quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Ghost...

Poucas pessoas possuem tantos fantasmas quanto eu. Fantasmas estes que me trazem à tona memórias que eu julgava ter enterrado por completo. Fantasmas que me perseguem, que criam ilusões e mundos paralelos e me puxam de volta para eles. Fantasmas que me atiram na cara os erros do passado, as falsas lembranças boas e os medos de sempre. Porque, curiosamente, nossa mente apronta truques cruéis conosco. Ela nos faz lembrar de coisas boas que jamais existiram de verdade, pintando de tons pastéis um mundo que, na verdade, era em preto e branco. 

Há também aqueles  fantasmas que eu insisto em ressuscitar, mesmo sabendo que eles nada mais podem fazer por mim. Deixo-me enganar, evocar cores e sons e sabores e sensações mentirosas, que eu desconheço mas sinto saudade. Meus fantasmas brincam de pique-esconde comigo. Eles aparecem em épocas dispersas, justamente quando eu baixo minhas guardas por pensar que nenhum ataque poderá me afetar.


Meus  fantasmas me enlouquecem. Me convidam a viver tudo novamente, na triste ilusão de que, dessa vez, será para sempre.

Meus fantasmas adotam sempre os mesmos rostos e as mesmas vozes. Me sopram aos ouvidos sempre as mesmas poesias. Me tocam na viola sempre as mesmas canções. Me escrevem sempre as mesmas cartas com as mesmíssimas palavras. E o mais triste de tudo isso é que eu sempre acredito, sempre choro com os poemas, sempre juro que dessa vez  será para sempre...

Meus fantasmas, por vezes, sequer existiram: são bonecos de massa de modelar. Coloridos, vazios, ocos, moles.Criados por mãos de criança solitária que queria apenas um amigo para ter com quem conversar. Mãos calejadas de tanto bater em diversas portas à procura de seu amor verdadeiro. Mãos que cansaram de secar as lágrimas da decepção. Mãos que desistiram...


Tudo isso pela minha maldita mania de viver no outono, de querer tentar de novo, de fazer diferente...

Minha maldita mania de perdoar. De dar uma segunda chance. De me deixar levar.



Um bom  dia, meus negros lindos.
xoxo

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Pitangueiras



Inacreditável é como as monções do tempo são aleatórias. Há quase um ano atrás essa mesma pitangueira no jardim estava coberta de frutos, como agora. E há quase um ano atrás tinhamos nosso primeiro contato.

Muita coisa aconteceu nesse quase-ano que passou: amores perdidos, desafetos criados, brigas das mais diversas entre nós... e apenas uma certeza. A certeza de que, não importa o quanto eu xingasse e brigasse e olhasse no fundo dos teus olhos e te dissesse que eu nunca mais olharia na tua cara, eu voltaria. Eu sempre volto, tu sabe.

-Tu já vai dormir?
-Sim negrinha, tô cansado, acabei de chegar em casa.
-Hum.
-Não faz beiço.
(estava tudo escuro e ele virado para o outro lado)
-Eu não tô fazendo beiço.
-Tá sim. Eu te conheço.

Sim, tu me conhece. Tu sabe como eu gosto de ser abraçada. Tu sabe como eu viro durante a noite e me destapo, jogo as cobertas no chão, e por esse motivo tu te acorda durante a noite e me cobre com os edredons.
Tu sabe que eu durmo do lado do ventilador. Tu sabe quando eu tenho pesadelos, e sempre que os tenho acordo contigo me abraçando e sussurando coisas ao meu ouvido
Tu sabe que eu faço um doce e digo que vou embora, e tu fala "fica" e eu falo "pra quê? tenho que ir pra casa" e tu fala "a mesma coisa que tu vai fazer em casa tu pode fazer aqui em casa" e eu penso "é verdade" e eu fico e tu sorri para mim com aquela cara de guri safado e volta a dormir porque, como sempre, tu trabalha demais.
Tu sabe como eu gosto de controlar teus gastos, olhar desenho animado, tomar coca-cola de manhã cedo e dormir tapada de edredom com o ventilador ligado na minha cara.
Tu sabe como eu resmungo quando fico brava, como eu morro de ciúmes de ti com as tuas amigas, e sempre faz algum comentário sobre elas mostrando que elas são apenas isso: amigas.

Tu sabe o quanto aquela pitangueira do jardim quer dizer inúmeras coisas a nós dois, e ela o faz apenas existindo. Enquanto a pitangueira do jardim der frutos, eu terei meu gato preto e tu terás a tua negrinha.

Mesmo que por vezes nosso relacionamento se desgaste nos invernos da vida, mesmo que os ventos  do outono levem as nossas folhas para longe, a primavera sempre vem, e o verão também, e a gente se renova e cresce e amadurece e vê que, a cada dia que passa, precisamos de menos artificios e joguinhos e ciúmes e artimanhas com o outro e do outro, porque somos assim e ponto final.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A morte da bezerra

Caminha quase que se arrastando no chão. Em algum momento do percurso de sua casa até o bar a sua dignidade caíra no chão e ele sequer deu-se ao trabalho de buscá-la. Quase sem dinheiro, sem postura, com a barba por fazer e as roupas puídas, assemelhava-se a um mendigo. E será que eu não o sou? Era o que mais se perguntava. Os dias incontáveis mendigando amor daquela que o deixara sem um tostão sequer o programaram para viver assim: apenas pele, ossos e ócio.

Chega no bar, entrega as suas últimas moedas ao dono e pede tudo em cachaça. "Tudo" era menos de dez reais. Para quê comprar pão? Não sentia mais fome, nem frio, nem a sujeira entranhada na sua pele e em seus cabelos.  Do último banho não tinha lembrança alguma. Os pés encardidos no chinelo remendado com um prego denunciavam a falta de higiene.

Bebe uma dose atrás da outra, sem pensar  em quando a bebida faria seu efeito. Menos de dez minutos  e mais de um litro de aguardente depois, levanta-se completamente tonto. Sai fazendo uma dança estranha: a dança dos bêbados assemelha-se a dos equilibristas. E o que mais seriam eles se não uma espécie de equilibrista? Tentavam ficar em pé na realidade que não parava de rodopiar, em um mundo que gira,gira, gira....

Seus passos trôpegos o levam em direção à rodovia. Visão e audição completamente afetadas, não vê o carro que aproxima-se em alta velocidade pela faixa da esquerda. Não escuta as buzinas de alerta. O menino do carro, concentrado em mandar seu sms  para a namorada, também não percebe aquela figura no meio da estrada.

Caminha de um lado para o outro, dançando sua última valsa com a morte. Em uma fração de minuto a valsa se encerra: o equilibrista finalmente caíra de sua corda-bamba (mais conhecida como vida) e foi parar diretamente no fundo de uma cova no cemitério municipal. Sem nome, sem sobrenome.Apenas mais um indigente que não fará muita falta para a sociedade.


Um bom dia, meus negros lindos.
xoxo

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Tudo o que eu queria

Dentre minhas tantas confissões,  a mais importante (acredito eu) é a  de hoje. Eu estou  disposta a aceitar teu mal-humor, tuas contradições, tua vontade de isolamento e teu EUgocentrismo. Mas, em troca, exijo respeito, empenho e fidelidade de tua parte.

Respeito não é com relação a mim, e sim aos meus dramas e sentimentalismos. Faço tempestade em copo d'água, tu sabe. Não é por mal, é apenas o meu jeito de encarar as coisas. Enquanto tu te escondes eu viro um vulcão totalmente ativo, que entra em erupção sem mais nem menos.

Empenho é com relação a nós dois. Não existe casal formado apenas por uma pessoa, ou uma dupla de alguém solitário. Preciso de ti,  teu esforço. Sei que muita coisa ainda é novidade pra ti, tão acostumado com falsos amores que desaparecem no outro dia. Eu não estou aqui para sanar tuas vontades físicas imediatas: deixemos isso claro. Meu objetivo é construir, mudar, dividir, partilhar, alegrar e tantos outros verbos no infinitivo quanto forem necessários para tu entender que vou te fazer bem. Não apenas uma amiga, mas alguém sem um rótulo definido na tua vida. Não sou  mulher de ser usada e ser jogada  a um canto depois, enquanto tu vive a tua vida e quando sentires vontade de mim voltar a me procurar. A coisa não funciona assim.
 
Nesse ponto que entramos na questão "fidelidade". Quero fidelidade com nós dois, meu bem. Fidelidade do relacionamento. Não troque um castelo de pedras por um de lego,a menos que tu assuma a responsabilidade pelas consequências que isso trará. O contrato comigo é vitalício, porém em caso de quebra não é renovável. Caso queiras ir embora simplesmente me avise e vá. Não serás o primeiro e nem o último a fazer isso.

Tentarei encarar teus dias de penumbra da forma mais tranquila possível. Porque tu sabe que aqui sempre vai ter uma cama quente e um sorriso sincero te esperando.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Quando sinto-me invisível...

Eu demando muita atenção,não nego. Sou um ser carente e que gosta de conversar. Pior ainda: sou desconfiada. Rede social é quase uma ferramenta do diabo: ela te faz conspirar mil coisas. Vejo a pessoa online há mais de uma hora, sem sequer falar comigo. Lógico que eu imagino que está conversando com outrAs pessoas...possivelmente mais interessantes do que eu. 

Posso estar enlouquecendo, posso estar apenas com  ciúmes, podem ser os hormônios.... mas enfim, meu  universo feminino sempre foi regado à base de dramas, utopias, histórias inventadas ou não. 

Peço novamente: não brinque com meus sentimentos. Não me iluda, me surpreenda negativamente ou me abandone. Cuida  de mim. Bem sabes o quanto sofri antes de ti, e só resolvi abrir meu coração com apenas uma condição. 

Condição
Contradição
Distração
Traição


O que fica é confusão
Da fusão
Do coração

Me tens na palma da tua mão.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Números! Números? Números...

-Com quantas mulheres você já transou?
(silêncio)....
-Onde tu queres chegar com isso, novinha?

Confesso que nem eu mesmo sei. Curiosidade, eu acho. Sempre tive uma queda por números exatos:eles me fazem ter uma maior segurança das coisas ao meu redor. Entretanto,  as pessoas realmente podem ser resumidas em um número?

Seu RG, CPF, número de telefone, peso,altura, matrícula, carteira de trabalho, número da previdência social, manequim..... foi a minha primeira namorada, meu segundo marido, meu filho  mais novo, mora na quarta casa da segunda quadra, o cara que tem dois carros, a mulher que tem cinco cachorros, ganha cinco mil por mês ela, sabes quem é? a que tem duas filhas, o cara aquele que tem três casas na praia. 

Te resumiram em números, meu chapa. Tu virou apenas mais um no meio da multidão, que só pode ser identificado por uma série de algarismos arábicos dispostos aleatoriamente de forma a gerar uma combinação exclusivamente tua. Mais um que morre, mais três que nascem, e assim vamos sendo somados aos tantos bilhões de pessoas que habitam o planeta (já nem sei mais o somatório total de cabeças de gado desse rebanho imenso...seriam sete bilhões? três bilhões? cinco?)

"Me diz a tua matrícula senão não consigo te identificar (me grita o professor sem sequer se dar ao trabalho de olhar para o meu rosto perplexo no fundo da sala)"

"Ela é vadia, ficou com três meninos em uma única noite e ele é pegador porque pegou  sete gurias na mesma festa apesar das duas doses de tequila quatro hi-fis e cinco cervejas."

"Mortes no Rio mais cinco pessoas estraçalhadas mortas queimadas assaltadas soterradas..... grande coisa nem conhecia mesmo....."

"Morte em Santa Maria centenas de jovens morrem asfixiados.... nossa quanta gente que pena mesmo tanta gente assim pecado gurizada nova tu vê bem mas ein e os vinte reais que tu me deve, fulano?"

Sim, meu bem. Nós agora não passamos de números....

Pense nas crianças


Se você reparar bem, verá que são apenas crianças. Por baixo das barbas por fazer, dos piercings, tatuagens, roupas estilosas e fones de ouvido, há um rosto menino apaixonado por  videogames e futebol. Por detrás da maquiagem forte, dos cigarros, do copo de bebida, dos saltos altíssimos e das roupas minúsculas escondem-se faces e corpos de meninas que ainda sonham com um príncipe encantado.

Nada de bonecas, nada de videogames, nada de desenho animado. Eles querem crescer e serem adultos o mais rápido possível.  Bebedeiras, orgias sexuais, uso de drogas e vícios variados apenas comprovam o que eu falo: é uma forma de expulsar a criança interior aos tapas e  deixar o adulto tomar  conta do lugar. Acontece que o adulto não faz ideia de como se administra uma vida. Aprender errando: eis a única forma. 

O que falar dos momentos de carência afetiva? Dos abraços de mãe e das discussões com irmãos que tanto fazem falta? Com pouco dinheiro, pouco tempo e pouco amor eles fazem o  impensável: uma semana  de noites viradas, uma rotina que vira o pretexto perfeito para os exageros e as maluquices incomensuráveis dos seus períodos ociosos. E não é apenas em SP que não existe amor: aqui também não há. Fato curioso é que todos querem exatamente a mesma coisa, mas têm vergonha  de admitir para si mesmos e para os outros que é impossível ser feliz sozinho.

Viver de máscaras, esconder-se por baixo das barbas, maquiagens e cigarros. Ter uma rotina infernal de estudos para poder ter uma desculpa que justifique seus abusos e vícios e excessos e pecados dos finais de semana. Bem-vindo ao Vale dos Meninos Perdidos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Tardes de um verão qualquer

Pois bem...ele se foi. Tem seus afazeres, bem como eu também tenho os  meus. Se foi mas deixou seu perfume impregnado em meu quarto. Nas cobertas, no travesseiro, na minha toalha e em mim. E que cheiro gostoso! Cheiro de madeira, de fruta fresca e de tarde de verão. O que mais dizer? Acho que estou apaixonada. De uma forma diferente das de antes,mas estou. Aliás, está tudo sendo diferente: a cumplicidade e os risos são algo que realmente mexeram comigo.
Ele me envolve, me fascina,me seduz. Tem uma beleza diferente, atemporal. A beleza maior ainda é a do nosso carinho. Meu gato arisco está se domesticando aos poucos. Já faz até planos para o futuro comigo. Quem diria!
As palavas que sempre vêm até mim com leveza e facilidade hoje me fogem. Não tenho como descrever as sensações que esse cheiro e a sua lembrança me evocam. A presença forte dele deixa um gosto de quero mais, mais, MAIS!
Peço perdão pelo texto de hoje, meus negros lindos: ele está ruim, eu sei. Mas eu estou acostumada a descrever a tristeza e a desolação, a falta de carinho, a solidão. Palavras para identificar essa paz e alegria e conforto que ele me traz possivelmente não existem.
E não é que a felícia encontrou alguém que queria ser cuidado?
Com cuidado, sem pressa. Eu sou acostumada às coisas rápidas, no meu tempo. Ele me pede gentilmente para fazer tudo mais devagar, e saborear essa espera. A aproveitar cada minuto, sem pensar nos dias que virão. Calma, Carol,mais calma. Sem  pressa, do jeito que tem que ser. Deixa uma musica tocando no quarto e vem tomar banho comigo. Não morde a bala, espera ela derreter. Não engole o chocolate de uma vez, mastiga ele devagar e aprecia os movimentos da mandíbula.
 Enfim, acho que é isso. Sinto-me feliz e completa como há tempos não sentia. Amanhã tenho prova, está impossível estudar.
Mas quem se importa com isso? Eu estou amando, e sinto que é recíproco.


"Noites de um verão qualquer
Sob sua pele encontrei abrigo
Pra gente se devorar
Na órbita do seu umbigo"


Uma  noite linda, meus negros. E  vão estudar para as suas  provas depois que lerem isso.
xoxo

e no final fica tudo bem, certo?




O caminho de volta para casa ontem  nunca me pareceu tão longo. Ainda não consegui processar  direito aquela avalanche de informações. Há um dia atrás eu ainda sentia as piadas atrás de mim, às  minhas custas. Piadas feitas   por  pessoas que há pouquíssimo tempo atrás eu amava. Mas, como lidar? Com indiferença, claro. Fazer-me de cega para sofrer menos.
Eis então que duas pessoas ressurgem em minha vida. Uma  me abandonou, do nada,  e chegou sem a menor cerimônia querendo de volta aquela rotina que antes tínhamos. Outro sumiu por conta de uma sucessão de eventos desastrosos que nos afastaram abruptamente.
Claro que eu sentia falta dos dois.Mais de um do que de outro, não nego.  O primeiro, gato de lua, prometeu voltar definitivamente em abril e construir novamente nosso castelo de areia. O segundo, depois de longas mensagens no facebook, conversa comigo e ambos mostramos nossos pontos de vista. Não concordei com a maioria dos comentários, que fique claro. Mas o que mais seria amizade senão abdicar de seu orgulho em prol do bem alheio?
Sei lá, foi estanho vê-lo e, sem mais nem menos,minha boca se abre em uma profusão de palavras e frases e histórias e narrativas e contos....como se eu tentasse colocá-lo a par de tudo que aconteceu na minha vida enquanto ele se ausentara.
Bom, ambos voltaram. Não estão iguais (eu também não estou), mas voltaram. Agora, daqui para frente, é tentar fazer tudo diferente.

Quanto a ti, meu gato de lua, fico te devendo a nossa rotina e cumplicidade de antigamente. Não, eu não estou de criticando de novo, eu apenas encontrei uma pessoa que,ao invés de eu ter que cuidar, está cuidando de mim.

Enquanto eu escrevo isso a Biscoito dorme em meu colo, aliviada por termos tirado dois pesos tão grandes de nossas  vidas.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Noites viradas, frias madrugadas

Não sei como lidar com isso, de verdade. Nunca aconteceu dessa forma. Eu achava que já havia amadurecido o suficiente para não encarar as coisas com tamanha empolgação, mas não aconteceu.
Confissões de adolescente: ele zelou meu sono, leu minhas palavras (muito mal escritas) enquanto eu dormia, me fez carinho e sonhou comigo.Ao acordar e vê-lo do meu lado, um sorriso foi inevitável: quero acordar todos os dias assim. Meu riso é tão, mas tão, mas tão mais feliz contigo, que nem sei mais quem eu era antes de ti.
Sem passado, sem cicatrizes, sem marcas. Apenas eu e você de encontro ao vento. O meu vento. O vento do futuro, da calmaria, da paz. Bens sabes a ligação que sinto com a brisa suave da tarde.
"Mas e as noites?"
Que venham as noites. Por mais frias, mais escuras e mais intermináveis que elas pareçam, quero teu abraço me aquecendo. Parece que ali nada mais tem importância nesse mundo: eu te tenho, e ponto final. E saibas que tu me tem por completo: corpo, alma, coração e pensamento. Uma coisa é certa: daqui para frente tudo vai ser diferente. 
Ah, hoje é meu aniversário, viu negrada? E o melhor presente que eu poderia ter ganhado veio do céu: um anjo escritor, que transformou minha rotina na mais bela doce poesia.

"Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida..."
Cazuza

Parabéns pra mim!
Boa noite, meus negros lindos
xoxo

Parecia inofensiva, mas te dominou!

Não sei exatamente como ou o porquê, mas eu me encantei de verdade. Os olhos questionadores, as mãos suaves, o sorriso fácil e o cheiro...ah, o cheiro! Tudo isso me tomou de assalto. Do dia para a noite as conversas já não bastam mais: eu quero esse menino para mim. E a maior surpresa de todas é ver que do lado de lá as coisas andam exatamente da mesma forma que aqui: uma explosão de serotonina, de conforto, com cheiro de fruta madura e chá quente.
Não sei de que forma vamos administrar isso, mas o certo é que  está acontecendo comigo.
Eu, logo eu! Eu que andava tão desacreditada, tão triste, tão convicta de que, aqui, jamais encontraria algo assim.
Minha vontade é sair na rua gritando para todo mundo! Achei! Achei! Achei!

Ao ler teu texto, as lágrimas foram inevitáveis: bem sabes como sou passional e chorona. Mas dessa vez elas rolaram de felicidade.


Tenham um dia lindo, meus negros lindos.
xoxo

  
Escutem essa música, pois ela traduz em melodia meus sentimentos!
Trilha sonora da minha manhã:
http://www.youtube.com/watch?v=7WXSUxsFonQ

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Cachaça e limão


Hoje  tive certeza de quem você realmente é. E afirmo também que és muito, muito, mas muito melhor do que eu imaginava. As noites perdidas pensando em como seria o teu beijo foram em vão: ele superou qualquer expectativa.  
Não posso te prometer jardins de tulipas, noites de lua cheia e estrelas cintilantes, tardes de primavera com uma brisa,nós dois e mais ninguém. Isso estaria completamente fora de meu alcance. O que posso te prometer é amor de verdade. Caso ele não venha, não se desespere: ainda terei carinho, ternura, respeito e amizade. Como que em um passe de mágica, tu coloriu meus dias com lápis aquarela. Criança levada, que sem saber o que desenhar resolve pintar as paredes, as roupas, meus cabelos e meu rosto de tons pastéis  e giz de cera.
Meu mundo está de portas abertas para ti, faça dele o que bem entender. Nosso passado, que já se cruzou em algumas esquinas da vida, agora nos mostra o quanto somos fortes e maduros para respeitarmos as coisas que o outro sente e viver sem medo.
Seja bem vindo aos meus dramas,minhas utopias e meus medos. Recebo os teus de portas abertas e coração limpo. As manchas do passado a gente pinta de outras cores. Se a rotina chegar a gente muda tudo de lugar e se reinventa. Só te peço que não fujas de mim como fugistes de outras: nosso castelo em preto e branco ainda terá muitos retratos de nós dois pendurados na parede.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Lego house

E eu ainda insisto. Não sei dizer exatamente porque, mas insisto. Faço drama para as paredes, choro, bato as portas com raiva e prometo a mim mesma que não mais me apegarei.Mas basta olhar uma única foto tua para que tudo aquilo que até então eu havia jurado que não mais faria repetir-se novamente. Uma fênix alada, que fez nascer em mim algo que eu nem imaginava que existisse novamente. Criança forte, abandonada e tranquila. Tão carente quanto eu, talvez até mais. Tenho medo de construir com você algo muito rápido e bonito. Relacionamentos assim me lembram castelos de lego: podem ser construídos rapidamente, e com a mesma velocidade são destruídos. Atente para uma coisa: crianças brincam com Lego. Adultos de verdade constroem castelos de pedras. Sei que são demorados, e nem sempre são tão coloridos e atraentes quanto os de Lego, mas são de verdade e para sempre.
Te pedi apenas uma coisa: não machuque o meu coração. Não brinque com ele. Não faça dele uma peça de teu castelo de utopias. E tu tens feito isso, não tem brincado com ele, mas simplesmente me ignora. Bem, não completamente. Mas teu visível desinteresse e minha vontade quase que palpável não combinam. Confesso que, no princípio, até pensei ter encontrado o homem da minha vida. Um pequeno-grande homem. Mas como saber o que se passa por essa cabeça? Seria a nothing box novamente?
Tens teus afazeres, eu bem sei. Mas será que tudo aquilo que vivemos  em tão pouco tempo simplesmente foi fruto de minha imaginação? E aquela conexão que pensei que tínhamos? E aqueles olhos que me sugavam e me bebiam e me despiam e faziam sentir-me tão bem?

Lego house, a fênix e as unhas cor-de-rosa, nothing box.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

A máscara

Corpo seco, espalha o hidratante lentamente, como se o creme pudesse encobrir aquelas marcas. Coloca a roupa íntima, olha-se no espelho e observa as cicatrizes recentes, os machucados, as marcas.... as malditas marcas que a acompanhavam por todo lado.
Apesar do clima ameno,veste calças compridas  e um casaco. Coloca um tênis. Os pés, cansados do sapato altíssimo, agradecem pelo tempo de descanso. Escova os cabelos recém limpos.Em Brasília, sete horas e trinta minutos.

Sem maquiagem, sem cílios postiços, sem nada no rosto, parecia outra pessoa. Quase irreconhecível. Pega a bolsa e os cadernos, o celular,tranca a porta e sai para a rua.

Ao chegar, compra um café bem forte e adoça com sucralose. Adoçante é uma mentira: lhe faz pensar ser açúcar, mas o gosto pseudo-doce deixa um rastro amargo no fundo da boca.

Caminha lentamente em direção à sala de aula, cumprimentando algumas poucas pessoas e ignorando a maioria. Quanto menos gente a conhecesse, melhor. Sala fechada, desce e fuma um cigarro. O primeiro do dia, muitos ainda estão por vir.

Vai ao banheiro, olha-se no espelho e simplesmente não reconhece aquele rosto. O que antes era  familiar,agora não passa de uma máscara do cotidiano. Mas vivia em um baile, em que as máscaras eram cada vez mais elaboradas, de forma a jamais deixar transparecer as pessoas que as  usavam. Em Brasília, oito horas em ponto.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

gato branco em campo de rochas

Tão misterioso quanto eu. Talvez até mais. Cheio de manias, tinhoso, teimoso,inteligente...não nego que  me deixou curiosa. Me instigou a conhecer a sua história, mesmo que ele me mostre uma letra e me peça para adivinhar o resto da página. 
Insisto, faço jogo duro, forço a barra...faço de tudo pra te ter um pouquinho mais. Não sei porque  te escondes nessa carapaça tão dura, se o que realmente queres é ficar desnudo em minha frente. Tira a roupa de viver e me mostra os teus sonhos, teus medos, tuas expectativas e tuas paixões. Me diga aquilo que tu sabes que eu quero ouvir, porque parece que tu sempre diz a coisa certa. Ou melhor: tu sempre me escreve a coisa certa.

Gato branco em campo de pedras, tu te destaca pela pureza que exalas em meio ao lugar fétido que habitas. Gato esperto, gato vivido, gato arredio, gato arisco...

Não quero te domar, te domesticar, pois assim vais perder a essência. Quero apenas que me convides a seguir viagem contigo. Que me ensine a viver no teu habitat natural, que me conte tuas histórias e me ajude a escrever a minha.


O pecado

Mais uma noite encerrou-se. Cansada, ela espera um táxi sob a marquise da loja. Encoberta por seu casaco, ela se encolhe por causa do vento frio. As pernas desnudas arrepiam-se em contato com o vento gelado.

Pega o táxi, senta-se em silêncio e vai para casa. Os olhares do taxista pelo retrovisor faziam com que ela ficasse com mais vergonha do que já tinha. Preço total: R$35,00. Ela paga com uma nota de R$50 e não pede troco. O motorista olha para a nota amassada, imaginando sua origem e reprimindo um comentário maldoso sobre a procedência, mas resolveu ficar quieto, já que dinheiro é dinheiro e isso nunca se nega. 

Desce do carro, abre a porta de casa e vai despindo-se em direção ao banheiro. Ajusta o chuveiro para a temperatura máxima. Liga o rádio bem alto: em Brasília, são cinco horas e quarenta e cinco minutos.  Um blues tocando, e o vapor espalha-se pelo banheiro. Completamente nua, ela enfia-se sob a água escaldante. Começa então a esfregar-se suavemente. Aos poucos, vai aumentando a fricção da esponja contra a pele, até perceber que estava quase esfolando-se viva. Olha para os braços: vermelhos, doloridos. Em Brasília, seis horas e vinte minutos.
Esfrega ainda mais forte, querendo com isso limpar a sua consciência, as imagens, os pensamentos, as lembranças, o cheiro. O que mais a agoniava era aquele cheiro de pecado que se entranhava em suas narinas e custava a sair. Como em um passe de mágica, em Brasília, sete horas.

Sai com a pele vermelha, quase em carne-viva. Espalha uma grande quantidade de perfume, em uma vã tentativa de encobrir aquele cheiro.  Seca-se, senta-se na beira da sua cama e chora, tentando descobrir por quantos dias mais aguentaria aquela rotina infernal.

A lágrima

Ontem foi o dia mais marcante de minha vida. O dia em que vi meu pai chorar. Ver um homem daquele tamanho, que até então jamais havia derramado uma lágrima,  chorar como uma criança me fez refletir sobre a fragilidade da vida. 
Mais triste ainda ainda foi ver aqueles pequeninos dedos, repletos de calosidades por conta das noites intermináveis fazendo crochê, completamente brancos, sem vida, enrugados e frios.
Os lábios, que tantas vezes repreenderam a mim e a meus primos por estragos feitos em suas plantas, estavam então colados. Como ousaram colá-los? Pergunto, indignada. E só então reflito que caso não fizessem isso, eles então se abririam em um grito mudo. Quase paralisada por aquela cena, toco seus cabelos. Brancos, ralos, foram cortados em um ato imbecil (alegaram que daria menos trabalho para cuidar). A pele, enrugada, pálida, opaca, fria.... muito fria. Na verdade, gelada seria o adjetivo correto. Minha vontade era levantá-la dali e colocá-la em uma cama decente, com cobertas e um chá. Mas isso seria loucura, além de ser inútil. Nada mais poderia ser feito.
O corpo mirrado não foi difícil de carregar. Depositado no fundo daquela cova, foi a última vez que alguém o viu.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Nothing box



No fundo daqueles olhos castanhos, finalmente encontrei o que eu tanto procurava. Ainda bem que o achei antes de desistir, de me perder, de desacreditar disso tudo. Ao ver meu reflexo no fundo daqueles olhos castanhos, pude compreender que era  verdade.
Ao ver o movimento daqueles olhos castanhos, me   sugando para dentro de si, como se quisessem eternizar meus movimentos. minha imagem e  meu gosto em sua mente, vi que ainda havia pessoas boas, e que nada nesse mundo dura para sempre.
Ao  ver a intensidade com que aqueles olhos castanhos me  fitavam, já fatigados mas ainda não repletos de mim, confesso que chorei. Chorei de alegria pela beleza daquele momento. Chorei ao perceber o contraste entre as unhas cor-de-rosa e a fênix negra, que fitava meus dedos como se desejasse arrancá-los para si.
Ao repousar meu braço sobre a  fênix, quando os olhos castanhos já vagavam pelo mundo das utopias, senti-me completa e vazia ao mesmo tempo. Como se finalmente encontrasse o que eu procurava mas não o pudesse ter para mim. Em suaves doses homeopáticas, vou sendo preenchida por aquele gosto agora familiar, por aquela voz doce, pelo   calor das suas mãos que me aquecem e me fazem sentir assim, tão....tão......inexplicável.

Não são apenas os olhos, a fênix, o sorriso, o calor ou o gosto. São as palavras, as atitudes, os medos, a doçura. Doçura que eu nem sabia que existia. A singular doçura da nothing box.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A garota invisível

Sentada em frente ao restaurante, ela lia, silenciosa, algo que a fez parar e pensar:

" -Eu, ás vezes, fico invisível.Eu disse para o médico e para a médica, mas eles não acreditaram. Eles disseram que eu estava imaginando isso e eu concordei. Mas eu fiquei invisível várias vezes.
-Isso é normal .
-É?
-É, eu já fiquei invisível uma vez..." *

Lendo aquelas linhas, ela pode perceber que também já ficara invisível diversas vezes. Aliás, era assim que ela sentia-se naquele exato momento: invisível.
Os garotos saíam de lá de dentro aos grupos, sempre sorrindo e conversando amenidades. E ela, sentada ali sozinha, percebeu que estava invisível. Acenou para alguns conhecidos,sem obter resposta. Sequer ficou envergonhada: sabia que ninguém ali a via. Acendeu mais um cigarro, olhou para a capa do livro e teve um surto de lucidez: em meio àquele mar de gente, havia muitos outros seres invisíveis.
 Quantas pessoas, como ela, não se sentiam  solitários o tempo todo?
Quantas pessoas, como ela, se envolviam em uma multidão de pessoas, todas elas acompanhadas por alguém, mas extremamente sós?

Então, ainda invisível, fechou seu livro e observou a todos. Ninguém a via, ninguém a observava, ninguém  a cumprimentava. Será que ela enlouquecera? Provavelmente não. Ela realmente era uma menina invisível. Naquele lugar frívolo e supérfluo, não era de se admirar que as pessoas sequer olhassem um elefante branco parado no meio do caminho: simplesmente desviariam de suas rotas, virariam as costas e continuariam absortas em seus próprios problemas.  A beleza da rotina lhes escapava aos olhos. As particularidades de cada um eram mascaradas  com uma massa cinzenta que lhes encobria a alma e deixava todos assim, iguaizinhos. Caso alguém desaparecesse, ninguém daria por falta, pois logo ele seria substituído por outro exemplar semelhante.

Cansada de ficar ali, jogada à própria sorte, levantou-se do banco, pegou sua sacola de viver e foi visitar  outro universo.

*trecho retirado do texto Frontal com Fanta de Jorge Furtado.


Uma boa noite, meus negros lindos.
xoxo

Trilha sonora da minha noite:
http://www.youtube.com/watch?v=zyirFLQMng4