Era uma vez um zoológico muito diferente e muito engraçado. Localizado na península da Puta-Que-Pariu, ele reunia diversos exemplares de animais de toda a Wonderland e de outros lugares também.
Os animais circulavam livremente pelo zoológico, carinhosamente apelidado de campo. Algumas vezes, eles entravam nas jaulas alheias, para socializar ou para espalhar a discórdia.
Os animais eram divididos em castas:
A casta dos camaleões era a mais afastada do campo. Eles mal entravam no zoo e já achavam que sabiam de tudo. Sempre arrumavam um pretexto para uma festa, geralmente com nomes de datas. Alguns animais jamais haviam visto os camaleões, pois eles não se socializavam com os outros bixos, digo, bichos do zoológico.
A casta das tartarugas era a mais renomada do lugar. Elas se engalfinhavam em uma luta sangrenta todos os anos para poderem entrar lá, visto que as tartarugas recebiam diversos benefícios sobre os outros animais. As tartarugas, por serem a atração principal, podiam consumir cogumelos alucinógenos onde bem entendessem, pois o dono não se importava com as atitudes delas.
A casta das hienas era a mais seletiva: andavam em grupos de diversos machos, pois havia poucas mulheres entre elas. Elas riam da cara de todos os outros animais, dizendo que só comiam carne de primeira e que eram mais inteligentes que todos os outros bichos juntos. Mas todo mundo sabia que a maioria delas passava fome, pois selecionavam tanto a sua comida que acabavam ficando sem nada. E, quando comiam algo um pouquinho melhor, faziam questão de espalhar para todos sobre sua mais nova presa.
As aves das mais diversas espécies reuniam-se em torno de um único lugar. Elas eram extremamente exóticas, mas, segundo boatos que circulavam pelos corredores de lá, elas costumavam beber aquela água que passarinho não bebe com uma frequência bem elevada.
As corujas, organizadas, eram em sua grande maioria velhas e arrogantes. Faziam questão de organizar os documentos do lugar, metidas em salas escuras e sem ter contato com ninguém durante semanas. Nos finais de ano, época da prestação de contas dos animais, todos eles se amontoavam na sala das corujas, tentando resolver aqueles cálculos insolucionáveis a fim de não serem expulsos do zôo.
Os castores, construtores por natureza, chegavam lá pensando que iriam sair podendo reformar a torre Eiffel, mas,no final das contas, mal sabiam construir um ninho de passarinho.
As cobras, metidas a diplomatas, dividiam o mesmo espaço dos passarinhos. Sempre arrogantes e trocando de pele como quem troca de roupas, tentavam convencer a todos que poderiam resolver qualquer problema entre os animais. Ficavam internadas em uma unidade intensiva durante 6 anos. Depois disso, não conseguiam nem apartar as brigas dos macacos.
Ah, os macacos! Esses macacos eram de uma inteligência incrível, mas, ao contrário dos outros animais, não conversavam nem entre eles mesmos. Preocupados demais em resolver os problemas dos computadores do lugar, andavam sempre peludos e com espinhas na cara. As aves sempre saíam caçando os macacos, pois diziam que um deles poderia até ir para o espaço e elas queriam garantir seu futuro com alguém brilhante.
To be continued....