só sei que saí de lá quase duas horas depois, rezando muito para que as infelizes já tivessem ido embora.