É bem complicado (ao menos para mim) a questão da autoaceitação como um todo. Não me refiro ao conformismo com o próprio corpo/personalidade, mas sim com os fatos derivados de minha rotina que me jogam na cara o problema que é eu não ser a preferência nacional.
Não tô dizendo que sou feia (apesar de alguns acharem isso), mas é horrível crescer ouvindo que, caso um cara faça um elogio a uma menina gordinha, ele só quer comer ela. Só as magras podem ser elogiadas? Que papo é esse, produção?
Daí tu vira uma adulta extremamente insegura e que, ao ouvir um elogio, já se afasta do cara por motivos de "não tô afim de dar pra ti".
Mas eu acho que a pior parte é quando tu resolve tomar a iniciativa e sair pro "ataque". As chances de rejeição de uma menina gordinha giram em torno dos 90%, e os 10% que dão bola geralmente não são lá grandes coisas. Sempre tem as exceções, claro, e são essas que nos deixam felizes. Mas é triste viver num mundo onde 10kg (para mais ou para menos) de peso corporal podem fazer uma pessoa se afastar ou se aproximar de ti. Ainda é o peso que define beleza, infelizmente.
Ontem uma guria postou no spotted que era morena, alta e magra, e estava afim de um boy. Muitos curtiram sem nem mesmo conhecer a menina. E eu já lhes digo que a palavra "magra" foi o grande truque da jogada. Porque aqui, na bolha acadêmica, pessoas gordas não são bem-vindas. As cadeiras da sala de aula foram projetadas justamente para que todo mundo que pese mais de 80kg sinta-se desconfortável o suficiente a ponto de fazer uma dieta (rápido!).
Voltando ao assunto anterior...
Não sou o "padrão". Nem no peso, nem na altura e menos ainda na personalidade. Falo alto, grosso e rápido. Sei o que quero, e infelizmente tive de aprender a ir atrás pra conseguir, já que nessa vida só chuva e goiaba que caem do céu. E quando eu vejo um guri interessante, é claro que eu vou falar com ele pra saber "qualé". Mesmo que a minha chance de rejeição chegue à faixa dos 90%. Há de chegar o dia em que criarão uma rede social sem imagens, só com os textos (no padrão do finado chat uol), e que sirva para CONVERSAR com as pessoas.
Não vou ser hipócrita a ponto de dizer que a beleza não importa, pq importa sim. Mas eu troco facilmente um cara gostoso sarado gato molhado agroboy e que não saiba conversar por alguém que me ouça e que converse comigo, me faça rir e que dê prioridade, antes de tudo, à beleza da alma, e não a beleza do corpo.
"De nada adianta ter um corpo bonito e a alma feia"
um bom dia de quem anda precisando sentir-se especial, e que lhes digam que é especial (receber carinho faz falta)
xoxo
Pílulas desnecessárias de críticas bem-humoradas, histórias verdadeiras (ou não) e constatações sobre a vida de uma acadêmica da FURG.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Fluorescência
E de repente me vem aquela brisa leve, acolhedora e mansa que só tu pode me trazer. Os meus olhos embaçam por um pequeno instante, talvez inundados com a maresia calma e doce que tu me traz.
Teu cheiro doce por vezes me enjoa. Desculpe-me se sei que não és perfeita.. Convenhamos que o teu gosto também já foi melhor. Depende do teu dia, eu sei. Tu tens diversos momentos e casualmente nos encontramos quando estás naqueles dias ruins. Não é culpa tua, e sim dos outros que te transformam tanto a ponto de ficares irreconhecível. Depois de ti, ouço todos os milhares de pássaros que passaram o dia todo cantando ao meu redor e que eu sequer tive a capacidade de parar para ouvir. Eles estão conversando conosco...
O sol parece mais perto e a lua parece maior. Sinto o cheiro da chuva e o gosto da terra. Sei que, a partir de agora, tudo ao meu redor fica mais bonito: os rostos me parecem mais alegres, os problemas viram estrelas distantes e o tempo se molda facilmente em minhas mãos. Volto a ser um eu primitivo, consciente, que é capaz de enxergar tudo o que está acima das nuvens e que não é visível a olho nu.
Faço de mim mesma corredor do mundo, e deixo que os pensamentos pousem e decolem a hora que quiserem. Já não sou mais apenas eu: somos nós, somos o outro e, sobretudo, somos um todo uniforme e multicor. Meus pensamentos passam por mim em uma velocidade assustadora; mas quem sou eu para lhes dizer a hora em que devem partir? Cada um que cuide de seus horários e de seus ritmos...
O ritmo é que coordena o andamento de meu dia. Podem ser apenas quatro horas da tarde quanto já pode ser meio-dia.... e o meu tempo também não é mais meu.
Nem dona de meu corpo sou mais: ele se movimenta de um jeito próprio, independente, como se o meu cérebro fosse destituído de seu cargo máximo por mero capricho do resto das células. Cada uma com sua ideologia, e sempre que possível, alheias à minha vontade.
Quando tu vai embora (quase sempre sem se despedir), viro os olhos e penso que, para te ter de volta, bastam alguns movimentos de minhas mãos. E assim o ciclo recomeça.
uma boa tarde, meus negros lindos
xoxo
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