domingo, 10 de agosto de 2014

Sobre TCC comprado, gente que não lê direito e outros mimimis

Claro que eu escreveria sobre isso. Claro. Só demorei um pouco porque eu tenho mais o que fazer da vida do que me preocupar com esse tipo de coisa (ao contrario de outras pessoas) rs.

Buenas, vamos começar do começo:

Essa história de gente comprando TCC, diploma, vestibular e afins não é de hoje. Isso eu sei, tu sabe, ele sabe, enfim, todo mundo sabe. O ensino superior no Brasil constitui um mercado extremamente lucrativo, com gente disposta a qualquer coisa para conseguir o seu "tão sonhado" diploma. Acontece que esse tipo de atividade é criminosa, como vocês também devem saber. Entre falsidade ideológica e plágio há um mundo de outras coisinhas feias que podemos citar quando o assunto é gente que compra TCC. O que mais me preocupa nisso tudo nem é a falta de caráter de quem desembolsa dinheiro para outra pessoa escrever algumas poucas páginas para ela, nem o tipo de profissional que essa criatura vai ser. O problema são as outras pessoas que ralam para conseguirem organizar suas ideias no papel. 

A escrita é um processo extremamente complicado, que envolve a codificação de um pensamento em um sistema gráfico a fim de ser decodificado e compreendido por outra pessoa que o domina. Sem falar, é claro, nos pormenores técnicos do tal do TCC: referencial teórico, estrutura, normas ABNT, a defesa de uma ideia ou um ponto de vista (a ser sustentado por autores com maior nível acadêmico, afinal de contas um mero graduando não passa do plâncton da cadeia alimentar acadêmica). 

Depois de todo essa trabalho a ser feito por uma única pessoa (que ainda tem vida pessoal para levar, com casa, eventuais filhos, maridos e esposas, um emprego e o resto das cadeiras que a gente sempre carrega no último semestre), acho inadmissível que alguém que pague por esse serviço tenha o mesmo mérito e os mesmos créditos do que alguém que o fez apenas com a ajuda divina e seu orientador (que por vezes pode ser um desorientador também).

Daí, eu posto umas duas frases no Facebook (sempre ele!) criticando tal atitude, e alguém vai lá fazer fofoca e distorcer as minhas palavras. Engraçado que a mesma pessoa que colocou lenha na fogueira sequer se pronunciou após o barraco começar. Engraçado também que em momento algum eu mencionei nomes de colegas da Biblioteconomia, da FURG, de orientador ou de qualquer outra pessoa ou instituição que pudessem incriminar (e porventura prejudicar alguém). Mas mesmo assim,  pessoas se morderam e vieram me soltar os cachorros. Eu não preciso nem dizer que  pessoas tem motivos o suficiente para comprar briga comigo, mesmo que de forma desnecessária e aleatória. E tem gente que pega o bonde andando e quer sentar na janela, né?

O lado bom disso tudo é perceber o quanto as pessoas podem ser influenciadas por comentários alheios, se queimarem de graça, mostrarem uma total falta de argumentos, demonstrar uma xenofobia mascarada e ainda por cima e ainda por cima quererem me processar (risos e mais risos). 

Falta leitura. Falta interpretação de texto. Falta compreender a situação e não se deixar ludibriar e enganar por palavras alheias. Falta aprender a não comprarem brigas desnecessárias e que não lhe pertencem, e falta aprender a controlar a língua. Falta também aprender a separar a vida acadêmica da vida pessoal, e entender de uma vez por todas que a academia não é o ensino fundamental, onde a coordenação de curso e a instituição irão perder seu tempo com picuinhas de alunos. 

Falta ler, reler e compreender o que foi lido. Ao invés de pensar a situação em si, é mais fácil criar uma guerra desnecessária e misturar as coisas. Falta entender que o mundo não gira ao seu redor, e que nem todo mundo se preocupa e se ocupa com a sua vida pessoal. Ao invés de refletir, vamos queimar as bruxas e tapar o sol com a peneira. O que aconteceu por esses dias é apenas uma prévia do que já está acontecendo nas redes sociais: as pessoas ainda não aprenderam a usa-las, bem como não entendem absolutamente nada de legislação e querem sair processando todo mundo. Voltamos ao começo: falta leitura.

Falta também a compreensão de que mesmo que algumas pessoas comprem seus TCC's, elas jamais terão o mesmo mérito de quem se esforçou e se esmerou para fazê-lo. Cada um sabe o trabalho que tem e a dor que sofre diariamente ao abdicar de sua vida particular em prol de seu trabalho de conclusão de curso. Cada um sabe do caminho que trilhou até aqui, das dificuldades que têm (e que teve) e de quantas vezes a vontade de desistir de tudo lhe bateu a porta nas madrugadas viradas. Cada um sabe dos problemas que enfrenta e dos sacrifícios que faz, e nenhum dinheiro do mundo pode pagar a superação pessoal e o gostinho de vencer por conta própria.

Aguardo mais interpretações errôneas. Beijos.