Pílulas desnecessárias de críticas bem-humoradas, histórias verdadeiras (ou não) e constatações sobre a vida de uma acadêmica da FURG.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Moletons de curso
Coisa linda é parar na frente do CC e observar as pessoas que por ali passam. Em menos de meia hora é possível avistar pelo menos uns 10 moletons de cursos diferentes. Alguém saberia explicar o motivo para os moletons?
Vou então tentar formular algumas hipóteses que expliquem o fenômeno, e para tal vou fazer uso de alguns discursos de pokemóns capturados no CC hoje de manhã.
Explicação da Patricinha Pseudo-descolada:
-Ah, eu uso o moletom do meu curso porque ele e liiiiindo, descolado e me faz parecer diferente dos outros.
Meu argumento: Como parecer diferente de outras 150 pessoas que utilizam exatamente o mesmo moletom? Essa não cola, então bora para outra tentativa.
Explicação do Coxinha de Campinas:
- Ah mêo, eu uso o moletão do curso pra não gastar as roupas de ir nas baladinhas monstras, sãaca?
Meu argumento: Então porque a Universidade não comercializa moletons da instituição? (vide as universidades de outros países que possuem uma loja com produtos do próprio local.)
E nesse ponto chega o Militante Social de Facebook:
-Na moral a Universidade não tem o direito de tirar a individualidade de expressão de cada um, bitolando as pessoas ao uso de um único uniforme e pã.... (para de falar para dar um pega no baseado). Entendeu? Isso é tudo anacronismo social.... (nesse ponto deixei-o falando sozinho)
Então eu mesma formulo a minha opinião, que em nada se parece com um texto do Enem mas mesmo assim é dissertativo-argumentativo. Lá vai:
Estudamos em uma universidade pública, que teoricamente deveria atender as parcelas mais baixas da sociedade, visto que ricos possuem dinheiro para pagar uma instituição pública. Porém, justamente por ela ser pública todos têm o direito de estudar aqui: tanto os muito ricos quanto os muitos pobres. Acontece que essa liberação ocasiona uma seletividade dos alunos: entram os mais capacitados e teoricamente com mais educação. Aqueles que possuem mais conhecimento dificilmente serão os alunos de escola pública, tendo em vista que a educação desses lugares é pobre e não os prepara para o ingresso em uma universidade. Então quem entra na Universidade Pública: Os ricos, claro. Pelo menos a maioria dos estudantes possui uma situação financeira boa. E isso reflete diretamente nos cursos mais procurados: Medicina, Direito, Engenharia Civil, Economia... basta olhar os alunos dessas turmas e ver que a maioria deles são pessoas cujos pais possuem bastante dinheiro. Digo a maioria, não todos. Então esses cursos acabam sendo mais prestigiados, diga-se de passagem. São cursos que possuem status dentro da cadeira alimentar da universidade. Na base delas encontramos algumas licenciaturas, bacharelados mais desconhecidos (como Biblioteconomia, Arquivologia, Geografia, Arqueologia). São cursos que a maioria das pessoas desconhece (seja por ignorância voluntária ou involuntária). Os cursos que possuem status acabam tornando as pessoas mais visíveis. E não me venham com "mimimi tu tá sendo tosca mimimimi" que todo mundo olha com olhos diferentes para um moletom escrito MED e um escrito BIBLIOTECONOMIA. É quase uma cadeira alimentar, volto a dizer.
Então chego no ponto em que tento desde o começo do texto: os moletons nada mais são do que uma forma de mostrar dentro da universidade a qual "casta" você pertence e também são uma forma de "sambar na cara da sociedade". Tipo "chupa seus bosta eu faço engenharia civil e cêis faz licenciatura".
E não, eu não penso assim. Apenas expus aqui o que percebo todos os dias.
E que a polêmica e o caos começem.
Uma boa tarde, meus negros lindos.
xoxo
