Há também aqueles fantasmas que eu insisto em ressuscitar, mesmo sabendo que eles nada mais podem fazer por mim. Deixo-me enganar, evocar cores e sons e sabores e sensações mentirosas, que eu desconheço mas sinto saudade. Meus fantasmas brincam de pique-esconde comigo. Eles aparecem em épocas dispersas, justamente quando eu baixo minhas guardas por pensar que nenhum ataque poderá me afetar.
Meus fantasmas me enlouquecem. Me convidam a viver tudo novamente, na triste ilusão de que, dessa vez, será para sempre.
Meus fantasmas adotam sempre os mesmos rostos e as mesmas vozes. Me sopram aos ouvidos sempre as mesmas poesias. Me tocam na viola sempre as mesmas canções. Me escrevem sempre as mesmas cartas com as mesmíssimas palavras. E o mais triste de tudo isso é que eu sempre acredito, sempre choro com os poemas, sempre juro que dessa vez será para sempre...
Meus fantasmas, por vezes, sequer existiram: são bonecos de massa de modelar. Coloridos, vazios, ocos, moles.Criados por mãos de criança solitária que queria apenas um amigo para ter com quem conversar. Mãos calejadas de tanto bater em diversas portas à procura de seu amor verdadeiro. Mãos que cansaram de secar as lágrimas da decepção. Mãos que desistiram...
Tudo isso pela minha maldita mania de viver no outono, de querer tentar de novo, de fazer diferente...
Minha maldita mania de perdoar. De dar uma segunda chance. De me deixar levar.
Um bom dia, meus negros lindos.
xoxo



