quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Parabéns pra gente!



Há exatamente um mês atrás eu resolvia ressuscitar meu neném: o ditongo aberto.

Nesse primeiro mês de vida tivemos polêmicas, barracos, picuinhas, elogios, lágrimas e muito, muito,  muito amor.

Quero agradecer de verdade aos 1509 views, 52 compartilhamentos e a todos os elogios e críticas que recebi em meu chat. Meu mais sincero obrigada àqueles que lêem todos os dias em busca de novos textos, àqueles que se identificam com meus dramas e crises...enfim, meus negros lindos, obrigada de verdade!

Espero poder comemorar muitos outros sucessos em meu blog, pois meu objetivo é apenas um: ser uma escritora de verdade. O caminho ainda é longo e cheio de discórdias, pessoas falando que eu não escrevo bem, outras falando que eu escrevo muito bem, madrugadas a fio escrevendo o post para poder publicá-lo no outro dia...

E espero também poder ter contribuído muito na vida de vocês, seja dando risadas, chorando comigo ou discordando de tudo que escrevo. Viva a liberdade de expressão!


Prometo dedicar-me ainda mais em meus textos, de forma a ficarem cada vez melhores.

Uma boa noite,meus negros lindos
xoxo


trilha sonora  do meu comecinho de noite:

http://www.youtube.com/watch?v=D9cHP4KrdWI

domingo, 27 de janeiro de 2013

O celular

Era um celular novinho, tinindo de tão bonito. Recém adquirido, foi parar no bolso de uma calça jeans em um  sábado à noite. A ultima coisa que ele havia  enviado era  a mensagem:

Partiu festinha hoje à noite? Nos vemos lá então!

Quatro horas após esse sms, a confusão se alastra: não se sabe como ou o porquê, mas em um instante  o dono daquelas calças sai correndo em busca de uma saída. A confusão era tão grande que, segundos depois, as calças, o celular, o dono das calças....tudo, tudo foi parar no chão. A fumaça densa não permitia que se visse nada lá dentro. Cerca de 3h depois, a fumaça se dissipa, e o que resta?

Centenas de calças, celulares e anjos caídos no chão. Os pulmões, repletos de fumaça negra, não mais cumprem suas funções.

Algum tempo depois, todos os celulares e os jeans e as saias e os anjos são carregados até um ginásio imenso. Aquelas vozes, que há menos de cinco horas atrás riam alegremente e comemoravam a alegria de ser jovem e se estar vivo se calaram para sempre.

De repente, um barulho em meio ao silencio: o primeiro celular começa a tocar.Um toque triste, repleto de angústia e de medo. Outro celular, longe dali, se junta ao coro. De repente, todos aqueles celulares que ali estavam começam a cantar a mesma música.

Um som de dor, de medo, de desespero e de despedida. Uma canção que, para aqueles que a ouviram, jamais será esquecida. Ao fundo, apenas uma palavra podia ser discernida em meio a tantas vozes diferentes:

Adeus.

Sem falsa hipocrisia, sem falso moralismo,longe de todo o alarde provocado pela mídia. O que me preocupa não são os celulares, as calças jeans, as saias ou os anjos. São as pessoas que, chorando, tentavam obter uma resposta por meio de uma ligação.



Meus  negros  lindos, acreditem. Nesse exato momento eu choro. Choro pelas mães que ficam aqui. 
Choro pelos amigos que perderam seus parceiros de viagem.
Choro por todos aqueles anjos que  nunca mais vão conseguir  cantar seu hino de liberdade novamente.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Estou ficando velha


E esse é mais um texto que eu estava adiando há dias. Faz algum tempo que cheguei a essa conclusão: estou ficando velha.

Velha de espírito,eu digo. Pois biologicamente falando todos estamos ficando,a cada dia que passa.Mas nem todos ficam velhos de espírito.

"Mãaaas Carooool, velha por quê?"

Bom, as coisas que antes me divertiam agora não passam de casuais futilidades. Acho que  a mais significativa de todas é a minha percepção das festas. Antes eu achava legal sair  com alguns amigos, encher a cara como se não houvesse amanhã e pegar geral. Por vezes sequer lembrava o nome da criatura que eu havia beijado (isso quando eu perguntava, porque algumas vezes eu sequer perguntava). Sem contar as vezes que eu não lembrava nem meu próprio endereço. Esse tipo de atividade não me encanta mais. Pelo contrário: me anoja. Ver todas aquelas pessoas bêbadas e sem consciência do que fazem me faz ter um profundo desgosto, um sentimento de repugnância e pena.

Sim, eu me divertia fazendo isso há algum tempo atrás. Mas agora isso não passa de perda de tempo e dinheiro para mim. Estava em um show com uma das minhas bandas nacionais favoritas tocando e estava louca de vontade de ir pra casa, deitar em minhas cobertas e chorar. Pode ser TPM, admito,mas pode não ser. 

Troco facilmente uma noitada de bebedeira por uma jantinha em casa com direito a filme e pipoca depois.

Pois é,gente, eu estou ficando velha...
.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O zoológico: parte 2/3

Andando mais para o fundo do zoológico, era possível avistar  as cegonhas: assistentes dos camaleões, nunca paravam em um lugar só. Dizia-se que seu confinamento levava anos, e no final das contas elas serviam apenas para trazerem bebês ao mundo e para medir a febre dos outros bichos.

Reunidos os redor do lago do zôo, era possível avistar os bichos-grilo: sempre atirados ao sol, comendo os cogumelos que sobraram (pois a maioria era vendida às tartarugas),eles perdiam-se em questões filosóficas sobre as fofocas mais antigas do lugar, e, na metade de seu discurso, já nem lembravam mais do que se tratava o assunto.

A casta dos pitbulls era a mais saudável: ninguém sabia o que eles estavam fazendo no zôo, mas eles estavam lá e ponto. Passavam o dia todo exercitando-se, e tentando convencer os outros animais de que aquela vida de exercícios e proteína era a melhor (mesmo levando-se em conta a disfunção erétil que eles tinham devido ao exagero no consumo de suplementos).

Os rinocerontes, muito atarefados, eram animais noturnos. Preocupavam-se exclusivamente com as contas a vencer dali, e se sobraria comida no final do mês. Mas todo mundo sabe que essa parte administrativa é chata, e não davam a mínima bola para eles. Mesmo assim, os rinocerontes se achavam importantíssimo e indispensáveis a sobrevivência de todos os outros animais pelo simples fato de saberem utilizar uma calculadora .

As iguanas eram seres misteriosos: sabia-se que elas costumavam fazer misturas de plantas a fim de conseguir composições químicas para envenenar todos os animais e assumirem o controle do lugar. Elas dividiam as jaulas com os lagartos (que faziam a comida do lugar) e os bicho-de-pé, que ninguém sabia pra quê serviam, mas estavam lá e sempre davam um jeito de incomodar alguém.

Havia também a casta dos gatos: sorrateiros, inteligentes e solitários. Boatos que que poucos gatos eram vistos à luz do dia.Eles passavam anos trancados em laboratórios subterrâneos tentando construir um Megazord para dominar o mundo, mas sempre desistiam ao ver que não conseguiam sequer montar um playmobil.



To be continued...



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O zoológico: parte 1/3

Era uma  vez um zoológico muito diferente e muito engraçado. Localizado na península da Puta-Que-Pariu, ele reunia diversos exemplares de animais de toda a Wonderland e de outros lugares também.

Os animais circulavam livremente pelo zoológico, carinhosamente apelidado de campo. Algumas vezes, eles entravam nas jaulas alheias, para socializar ou para espalhar a discórdia.


Os animais eram divididos em castas:


A casta dos camaleões era a mais afastada do campo. Eles mal entravam no zoo e já achavam que sabiam de tudo. Sempre arrumavam um pretexto para uma festa, geralmente com nomes de datas. Alguns animais jamais haviam visto os camaleões, pois eles não se socializavam com os outros bixos, digo, bichos do zoológico.


A casta das tartarugas era a mais renomada do lugar. Elas se engalfinhavam em uma luta sangrenta todos os anos para poderem entrar lá, visto que as tartarugas recebiam diversos benefícios sobre os outros animais. As tartarugas, por serem a atração principal, podiam consumir cogumelos alucinógenos onde bem entendessem, pois o  dono não se importava com as atitudes delas.


A casta das hienas era a mais seletiva: andavam em grupos de diversos machos, pois havia poucas mulheres entre elas. Elas riam da cara  de todos os outros animais, dizendo que só comiam carne de primeira e que eram mais inteligentes que todos os outros bichos juntos. Mas todo mundo sabia que a maioria delas passava  fome, pois selecionavam tanto a sua comida que acabavam ficando sem nada. E, quando comiam algo um pouquinho melhor, faziam questão de espalhar para todos sobre sua mais nova presa.


As aves das mais diversas espécies reuniam-se em torno de um único lugar. Elas eram extremamente exóticas, mas, segundo boatos que circulavam pelos corredores de lá, elas costumavam beber aquela água que passarinho não bebe com uma frequência bem elevada.


As corujas, organizadas, eram em sua grande maioria velhas e arrogantes. Faziam questão de organizar os documentos do lugar, metidas em salas escuras e sem ter contato com ninguém durante semanas. Nos finais de ano, época da prestação de contas dos animais, todos eles se amontoavam na sala das corujas, tentando resolver aqueles cálculos insolucionáveis a fim de não serem expulsos do zôo.


Os castores, construtores por natureza, chegavam lá pensando que iriam sair podendo reformar a torre Eiffel, mas,no final das contas, mal sabiam construir um ninho de passarinho.


As cobras, metidas a diplomatas, dividiam o mesmo espaço dos passarinhos. Sempre arrogantes e trocando de pele como quem troca de roupas,  tentavam convencer a todos que poderiam resolver qualquer problema entre os animais. Ficavam internadas em uma unidade intensiva durante 6 anos. Depois disso, não conseguiam nem apartar as brigas dos macacos.


Ah, os macacos! Esses macacos eram de uma inteligência incrível, mas, ao contrário dos outros animais, não conversavam nem entre eles mesmos.  Preocupados demais em resolver os problemas dos computadores do lugar, andavam sempre peludos e com espinhas na cara. As aves sempre saíam caçando os macacos, pois diziam que um deles poderia até ir para o espaço e elas queriam garantir seu futuro com alguém brilhante.



To be continued....

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Where is the love?

Esse é mais um texto daqueles sobre o amor. Me chamem de enfadonha, de carente e de cafona. Não me importo, desde que vocês me digam por onde anda o amor que tanto procuro.

Desde pequenas nós, meninas, fomos treinadas à esperar o príncipe encantado. Crescemos com histórias de homens fantásticos que chegam do nada e salvam a princesa daquela vida fútil e entediante do castelo. Mas acontece que eu nunca fui uma princesa. Sempre diferente das outras meninas, esperava encontrar meu príncipe em alguma fila de supermercado, em alguma esquina ou em uma biblioteca.

Anos depois, descobri que esse papo de príncipe é furada. Encontrei diversos homens em minhas vidas, e dentre todos eles percebi que o meu ideal de homem era utópico. Jamais vamos achar alguém que seja exatamente igual a nós. E, quando acharmos, ele será nosso melhor amigo. Aquele velho papo de "friendzone". E sim, meninas, vocês serão trocadas pela loura peituda que faz engenharia química ou enfermagem ou direito. E sim, meninas, isso vai doer de verdade. Mas deixem de ser bobas, levantem a cabeça e engulam essa porra de choro aí. Até porque aquele imbecil não merece uma lágrima sua. Como dizia uma amiga minha: em cada moita que tu chutas na rua saem cinco homens dela. Tá certo que  ela esqueceu de avisarr que dois são gays, um é bi, um é feio e o outro tem namorada, mas mesmo assim, não desistam!

Outra coisa que me preocupa são os outros moradores do meu castelo fantástico: meus amigos. Algumas vezes, a pessoa que está do nosso lado não vai falar aquilo que queremos ouvir. Ela vai nos criticar, nos xingar, nos mandar calar a boca ou segurar o choro. Ela vai dizer que aquele cara não prestava, que aquilo não era amor de verdade e vai te mandar retocar a maquiagem. Mas, infelizmente, amigos também decepcionam. Amigos são seres-humanos, tão falhos quanto nós mesmos. E é nesse ponto que entra o meu objeto de procura: o amor. É o amor que faz com que superemos nossas diferenças, perdoemos  o erro e levemos adiante aquele ser que nos faz tão bem. Sou uma pessoa rancorosa, e perdoar o erro dos outros nem sempre é fácil. Aliás, nunca é fácil. E sim, eu sinto falta de meus amigos que deixei pelo caminho. Algumas palavras ditas doeram de verdade, e ainda as sinto entrando em minha cabeça e em meu coração e dilacerando tudo que viam pela frente. Um pedido de desculpas cairia muito bem, mas, por vezes, já é tarde demais para perdoar.

Voltando às expectativas (ou expectives, como diria um amigo): isso é uma bosta. Peço a vocês, minhas crianças, poucas coisas nessa vida. E uma delas é quase uma súplica: não criem expectativas. Isso é uma projeção utópica de coisas que vocês querem e que o outro sequer tem conhecimento. Deixem as coisas acontecerem com calma, pois quando não criamos expectativas não nos decepcionamos.



Tenham uma noite repleta de amadurecimento, meus negros lindos.
xoxo

Trilha sonora da minha noite:
http://www.youtube.com/watch?v=ebHcUKte3uQ


Queres  ver a  opinião de  um menino que faz uma ciência exata sobre esse mesmo assunto?
Clica aqui ó:
http://ditongofechado.blogspot.com.br/2013/01/where-is-love.html

Uma vez por semana vamos escrever sobre o mesmo assunto. Uma menina de fora que faz ciências humanas, e um menino rio-grandino que faz ciências exatas. Dois opostos. Dois pontos de vista completamente diferentes sobre o mesmo assunto. Ou não.

Eu odeio o facebook!

Não foi a primeira e nem a última vez que pensei em excluir minha conta no facebook. Mas depois de pensar em como faria para comunicar-me com a minha família e muitos amigos distantes, desisti da ideia.

Essa rede social está infectada de pseudo-militates, que sentam suas bundas gordas atrás da tela de um computador e saem ofendendo milhares de pessoas pelo simples fato de elas não concordarem com suas opiniões.

Se o cara é gay e alguém fala que não quer ser gay,ele chama de homofóbico.
Se a mulher fala que não quer trabalhar e prefere ficar em casa cuidando dos filhos, ela é machista.
Se um homem fala que não gosta de mulheres gordinhas e prefere as magras, é bullying.
Se um ateu fala que não acredita em Deus, ele é satãnico e está possuído pelo demônio.
Se um religioso fala em Deus, ele é burro, atrasado e um pobre-coitado digno de pena pelos nossos nobres ateus, que se julgam acima de todos por sua inteligência privilegiada.

Bando de gente hipócrita! Desde quando as pessoas precisam concordar umas com as outras em tudo nessa vida? Pluralidade de ideias, respeito à diversidade e liberdade de expressão. Essas são as palavras que mais fazem falta no facebook. Basta uma postagem criticando a atitude de uma determinada pessoa, que por consequência está inserida em um sub-grupo social, que toda aquela "classe" sente-se ofendida e sai à caça do pobre coitado que resolveu abrir a boca. É quase que um sistema medieval modernizado de "caça às bruxas", só que sem a parte das bruxas.

Mais uma vez, peço aqui apenas uma coisa: RESPEITO. Respeitem a opinião alheia, mesmo que essa seja contra a sua ideologia. Respeite a individualidade do outro. Deixe que ele faça as suas próprias escolhas, mesmo que você se ache o detentor da verdade e queria convertê-lo.

Salvo opções que agridam alguém fisica ou psicológicamente, agrida a natureza ou algo do tipo, falem o que bem entender e sejam felizes. Mas cuidado, pois a liberdade de vocês vai até onde começa a do outro.


Uma boa tarde, meus negros lindos.
xoxo

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O arcano 7



Significado do arcano 7:

Esta carta sugere perturbações e adversidades, possivelmente já superadas. Influências conflitantes. Agitação. Vingança. Sucesso. Possível viagem ou jornada. Fuga. Fugindo da realidade. Precipitando-se na tomada de uma decisão. Cavalgando na crista da onda do sucesso ou da popularidade. Perplexidade. Necessidade de supervisão. É preciso ficar atento aos detalhes. Urgência na conquista do controle das próprias emoções. Esta carta sugere que é possível alcançar uma posição eminente quando as forças físicas e mentais são mantidas em equilíbrio e postas efetivamente em ação. Tendência para misturar o trabalho duro com épocas de produtiva solidão.
 
(texto extraído de 
http://www.astrologosastrologia.com.pt/Tarot_CartasdoTarot_LaminasdoTarot_significadoCartasTarot.htm)

O arcano sete esteve presente em minha vida a até pouco tempo. Ele toma decisões precipitadas e ainda por cima incita os outros a fazerem o mesmo. Tenho certeza que muitos dos amiguinhos de vocês são arcano sete, não é mesmo, minhas crianças?
Pois saibam que ele é a prova de que as crianças, longe dos olhos dos pais, sempre aprontam. Essas crianças têm sede de sangue, de ódio e de discórdia. 

Hoje sinto-me como se nadasse em um rio repleto de piranhas. Elas são inofensivas, a menos que uma delas resolva te atacar. Aí sim que a merda cria preço. Todas elas voam para cima de ti, e não deixam nem ossos, nem pele, nem nada. Engraçado como esses bichinhos asquerosos nunca andam sozinhos: sempre em bando. Provavelmente porque apenas uma delas não faria diferença alguma.

Então, meus negros lindos: muito cuidado com as piranhas! Não entrem em um rio cheio delas com uma ferida (por menor que ela seja). Elas têm um olfato muito  bom e farejam sangue mesmo há km de distância. Vocês jamais sairão ilesos de um rio como esse.

Outro cuidado é com o arcano 7: sua sede de vingança faz com que ele tire conclusões precipitadas e tome atitudes descabidas. Afastem-se do arcano sete. Pois vocês sabem tão bem quanto eu que ele está fadado à solidão, mesmo que momentaneamente ele esteja acompanhado.

Desejo à vocês uma noite repleta de verdade, minhas crianças.

Uma  boa noite, meus negros lindos.
xoxo

Trilha sonora da  minha noite:
 http://www.youtube.com/watch?v=TMlj28o-Avk

olha eu aqui de novo....

Depois de ter sido chamada de FACISTA, HITLER  e  que meu post foi repugnante, acordo pela manhã com  um único sentimento: tristeza.  Em meio há educação barata que recebemos, não posso julgar a má interpretação de texto por parte da maioria das pessoas. Porém, posso julgar a ma-fé. Essa se fez presente em uma página que se diz lutar contra a homofobia na cidade de Rio Grande, mas se mostrou de uma intolerância extrema e descabida. Fora a outra pessoa que, por meio de indiretas, me chamou de Hitler, enquanto outras comentavam e riam sobre isso. Ainda não sei o que pensar dessa gente toda, sinceramente. 

E antes que venham aqui  ou nos corredores da FURG falar que eu escrevi o texto apenas para fazer escândalo, podem mudando de ideia rapidamente. Escrevi sem nenhuma pretensão, e ainda comentei com duas pessoas que a repercussão do texto ia ser bem pequena. Ma benne! Acordo pela manhã com 300 visualizações do post, uma página contra homofobia me chamando de repugnante e duas ameaças físicas em meu chat, sendo uma delas ameaça de morte, além, é claro, do post me chamando de Hitler, rs.


Àqueles que compartilharam o vídeo com o intuito de me queimar, meu muito obrigado. Vocês são a prova viva daquilo que escrevi no post:

"Gente, tenhamos bom-senso: sou completamente a favor do RESPEITO, independentemente das escolhas que a pessoa faça, sejam elas religiosas ou de cunho sexual. Se bem que a homossexualidade não é uma escolha...mas enfim. Lutemos por uma sociedade com igualdade de direitos, onde todos estejam com o mesmo poder de alcance e liberdade. Agora, querer impor a sua sexualidade sobre a dos outros, dizendo que "vai converter o fulano, pois não é possível que ele seja heterossexual", aí já é demais. Tempos atrás vivíamos em um extremo, onde era ilegal ser gay. Não vamos levar a sociedade a outro extremo, onde seja ilegal ou cafona ser hétero. Apenas respeitemos e convivamos pacificamente com as diferenças, lembrando que eu não preciso concordar com as tuas escolhas para respeitá-las."



Heterofobia. Isso existe? Eu achava que não, até o dia de hoje.

Esse post me deixou dois objetivos: o primeiro vai ser um processo legal contra uma pessoa, e a segunda é a de nunca mais defender a causa gay. Dei minha cara à tapa na sociedade, pedindo respeito à diversidade, e recebi uma mensagem de ódio de volta.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Como impressionar alguém...



Desde pequenos somos instruídos a levarmos uma vida para impressionarmos alguém. Os pais, os avós, o irmão mais velho... as figuras importantes em nossas vidas são  diversas. No meu caso, como não poderia ser diferente, meu herói é meu primo.

Quando pequeno não nos dávamos muito bem: talvez pela diferença de idade (cerca de 3 anos), talvez porque eu fosse chata pra caralho mesmo... vai saber. A verdade é que ele não gostava de mim e ponto final.

Minha vida toda foi em busca de tentar impressioná-lo, e não ser apenas a prima gordinha e chata que morava longe.
Não sei se consegui fazer isso, mas acredito que nosso relacionamento tenha melhorado muito.

"Ah, mas que bobagem, levar uma vida tentando impressionar alguém que até então te tratava com indiferença..."

Essas coisas de ideologia são complicadas, mas o mano sempre foi o meu herói. Ele era mais alto, mais velho, o homem da casa (entre 4 primas mulheres),que não precisava levantar o tom de voz para ser ouvido. E ainda é assim: um homem justo pra caralho, marrento, lindo demais, inteligente, engraçado e muito, mas muito fofo. 
Eu morro de vergonha dele, me sinto inferior (burrice) quando estou perto dele: parece até que cada palavra que eu falo é um monte de lixo saindo da minha boca. Isso acontece porque ele é o meu referencial de adulto: mesmo tendo tudo o que uma pessoa de 20 anos poderia querer, resolveu sair e caminhar com as próprias pernas.

Eu acho que eu nunca disse isso pra ele, mas eu amo esse guri pra caralho! Quando cheguei aqui em Rio Grande, foi ele que me deu a direção e me mostrou o caminho. A guria certinha da região metropolitana, que estava assustada e com medo daquela imensidão de cidade que teria que conhecer por conta própria (sim, eu pensava que Rio Grande fosse gigantesca, rs) teve a ajuda desse anjo de olhos azuis que disse "segura a tua onda que eu manjo das putarias."


Seu ranço chato, tenho muito a te agradecer, de verdade. Saiba que eu ainda vou usar muito de ti e abusar da tua boa-vontade comigo.

E quanto a vocês, meus negros lindos:

Vocês possuem um herói? E se vocês forem o herói de alguém sem saber disso, será que estão sendo responsáveis o suficiente com esse cargo que vos foi atribuído?Vocês teriam orgulho de apontar para vocês mesmos e falarem "esse cara é meu ídolo!"?


Dos pés cansados...

"Depois de tanto caminhar,
Depois de quase desistir
Os mesmos pés cansados
Voltam pra você..."

Essa é mais uma noite de domingo vazia, infelizmente. Aquilo que eu tanto procuro está cada vez mais longe. E sim, meus pés realmente estão cansados, mas do trabalho de hoje. Não sei se cheguei a comentar, mas eu estou trabalhando (eba!). Estou muito feliz com isso. A alegria que sinto ao sair do café e poder comprar um monte de bobagens com o MEU dinheiro, e não com o dinheiro que a minha mãe tanto sofre para ganhar, é indescritível. Obrigada por me proporcionar isso, Luana ;)

Mas voltando ao assunto: o vazio da minha noite. Ele tem nome e sobrenome. A falta que sinto daquelas conversas sobre tantas coisas aleatórias,das risadas estrondosas dentro da minha casa, daquela voz grave me falando para parar de fazer drama, das visitas noturnas inesperadas...

Gato preto em campo de neve, que se destaca em meio ao vazio  que a minha vida era. Eu nunca tive medo de me doar inteiramente a ti, mas não posso falar o mesmo sobre as tuas atitudes. O medo de se entregar por completo, as sombras do passado e uma história mal-resolvida nos fizeram seguir caminhos totalmente diferentes. Tu ainda é o mesmo homem com síndrome de peter pan, mas eu não sou a mesma. Enfim, meu gato preto, eu ainda te espero. Saiba que eu caminho sempre em círculos, para nunca me afastar de verdade de ti. E provavelmente tu nunca vai ler isso aqui, a menos que eu te peça. Mas se, por acaso ler, saiba que tudo o que tenho pra te oferecer dessa vez é amor.

Uma boa  noite, meus negros  lindos.
xoxo


Trilha sonora da minha noite:
http://www.youtube.com/watch?v=1UlCWROvipA


sábado, 19 de janeiro de 2013

The road is so far

Once upon a time....

Era uma vez uma garota de 20 anos que, desiludida dos amores dessa vida, resolveu sair de casa em busca de um novo sonho. O destino? Universidade Federal do Rio Grande.

Nos primeiros meses a socialização deu-se basicamente no núcleo engenharia de alimentos-biblioteconomia. Mas rapidamente meus horizontes foram se expandindo, até chegar nos patamares atuais. Conheço muita gente na FURG. Digo que é  muita gente para os padrões dos outros bixos. E posso afirmar que há gente de todos os tipos aqui:gente boa, gente ruim, gente que é decente, gente falcatrua....

O ano foi maravilhoso, não posso negar. Morar fora da casa dos pais traz consigo implicações que eu jamais imaginaria. A liberdade incondicional fez com que, nos primeiros tempos, eu optasse por coisas que,hoje vejo, me agrediram demais. Mas como tudo na vida passa, essa fase também passou. Alguns vícios ficaram, não posso negar. Mas também ficaram algumas virtudes. E a melhor de todas as heranças: meus amigos. Os amigos que aqui conheci são pessoas que me completam em nossas diferenças. O que nos une? O amor. 
Sempre o amor. O amor pelo caminho que estamos percorrendo. O amor por sentir o prazer de desfrutar a viagem ao seu máximo. O amor de sentir o vento da liberdade bagunçando nossos cabelos. O amor pelo cheiro de maresia que invade essa praia durante o inverno, fazendo com que nós, estudantes, nos apossemos dela. Somos os donos do Cassino durante o inverno. Somos os imperadores desse lugar no qual, mesmo fazendo temperaturas negativas na rua, podemos sair pelas noites escuras para nos aquecermos na casa de um amigo, sempre com um bom vinho, um quentão e muitas conversas longas sobre tudo aquilo que somos, temos ou idealizamos....

O caminho ainda é longo, eu sei. E espero que todos os problemas do ano que já passou tenham me ensinado alguma lição importante. Mesmo que eu esteja mais cruel, mais dura, mais insensível, mais sei lá.... adulta, sei que ainda tenho em mim um traço de criança. A menina de setembro morreu há muito tempo, mas a mulher que assumiu o controle é determinada o suficiente para não deixar que a maldade corrompa seu coração.

Pergunto apenas uma coisa a vocês, meus negros lindos:
A criança que você foi teria orgulho do adulto que você se tornou?

Se a resposta for positiva, podem ir dormir nesse exato momento, pois uma das coisas mais importantes de sua vida já foi concluída: o amadurecimento.


Uma boa noite, meus negros lindos.
xoxo



Gente, a partir de hoje tem novidade no blog:

Queres ver a opinião de um menino que faz ciências exatas sobre o mesmo assunto?

Clica aqui ó:
http://ditongofechado.blogspot.com.br/

Uma vez por semana vamos escrever sobre o mesmo assunto. Uma menina de fora que faz ciências humanas, e um menino rio-grandino que faz ciências exatas. Dois opostos. Dois pontos de vista completamente diferentes sobre mesmo assunto. Ou não.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Da volta para casa

A volta para casa sempre é um momento triste para mim. É o momento de pensar nas coisas que acontecem, nas coisas que vão acontecer, nas coisas que aconteceram e em tudo aquilo que poderia ter sido, mas não foi. 
Pode até ser recheado de filosofia barata, mas é o momento que tenho para pensar nas coisas que nem sempre tenho coragem de dizer (ou escrever).
A distância de 25 min entre o café que trabalho e a minha casa é grande o suficiente para relembrar momentos que há muito não existem, para pensar em como agir daqui em diante e para analisar os meus relacionamentos. Nem só os relacionamentos, mas a vida, as pessoas, os amores malogrados e as falsas amizades.

Mais um dia se encerra com essa caminhada. E o sentimento que sempre fica é:
Será que no dia de hoje eu fui uma pessoa melhor do que ontem?

Enquanto para muitas pessoas o purgatório particular seja o banho, o meu é a volta para casa. Entre uma música e outra perco-me em reflexões sobre o mundo que me cerca. E, por incrível que  pareça, dinheiro quase nunca entra nessa filosofia.

São apenas 25 minutos que, por vezes, me valem mais do que o dia todo. Isso apenas  mostra o quanto o tempo que temos é gasto com coisas pequenas.

Uma boa noite, negros  lindos.
xoxo

Trilha   sonora da noite:
http://www.youtube.com/watch?v=8gFCW3PHBws

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Era uma vez em janeiro...

Entre um cigarro e outro, ela contemplava a tela do computador. Perdida entre divagações, pensava sobre tudo aquilo que até então havia feito. Que ela havia errado, isso já era fato consumado. Mas como mudar? E será que realmente era preciso mudar?
O ano que passou rapidamente a alertou sobre algo importante: naquele lugar,os relacionamentos são descartáveis. Mesmo tentando fazer algo certo, havia algo de insano impregnado no ambiente. Algo que deixava as pessoas supérfluas, rancorosas, acostumadas a perder e a deixar as coisas importantes de lado.
A diversão sem regras e sem limites era o mantra da maioria daqueles garotos. Pobres garotos. Quando pensavam que finalmente haviam encontrado aquilo que tanto buscavam, logo o trocavam por uma noite de bebedeira e chapação. Talvez não fosse algo premeditado.  Talvez o ambiente os influenciasse. Ou os amigos. Ou não.
Mais um  cigarro, mais um perfil aberto no facebook, mais uma  surpresa: outro relacionamento terminado. Um brilho maroto em seus olhos: esse eu já sabia que não iria durar nada. Eles são diferentes demais. Certamente eu daria certo com esse menino. Gostamos de coisas parecidas. Nos damos relativamente bem, apesar de pouco conversarmos. O frenesi da universidade faz com que os contatos do intervalo sejam rasos e frívolos. Mas é lógico que o menino jamais ficaria com ela: menino bonito, educado, descolado, futuro engenheiro. Só "pega" as outras meninas do mesmo "nível" que ele, enquanto ela se escondia no submundo das ciências humanas. Não era bonita, não era estilosa.  Sua popularidade era basicamente pelo fato de ser metida e simpática: sempre chegando nos pequenos grupos sem ser convidada. Se bem que a opinião dos outros pouco importava para ela. "Droga, esse cigarro já acabou?!". Acende mais um, abre mais um perfil. Esse é futuro advogado.Bonito também. Mais inteligente que o primeiro. Gosta de rock. Popular. Sequer sabe de sua existência.
Cansou de cuidar da vida alheia, levantou, olhou-se no espelho. Arrumou o cabelo, encolheu a barriga. Olhou seus olhos bem no fundo, tentando imaginar até onde chegaria. Chorou. Chorou um choro triste, compassado, com direito a soluços. Limpou as lágrimas, trocou de roupa e voltou à tela do computador. Por detrás das palavras digitadas,sentia-se mais forte. Mas sabia que todas aquelas pessoas jamais a olhariam com os olhos de desejo. Parecia que não pertencia àquele mundo. Ela era apenas a menina do prédio das humanas. Simples demais, gordinha demais, sem-graça demais. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Do homem da minha vida



Esses dias vi um vídeo com um amigo que descreve perfeitamente meu sentimento em relação aos homens:

"Antigamente eu idealizava o homem da minha vida: alto, forte, simpático, inteligente, carinhoso, bom de cama, educado, que goste de crianças, com um bom emprego, uma família legal,que goste das mesmas coisas que eu, que me ame acima de tudo, olhos claros, rosto bonito, culto, habilidoso, romântico e bom de papo. Hoje em dia me contento com alguém que saiba diferenciar "mas" de "mais".

Money is violence

Hoje pela manhã li na porta do banheiro feminino do prédio 4 (piso inferior) a seguinte frase:

"Money is violence"

Confesso que isso me deixou refletindo deveras.

Na verdade, eu não acho que o dinheiro seja a violência, mas sim a falta dele. Claro que digo isso levando-se em conta as classes mais pobres,  que em busca de comida e condições de vida melhores apelam para o tráfico, prostituição, latrocínio e etc. Mas em contrapartida, um dos maiores problemas de nosso país é a corrupção: a ganância sem limites, que faz com que políticos e empresas desviem rios de dinheiro que poderiam ser usados em investimentos públicos como educação, saúde, saneamento e etc. Nesse ponto tenho que concordar com a nossa filósofa anônima: a  falta de educação, saúde, alimentação e moradia de milhares de pessoas em detrimento do enriquecimento ilícito de alguns é uma violência descabida. Quantas pessoas não morrem devido à falta de leitos em hospitais? Quantas crianças não passam fome por não terem o que comer? Quantos moradores de rua morrem todos os invernos  rigorosos aqui no sul?

Bom, acho que era isso que eu tinha para dizer por hoje. Peço perdão por fugir à temática do blog, mas essa frase realmente me perturbou e me fez refletir sobre muita coisa da vida.

Uma  boa   noite, meus negros lindos.
xoxo

domingo, 13 de janeiro de 2013

Dos amores rápidos


Taí uma coisa que me deixa extremamente preocupada nos dias de hoje: a velocidade com que as coisas acontecem. As pessoas simplesmente não têm mais paciência para esperar com que tudo aconteça no tempo certo. "Emagreça rápido"; "Ganhe dinheiro rápido", "internet rápida"; "carros rápidos". Essa urgência insana com que temos de fazer as coisas atropela momentos importantes na vida da maioria das pessoas. E nessa lista podemos incluir o amor.

O namoro propriamente dito, como aqueles de antigamente, não mais existe. Primeiro uma pessoa está ficando com várias ao mesmo tempo, daí escolhe uma e começa a namorar, do nada. Em pouco tempo já casam, e em menos tempo ainda já descasam.

Antigamente, quando alguma coisa estragava, as pessoas tentavam consertá-las. Hoje em dia é só colocar fora e comprar outra. Vivemos em um mundo em que nada é feito para durar. Nos relacionamentos, basta uma briga para toda uma convivência ser  colocada fora: afinal de contas, existem bilhões de pessoas no mundo. Para quê prender-se a apenas uma delas?

Esse looping de sentimentos com o qual convivemos deixa as pessoas cada vez mais duras, mais cruéis, mais supérfluas e descartáveis. E a fidelidade se perde no meio disso tudo. Lutemos por um mundo sem pressa, em que cada momento seja vivido com calma. Não antecipem as coisas, minhas crianças: esse lance de ir morar com o namorado, na minha opinião, é bobagem. Namoro de verdade é para conhecer, para se ter espaço e para curtir. Trazer problemas do casamento para o namoro apenas desgasta e faz pensar duas vezes antes de casar. Na minha opinião, laços matrimoniais deveriam ser eternos. Mas ultimamente é fácil se divorciar, não é mesmo?

Quero uma vida sem pressa, com gosto de chocolate que derrete lentamente na boca. Quero sentimentos perenes, relacionamentos duradouros e amores para sempre. Quero amigos de infância (muitos ainda tenho), e quero que meus colegas de faculdade me acompanhem pelo resto da vida. Quero almoço de domingo sem pressa, quero beijo na boca demorado e quero confiança (coisa que só o tempo e a convivência trazem). Quero calma. Apenas calma.

Uma boa  noite, negros  lindos.
xoxo


Trilha sonora da minha noite:

http://www.youtube.com/watch?v=c-tqzcq1BY0

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Do amor que eu te dei

Confesso que, da primeira vez, achei que o "nós" iria ser para sempre. A gente se completava e se gostava de uma forma sem igual. Talvez porque ele tenha sido o primeiro homem de minha vida, meu primeiro namorado, aquela coisa toda de levar em casa, mostrar para os pais e mimimi. O primeiro verão foi inesquecível: só nós dois no apartamento em Capão, que por sinal é belíssimo, tendo toda a vida, dinheiro e amor pela frente. As cartas de amor que ele me mandava, e que eu correspondia, as pequenas demostrações de afeto no dia-a-dia, os carinhos que, por mais que fossem habituais, me mostravam o quanto a gente se importava um com o outro, as noites de sábado  e as tardes de domingo me faziam feliz. Brigávamos muito, claro que sim! Mas quem ama morde, bate, xinga e perdoa.

Então ele foi embora. Para a Nicarágua. Sem maiores explicações, ele disse que já não éramos mais os mesmos e que o amor que outrora ele sentia por mim havia se esvaído lentamente, quase sem perceber. E o que sobrara era apenas a rotina.

Demorei cerca de 3 meses para me acostumar com a nova solidão. A tal rotina mudou, e eu resolvi  esquecer e ser feliz. Fui para a praia em fevereiro, e aquele apartamento ainda tinha o cheiro dele por lá. Cerca de uma semana antes de meu aniversário meu pai me liga, falando que ele apareceu (do nada!) em minha casa e procurava por mim.

Em meu aniversário resolvi juntar uns amigos em minha casa. Mas o melhor presente que recebi fui a entrada dele em minha casa, do nada, com duas dúzias de rosas colombianas vermelhas, uma corrente de ouro branco e um pedido de desculpas. Mais lágrimas, mais promessas feitas, e um perdão. 

Nos meses que passaram depois disso nossa rotina não foi mais a mesma, e nem a minha confiança nele. Nem vou falar aqui sobre todas as provas de amor homéricas que fizemos um para o outro, pois a beleza daquilo tudo não merece ser compartilhada com o mundo. Mas eu sei que foi verdade. Eu lembro. Algumas eu ainda tenho, quase que para assegurar-me de que aquela época realmente existiu para mim. Algum tempo depois, um sms e um rompimento.

A alegação era a clássica: a menina que ele havia conhecido em setembro havia virado uma mulher, e ele não conseguia lidar com a mudança. Eu era muito diferente, um ser encantador, mas ele era apaixonado pela menina, não pela mulher. Mal sabia eu que era a outra menina que ele se referia, e não a que eu fora, mas tudo bem.

Sofri demais, fiz uso de placebos, tentei mudar e mudei. Fechei o meu coração de uma forma tão forte que ele quase virou uma prisão. Daquele amor que eu te dei, ninguém mais viu.

Ao olhar as fotos dele com a dita menina, vejo que ele está fazendo por ela tudo o que não fez por mim. Inveja? Provavelmente. Mas fico feliz em ver que ele tornou-se uma pessoa melhor, mais doce, que demonstra mais seus sentimentos, sem vergonha de ser feliz.

Com o passar do tempo percebi que realmente éramos pessoas diferentes, e analisando nosso segundo momento posso afirmar que não foi tempo perdido. Com a convivência com ele cresci, percebi que o mundo é um lugar grande e que Campo Bom era pequena demais para comportar meus sonhos. Percebi também que sou inteligente, mas que nenhuma FEEVALE ou UNISINOS da vida me faria despertar a minha essência.

Tenho muito a te agradecer, Gui, por tudo que tu me ensinou. E sim, fomos um casal diferente. E sim, tu me tirou do poço escuro. Mas a terra firme não bastava para mim, e quando eu resolvi voar, tu ficou com medo e preferiu colocar os pés no chão.

Da menina que tu conheceu em setembro resta apenas a pinta no queixo e algumas poucas lembranças. Me tornei mais amarga, mais viva, mais esperta e mais profunda. A maldade deixou em mim algumas marcas. Mas em quem ela não deixou, não é?

Espero que um dia a gente possa se encontrar, nem que seja para tomarmos um café e lembrarmos daquele tempo bom, dos shows, das noites viradas e dos filmes que eu sempre dormia.
Nem que seja para termos certeza de que aquilo tudo não foi um sonho, de que vivemos e que fomos felizes.

E sim, eu ainda te amo, mas de uma forma diferente. Por enquanto, só posso te dizer uma coisa:

Adeus.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Aquelas paixões

Na verdade, é que eu estou louca para me apaixonar. Mas aquelas paixões de verdade, que aquecem os dias frios e tranquilizam as tempestades de verão. Aquelas paixões que acalmam, que completam, que satisfazem. Aquelas paixões que te  fazem sorrir só de lembrar   o ser amado. Aquelas paixões correspondidas, que só pedem amor e carinho em troca. Aquelas paixões que te acompanham no sábado à noite e, mesmo sendo em casa com filme e pipoca, deixam tudo mais gostoso e com cheiro de coisa quente. 

Mas a outra verdade é que, no mundo em que vivo, essas paixões são quase impossíveis. Os homens, cada vez mais arredios e seletivos, deixam tudo para depois e têm medo de serem felizes...

Enquanto isso eu continuo aqui, apenas com vontade de amar e ser correspondida...

Como criar um monstro


Confesso que a intenção inicial não era essa. Mas acontece que eu te incluí no meu mundo. Na verdade, foi bem mais do que isso: eu te dei o meu mundo de bandeja. E o que tu fez com ele? Tomou-o para si, e me expulsou dele. Sim, sim, pode até não ter sido premeditado, que seja algo que aconteceu com o calor do momento,até porque quando estamos com raiva falamos e fazemos muita coisa que não deveria ter sido dita/feita. Mas o que aconteceu depois disso é que realmente magoou: tu simplesmente me expulsou da minha própria vida.

Espero sinceramente que tu reflitas bem o que tu fez. É claro que eu te dei o meu mundo e tu poderia fazer o que bem intendesse  dele.Mas eu o dei como forma de gratidão e apreço da tua amizade, e não esperava ser retribuída dessa forma. Desde o  começo exaltei tuas qualidades para os outros moradores, falei o quanto tu era bom e o quanto eu aguardava a tua chegada. Já no começo tivemos um perrengue brabo, mas  eu dei meu sangue pelo teu baile de boas-vindas e tudo deu certo. Depois disso fui viajar para terras distantes, e ao voltar, vi que algo tinha mudado. Tu não só tomou meu castelo como também fez um baile de posse. Ou talvez as coisas tenham sido simultâneas, vai saber. 

Só espero, sinceramente, que tu cuide bem dos meus vizinhos,e que não os trate da mesma forma que fui tratada. Tempos de guerra estão para chegar, e quero tanto o meu castelo quanto o meu povo bem protegido e bem cuidado.

Quanto a vocês, meus queridos companheiros de guerra, saibam que não guardo rancor algum: bem sei que vocês fizeram apenas a parte que lhes cabia na história. Agora me mudei para o reino de um outro expulso da vizinhança, e juntos estamos construindo um forte maior e  mais verdadeiro. Todos são muito bem-vindos nele. Ou melhor, quase todos...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Mais uma daquelas sobre verdade....


Não considero a convivência comigo algo difícil ou complicado. Tenho meus dias ruins (todo mundo tem), mas na maioria deles acho que sou alguém agradável. Porém uma das coisas que os homens não conseguem fazer é ler nas entrelinhas. Eu dou sinais explícitos de quando estou passando por algum momento ruim. É nesse momento que preciso de amigos que saibam me entender. 

Quando alguém está magoado por algo que você fez,não tente humilhá-la para isentar-se da culpa. Aceite seu erro e tente consertá-lo. Quando eu sei que não sou eu a errada na história, bato o pé até o fim em minha argumentação. O mínimo que eu espero de quem fez a cagada é que assuma, e não que venha me esculachando dizendo que fez isso, mas que eu tô fazendo drama, tenho síndrome de estrelinha e sou a filhinha mimada da mamãe. Aliás, essa coisa de conversa por internet é uma bosta, pois tu nunca sabe como a pessoa do outro lado está reagindo. Na situação ruim de hoje, eu estava chorando pelo que aconteceu enquanto a pessoa em questão me humilhava e me colocava mais para baixo ainda. 

Semente da discórdia já foi plantada, e regada com as minhas lágrimas de hoje (que não foram poucas). É triste perder um amigo. E, não bastasse isso, eu sou rancorosa e vingativa.Não, não me orgulho disso, mas meu rancor me ajuda em muita coisa. E sim, vou me lembrar de cada palavra escrita hoje, pois pude compreender que nem sempre o que parece de verdade realmente o é.

Fugi de um lugar que achava podre para cair em outro, tão ruim quanto o primeiro. Não volto para casa porque sei que lá não sou feliz, mas aqui também não  o sou. Espero sinceramente encontrar um lugarzinho perdido, em que as pessoas sejam boas e honestas consigo mesmas e com os outros.Pode ser que esse lugar nem exista, e que eu passe a minha vida toda vagando e me decepcionando com tudo e com todos. Mas eu não sei se nasci para mascarar a mentira, para engolir  a falsidade e aplaudir a maldade. Talvez esse seja o meu maior defeito: tentar demais. Ou não. Mas aí já é outra história....

Da solidão e meus gatos


Uma das poucas coisas que realmente me tiram do sério e ver que todos os meus amigos se reuniram e não me convidaram. Isso me leva a acreditar que sim, há algo contra mim, e sim, falaram mal de mim.

Outra coisa que me deixa apenas louca da vida é quando duas pessoas brigam, me metem na história e, menos de 24h depois,vejo que as coisas andam às mil maravilhas.

Na boa? Chega de falsidade, chega de inconveniências, chega de incomodação.

Seleciono agora pessoas que estejam dispostas a compartilhar, a dividir, a resolver os problemas numa boa e a não serem  tão falsos. Seleciono amor de verdade na minha vida, e não pessoas com interesses em comum que tiram proveito umas das outras apenas para saciar as suas próprias necessidades.

Entendam-me bem: eu sempre procuro fazer de tudo para os meus amigos. Sempre! Se eu tenho 1 real no bolso e alguém me pede dois emprestado, eu consigo 5 reais para ela. Outra coisa que me aflige é  a solidão: passo tempo demais sozinha, confinada em uma casa longe de tudo com meus gatos,que por vezes são a minha única companhia durante dias. Assim que aparece uma oportunidade de ver alguém e poder conversar, eu a agarro com unhas e dentes. Sou um ser humano carente. E uma das coisas que me deixam mais entristecidas são  esses eventos que acontecem e para os quais eu não sou convidada.
Pensando bem, acho que vou adotar aquela filosofia do "antes só do que mal-acompanhada." Minha mania estúpida de achar que os outros fariam por mim aquilo que eu faço por eles só tem me feito mal. Acho que chegou a hora de mudar de posto: de miss simpatia para miss antipatia. Pois poucas vezes eu consigo decepcionar a mim mesma. Já os outros...

Tudo puta e viado


Antes que já venham me xingar pelas palavras acima, saibam que eu não estou sendo mal-educada. Caso o fosse, de cara já mandaria vocês  tomarem no cu. Mas como não o sou, só fiz uso de duas palavras para ilustrarem meus escritos de hoje.

Essa época de final/começo de ano é aquela em que a parentalhada (uma mistura de parente com pentelhos) se reúne afim de criticar os filhos dos outros, mostrar como os seus são melhores e exibir os bens pessoais adquiridos no ano que passou. "Olha, meu filho ganhou uma bolsa integral de administração numa universidade privada" "hahahahha grade coisa! o meu passou em quinto lugar no vestibular para arqueologia numa universidade federal!!!". E por aí vai. É também a época das tias bisbilhotarem a vida dos sobrinhos, para depois poderem falar para seus irmãos "nossa, mas como a fulaninha tá gorda!" ou então "coitada da fulana, está com 20 anos e nem namorado tem...essa aí vai ficar solteirona!". E é claro que a pergunta que nunca falta nesses encontros é a "E os namorados, fulana?". Juro que nesse ano a minha vontade era de responder o seguinte "Ah, tia,é tudo viado....".


Outra comparação que rola é a das amizades. "Nossa, mas tuas amiguinhas são muito esquisitas, fulaninha" "Sim tia, tudo puta e sapatão". Acho que com esse tipo de resposta as tias iriam ter um ataque de pelanca no meio da ceia. Imagino meu pai cuspindo o refrigerante na cara da minha vó, que, com o susto, derruba a travessa de peito de peru  que acabara de sair do forno em cima de meu tio, que pula por causa do calor e queima o meu vô com o cigarro, que pega a sua bengala para levantar da mesa e acerta a cabeça do meu irmão, que chora de dor e derruba o copo de suco no chão.Minha mãe levanta para acudir, escorrega no chão molhado e cai por cima do meu primo, que estava sentado. A cadeira de plástico quebra, fazendo com que meu primo se apoie na mesa. Essa, repleta de comida, vira de lado acabando com a ceia. E eu fico apenas observando o caos que se instalou pela casa.


Mas claro que isso é apenas uma hipótese....

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A vida é curta


Por esses  dias li uma frase que me chamou a atenção

"A vida é curta demais para tomarmos cafés ruins."


Confesso que essa frase me deixou refletindo deveras.
Na verdade, a vida é  curta demais para desperdiçarmos fazendo muita coisa. 

A vida é rara demais para nos prendermos a amores doentios, a amizades falsas e a empregos que detestamos. Ela é curta demais para deixarmos aquele perfume que amamos apenas para ocasiões especiais; para guardar o jogo de copos novos apenas para as visitas;  para deixarmos de comer aquele sorvete com medo de engordarmos; para negar um banho de chuva com medo de pegar resfriado; para recusar o convite para uma festa porque queremos ficar um pouco sozinhos, estamos cansados ou o dinheiro está curto.

A vida é finita demais para não ficarmos na praia até o nascer do sol; para não termos um gato porque temos alergia; para deixarmos aquele livro para lermos "quando sobrar tempo". Aprendam uma coisa: o tempo não sobra e nem falta: ele está ali, contadinho, e basta reorganizarmos as prioridades para podermos tirar o máximo de proveito dele. Prefiro comer aquele doce caro da padaria de tarde e ter apenas miojo para o jantar do que ficar imaginando que gosto o doce teria. Prefiro cantar o menino da festa e me sujeitar a levar um fora do que ficar dias imaginando se ele ficaria comigo.Façam  as suas escolhas com coerência, crianças, mas priorizem sempre aquilo que não lhes agrida e que lhes faça feliz. Saia do armário, desista da dieta, tome aquele porre, não sofra usando salto alto ou tentando entrar naquela calça que já não serve mais. Ao olhar para trás,você vai ver que (independente de rótulos, piadas ou padrões de beleza) você foi feliz pelo que você é, e não por aquilo que gostaria de ser.

Uma boa noite, negros lindos.

xoxo

domingo, 6 de janeiro de 2013

Do tempo que se aproxima


Dos dias vindouros pouco sei: a única certeza que tenho é que não serão fáceis. As noites escuras se aproximam lentamente, mas já posso ver as nuvens que trazem consigo o frio e a chuva se aproximando no horizonte. As noites quentes de verão fazem com que as pessoas esqueçam que o inverno existe. Mas eu, sendo filha do vento, carrego comigo o medo perpétuo  das águas que inundam tudo e do frio que gela até a alma. Pouco aproveito tiro do verão, isso é verdade. Mas viver como se o inverno não existisse é tolice. Providencio desde agora um estoque de sorrisos, de abraços calorosos e de amor para poder usá-los na estação do medo.


A indiferença dos "bom-dia" quase que sussurrados, as tardes cinzas e as noites quase intermináveis fazem com que o frio tenha um outro significado. O inverno tem gosto e cheiro de morte. Tem um algo que desanima, corrói, humilha. O inverno é a tristeza.

Tristeza é não conseguir escutar o que o silêncio está lhe dizendo. É o domingo vazio. É um ato mecânico. É deixar que a beleza da rotina lhe escape aos olhos.

É o olhar sem ver, o escutar sem ouvir, o tocar sem sentir.

Tristeza não é a solidão. É  a decepção.

A fada e o elfo


Antes que venham me xingar: eu sei que tenho muito pouco de fada, mas cada um dá para si a nomenclatura que julga conveniente. E sim, vendo o elfo bem de perto, me apaixonei à distância. Minha paixão é algo mais de José de Alencar do que de aqueles romances Julia, Bianca e Sabrina. O elfo é um ser encantador, enigmático, que eu quero muito conhecer. Mas esses malditos padrões de beleza me atrapalham deveras: sei que não faço o tipo dele, por isso fico aqui, anonimamente desejando que as coisas fossem diferentes...

Distância, baixa confiança em mim mesma, essa maldita auto-estima que continua baixa como sempre, vergonha...são diversos os fatores que fazem com que o breu escuro de meu quarto seja mais conveniente do que a luz do dia. Enquanto o Cavaleiro das Terras Distantes ocupa-se com seus afazeres,eu apenas sonho. Mesmo porque minha vida sempre foi repleta desses amores impossíveis,que me fazem perder noites de sono e escrever textos como esse.


Julguem-me como acharem necessário:o fato é que o elfo acabou de trazer um pouco mais de poesia para os meus dias. Ao deitar a cabeça cansada e cheia de problemas em meus travesseiros, terei com quem sonhar. Sonhos impossíveis? Claro que sim! Mas aqui cabe perfeitamente um poema de Mario Quintana:


"Se as coisas são inatingíveis... ora!

Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!"

Agora, meu elfo, pode-se considerar a luz distante em meus caminhos....