sábado, 25 de maio de 2013

Alegoria dos anjos caídos

Sem previsão de retorno, vagava pelos corredores escuros da biblioteca. A seção de literatura já perdera há tempo o seu encanto: dia após dia, ia sugando todas aquelas palavras escritas em busca de um novo poema que lhe trouxesse paz. Consultava as traças sobre velhos escritores que, mesmo falecidos, deixaram um legado eterno. A palavra escrita torna-te imortal.

"Sabe, meu bem, nunca deixa que te esqueçam. A coisa mais  do mundo é uma pessoa que sempre é esquecida."

Cartas à parte, ele fez com que o esquecessem. Deixou-se de lado, ignorando a si mesmo e afundando cada vez mais no limbo da solidão. Solidão ou solitude?

Ele pensava que ainda tinha todo o tempo do mundo para reviver as sombras do passado e mastigar todos aqueles rancores.... seguir em frente para quê?

Suas lágrimas eram muito mais honestas do que aquele sorriso da menina. Era tão linda e tão cruel...Pouco sabia  do seu passado, mas o pouco tempo em que esteve com ela foi feliz de verdade. Aqueles olhos castanhos tão claros que quase tinham cor de mel e aqueles cabelos que não eram nem lisos e nem cacheados, nem curtos e nem compridos, nem loiros e nem morenos...
Com a mesma velocidade que ela veio, ela também se foi. Disse que não podia ficar,que seus planos eram grandes demais para aquele pequeno coração que ele lhe oferecera. Disse também que já não podia mais amar: ele que tratasse de ser feliz, que seguisse seu rumo e que procurasse outra que quisesse aquele amor escravo que ele lhe oferecia.Ela não podia aceitar aquilo. Sua felicidade estava em outros lugares. 

Foram felizes, claro que foram. Mas ela sempre enjoou fácil de seus brinquedos. Vai-te embora, segue teu rumo e deixa que eu siga o meu. Ele realmente foi embora, mudou de cidade, de nome,de aparência e de hábitos. Criou vícios, aprendeu a nadar e adquiriu gosto pela leitura. Escondeu-se de tudo e de todos, e não sabia se agora era feliz em sua vida tão anônima....


Dia desses ela apareceu em uma revista. Algum escândalo sexual envolvendo um político de altíssima estirpe lá de Brasília. Ele sequer leu a matéria: estava ocupado demais olhando para uma mancha de café em seu tapete.


Tenham um bom dia, meus negros lindos
xoxo

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sou engenheiro!



Dia desses não lembro em que post aleatório do facebook vi uma verdadeira CAGADA na língua portuguesa: algo como "ela não tem nossão das coisas" ou algo do tipo. Na hora, baixou em mim um espírito de professor Pasquale e corrigi a criatura em questão: 

-Fulano, NOÇÃO é com ç, e não "ss".

Veja a resposta que recebo:

-Eu não preciso saber escrever direito,vou ser engenheiro!

Eu fiquei tipo: GENTE, ACORDA! Como assim tu não precisas saber escrever de forma correta?
Confesso que algumas vezes tropeço em nossa língua materna, seja por erro de digitação, concordância ou ortografia mesmo. Escrever de forma perfeita (entenda-se que aqui refiro-me à linguagem formal) requer certa prática. Mas puta merda, tu não te formou no ensino médio como qualquer outro aluno que ingressou na universidade? 

O nosso tão amado ENEM propicia que muitas pessoas tenham acesso à universidades públicas, coisa que até pouco tempo atrás era exclusividade de quem tinha dinheiro para pagar cursinho pré-vestibular. Ou seja, quem ingressava no ensino superior público era quem tinha dinheiro de sobra para pagar um curso particular. Mas penso que não adianta essa expansão gigantesca das universidades públicas sem uma educação básica de qualidade. Como que uma pessoa chega ao terceiro ano do ensino médio sem saber escrever uma palavra tão simples?

Outro ponto: tu usas a língua portuguesa TODOS os dias, ao contrário de tuas fórmulas matemáticas absurdamente complicadas que se restringem à uma certa área de atuação do teu curso. Tu cresceu com pessoas que a falam, escrevem e leem todos os dias, milhares de vezes ao dia. O fato de teres mais habilidade matemática do que nós, meros mortais das ciências aplicadas, não exclui a responsabilidade de utilizares com sabedoria a língua portuguesa.

Fico imaginando o tipo de atrocidade que vai sair de um relatório quando essa pessoa estiver formada e atuante no mercado de trabalho:

"As parede tavam ruim dae temque dirruba por que senão vai cai tudo"

Ou algo do tipo....

terça-feira, 21 de maio de 2013

all about us

Entender-me tem se tornado cada vez mais complicado. Não consigo mais prever quais serão minhas atitudes (coisa que outrora eu fazia e com maestria). Uma espécie de véu cobre meus olhos. Não mais reconheço aqueles olhos no espelho. Eles continuam da mesma cor que os de antes, um mais claro e outro mais escuro, mas ao redor deles a maquiagem tornou-se mais suave e já vejo pequenas marcas que o tempo está deixando. Meus lábios, que antes abriam-se com facilidade, agora vivem crispados, desaprovando quase tudo que vê por aí. Meus pés, que adoravam correr na beira da praia, hoje cansam-se com relativa facilidade. Até meus cabelos mudaram. 

Dia desses vi um fio branco no meio das melenas castanhas. Foi quase um balde de água fria.  "Merda, eu já tenho  21 anos". Há poucos dias atrás eu sonhava com meu aniversário de 15 anos. Ontem mesmo eu delirava em minha cama, olhando para o teto com estrelinhas coladas e pensando em como eu seria quando tivesse uns 20, 21 anos. E hoje cá estou eu:cerca  de  30% bibliotecária, ainda acima do peso, com pelo menos sete vícios para sustentar e cheia de responsabilidades. A vida adulta adulterou minha essência: o frenesi do meu cotidiano adicionou doses etílicas cavalares aos meus finais de semana, mais nicotina e menos bala de goma.


Estou bem mais dura, mais cruel, mais rancorosa, mais amarga....menos doce. Menos eu.


Quando eu aprender a me amar de verdade, talvez possa prever novamente minhas atitudes...


"roupas no varal
chuva de verão
Os dias soltos no quintal vão me dando a direção

Se você perguntar o que eu fiz
Se você quer saber o que eu quis
Ah, o tempo passa e eu penso demais
Pra dizer ao vento que me satisfaz
E eu minto

Quartos de hotel
Pra alguém que se perdeu...."

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O livreiro

Cansada da aula e do trabalho, sai pela avenida em torno das 21:10. Os passos compassados, ritmados por uma canção qualquer do The Cure, movem-se rapidamente pelo pavimento úmido da ciclovia. Faz frio, venta, a umidade presente no ar deixou-a doente nos últimos dias... o inverno aproxima-se sem trégua. Noites mais frias virão.

Acende mais um cigarro, fecha a bolsa, solta os cabelos e viaja em seu universo particular. De repente, avista-o. Sozinho, com os cabelos compridos, sentado em sua cadeira com seus livros abertos na mesa de madeira improvisada. Não resiste em dar uma olhada.  Aproxima-se, tira os fones do ouvido e analisa as capas ali presentes. Uma chama mais a sua atenção: um título de Garcia Marquez, com a capa remendada, livro com cara de sebo.

-Moço, quanto custa esse aqui?
-Vinte reais.
-Mas tudo isso? Poxa, esse livro já foi lido. Muito lido, por sinal. Se bem que o Gabriel é demais...vale a pena pagar vinte pila por um título dele.
-Tu conhece ele?
-Claro, li uma obra dele uma vez.Adorei o estilo de escrita.
-E do Paulo Coelho, tu não gosta?
-Bah, detesto! Acho uma literatura muito fraca. Dos brasileiros contemporâneos sou mais o João Ubaldo RIbeiro, Dalton Trevisan, Luís Fernando Veríssimo....
-E o Carpinejar?
-Também não gosto. Nem dele nem do Caio Fernando Abreu. Sei lá, esse tipo de crônica não me desce de jeito nenhum.
-Mas o que é uma crônica?
-Olha, eu entendo por crônica alguma história curta que relate fatos do cotidiano. Se bem que nem sei direito no que se encaixam meus textos...não posso te dar certeza da minha informação.
-Mas tu escreve?
-Olha, eu penso que escrevo. Se os outros gostam ou não, aí já é outra história...

Ele ri, observa-a com curiosidade.
-Tu vive só da venda dos livros?
-Não, eu também aplico shiatzu.
-Mas e tu consegue viver disso?
-Consigo,porque ainda moro com meus pais.

Ela olha no relógio: 21:30. 
-Moço, preciso ir. Hoje é sábado e eu ainda na rua, sem nenhuma perspectiva de balada hoje.
-Vais levar o livro?
-Posso não moço, tô pobre. Tenho 10 reais.

Ele ainda insiste, puxa assunto, conversa sobre autores brasileiros e americanos. Ela percebe que ele sabe pouco sobre seu produto, mas é muito interessado em aprender.
Ela olha novamente no relógio: 21:45. Fala que vai embora, e ele tem um ar de súplica em seus olhos. "Fica", eles lhe dizem.  Ela insiste que é tarde, acende mais um cigarro e vira-se em direção ao seu destino.

Dá dois passos até que ouve:

-Moça, se algum dia tu tiveres dinheiro e eu não estiver por aqui, pega o meu cartão. Aqui tem meu número. Se tu quiseres eu entrego até na tua casa, ou no lugar que tu trabalha, tanto faz...

Ela dá uma tragada forte, assopra a fumaça e fala:

-Pode deixar, ligo sim.

Vai-se embora, pensando em como será a vida daquela criatura tão humilde e tão carente...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

nonsense

Vivemos em uma geração de idiotas. Somos filhos de uma repressão política e ideológica que, ao acabar-se, deixou como legado a filosofia de aceitação sem questionamento. Temos como base a síndrome das "fobias": qualquer tipo de crítica é considerada racismo, homofobia ou pré-conceito. Uso o termo "pré-conceito" e não "preconceito" porque acredito que nos dias atuais ele tem sido empregado em diversos discursos de forma errônea. Eu só posso fazer um pré-julgamento de algo que eu desconheça, pois o sufixo "pré" pressupõe uma avaliação  de algo que eu ainda não conheço. Portanto se eu faço críticas sobre um assunto que eu já conheça e sobre o qual eu já tenha uma opinião formada, este não pode ser considerado um "pré-conceito". Mas enfim, não é sobre etimologia que este texto tratará.

A geração 90 teve sua infância marcada por desenhos maravilhosos, como Capitão Planeta, Ursinhos Carinhosos, O fantástico mundo de Bob, Castelo Rá-tim-bum!, Pokemom, Digimom, Yu-Gih-OH! e tantos outros que eu levaria horas até completar o rol de programas que eu adorava enquanto criança. Jogamos Nintendo, vivenciamos a criação do Playstation e vimos o "boom" da internet. Que atire a primeira pedra quem nunca cogitou a ideia de se prostituir para ganhar um convite para o orkut.

Dominados pelas modinhas, meus companheiros de década lêem Carpinejar e Caio Fernando Abreu achando que um amontoado de lugares-comuns descreve totalmente a sua vida. Criticam o FUNK, BBB e  o lixo em que nossa mídia se tornou em todas as suas redes sociais, enquanto assistem o vlog da moda. De seus Iphones, eles compartilham fotos criticando o consumismo desenfreado, enquanto fazem compras  em algum supermercado da rede walmart. Vestem roupas  que parecem velhas (mas na verdade custaram uma pequena fortuna) apenas para parecerem "indies" e "hipsters". 

Outro dia li uma frase de uma menina de minha universidade que me chocou deveras: ao criticar um post meu no qual eu abordava o excesso de violência em alguns protestos, ela solta a seguinte pérola:

"QUALQUER TIPO DE PROTESTO É JUSTO"

Confesso que tive pena dela, de verdade. Será que ela não tem noção do perigo que essa frase carrega? Essa ideologia insensata de que os fins justificam os meios já caiu por terra há muito. Que tipo de monstros criaremos caso deixemos que todos protestem suas verdades de forma livre e sem interferência?


Acho que o maior pecado que nossos pais cometeram foi o excesso de liberdade que nos deram. Tudo é permitido, tudo é bonito, tudo é legal e tudo é aceitável. Cadê a ordem dessa sociedade? Nossos pais procuraram dar-nos toda a liberdade que não tiveram, mas esqueceram-se de que limites são importantes e extremante necessários. Sem limite, viveremos no caos.

Outra coisa em que minha geração é pioneira é no excesso de poder aquisitivo. Nem tudo compra-se com dinheiro, meus caros. Filhos precisam de amor, carinho e noção do que é certo e errado, e não de um novo smartphone. 

Somos os eco-chatos. Criticamos quem fuma e quem bebe, quem come carne e quem não pratica exercício físico, enquanto comemos alguma verdura dita "orgânica" (pela qual pagamos o triplo do preço dos vegetais comuns do supermercado) sentados em nossos móveis planejados. 

 Que geração infeliz, meu Deus! Que tipo de adultos nos tornamos! 

Desculpem pelo post demasiadamente longo, mas eu não suporto mais ver tanta mediocridade de ideologia ao meu redor. Se essas meninas parassem de ler o 50 tons de cinza (que, para quem não conhece, conta a história de uma mulher que se apaixona por um cara rico, poderoso, inteligente e com um pequeno fetiche sexual: para para que ela seja totalmente submissa à ele, tanto sexual quanto psicologicamente) e  fossem lavar a louça que está suja na pia, certamente esse texto não estaria sendo escrito. E sim, minha louça está lavada, minhas roupas lavadas, dobradas e guardadas e o chão varrido. E não venham chamar-me de mulher machista: só acho preferível ter minha casa limpa do que ser mais uma no rebanho de  ovelhas planejadas em série, que concordam com a ideologia da maioria apenas para serem aceitos pelo grande grupo. Sem falar naqueles que são os papagaios midiáticos: apenas repetem frases desconexas que viram no twitter, sem sequer saber do que se tratam. Ao discutirem, usam milhares de frases de efeito e citações de Clarice Lispector (que deve revirar-se no túmulo ao ouvir tantas aberrações saindo de bocas tão profanas), com o único intuito de mostrarem o quanto são literários. Enfim, chega de superficialidades por hoje


Boa tarde, meus negros lindos
xoxo

terça-feira, 14 de maio de 2013

Fireflies

As luzes distantes da Barra parecem milhares de vaga-lumes nas  noites agora frias de outono. Absorta em meus pensamentos, deixo que elas passem correndo enquanto o ônibus segue seu trajeto. Otelo me remete somente à uma pessoa....

Entre as páginas sobre o ciúme incontrolável de Otelo e a beleza de Desdêmona, recrio minha vida desde o ponto de partida. E se o estopim da mudança não houvesse acontecido? E se ainda estivéssemos  juntos? E se tudo tivesse continuado da mesma forma?


Mais um blue ice, mais uma página, troco de música: disco rock. "e ela foi embora.... ela não vai voltar...". Lágrimas começam a surgir do limbo no qual as havia escondido. Troco de novo: video games. "It's you, it's you...it's all for you... everything I do...". Chega de música por hoje? Ainda não!


Garbage surge apenas para jogar meus erros no ventilador e espalhar para que todos saibam o quanto fui tola. "Stupid girl! All you have you're wasted...". Desperdício? Nem de tempo, e nem de amor.


Sobrou pena e rancor no fim das contas...


Volto ao Mouro com os lábios grossos, e vejo que seus erros são semelhantes aos meus. A lua nada mais é do que uma fina fatia de queijo incandescente, pendurada lá no céu mostrando que o tempo passa....


Chega  sum 41 para dizer que I'm better of on my own...


Um cara tatuado, com um skate, senta-se bem à minha frente. Nos olhamos por cerca de 40 minutos. Ele levanta e vai-se embora...


E eu fico ali, sentada, esperando a vida passar.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Cartas sem destinatário: primeira carta

Numa de minhas visões sobre um passado que nunca aconteceu pude ver as suas brigas, querido. Todas aquelas brigas intermináveis com ela, como quando aquela vez em que tu dormiu na minha casa apenas para dar um tempo entre vocês dois. Deixo-te apenas um alerta: teus dias de brincadeiras na beira da praia e de rodas de violão nas madrugadas de inverno terminaram. Hoje tu és um homem, com responsabilidades, afazeres e uma família para manter. Bem sabes a dificil historia de vida dela, e o quanto ela sofreu. Não seja tão tolo quanto ele foi. Não seja tão cruel a ponto de ficares aí, absorto, contemplando teu próprio umbigo e esquecendo do universo dela.

O que tu realmente anda precisando é um chá de realidade. Mais um com síndrome de Peter Pan....


Destaco aqui a minha habilidade em estabelecer relações com pessoas problemáticas. Parece que eu sou um imã para esse tipo de gente.

Enfim, acho que é só isso mesmo. Assume o teu papel de homem e faça a coisa do modo certo, e não do modo fácil.

Um dia, quando isso tudo acontecer, eu lhe mando essa carta. 


au revoir,
xoxo

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Vícios




Todas as pessoas do mundo possuem um vício. Alguns mais fúteis, outros mais discretos, mas todo mundo tem.

Algumas pessoas são viciados em cigarros, bebidas, sexo,café, comida, pequenos furtos, em exercícios físicos, em doces, em matar (os famosos serial killers), em internet, video games, maconha, crack, música... e ainda arrisco-me a dizer que há pessoas viciadas em ir na igreja.

Mas o que configura um vício?

Penso eu que vícios são todas aquelas atividades e hábitos sem as quais não conseguimos nos sentir bem em um determinado período de tempo. Dessa lista exclui-se as atividades básicas necessárias à sobrevivência do ser humano, como alimentação, sono, evacuação e reprodução. Precisamos comer para viver, e isso é um fato consumado. Mas não precisamos nos alimentarmos a cada 20 min e com uma quantidade exorbitante de comida. 

Alguns vícios afetam apenas a pessoa que o possui. Já outros afetam toda uma família, uma comunidade ou uma sociedade.

A necessidade de ter-se um hábito constante nada mais é do que um método de segurança que encontramos durante o dia. A busca incansável por uma pequena liberação de endorfina, ou a fuga da realidade, faz com que pausemos tudo o que estamos fazendo para dedicarmo-nos àquele momento específico.

Cada um com seu vício, cada um com seu umbigo. Agora permitam que eu vá trabalhar, pois eu tenho pelo menos sete deles para sustentar.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Otariedade

Pessoa otária, burra. Como definir? Será aquela que é ignorante por escolha ou aquela que, mesmo sabendo que suas decisões, convicções e atitudes são burras, continua agindo da mesma forma, prejudicando-se e também prejudicando aqueles que a cercam. 

Acho que posso considerar-me uma pessoa burra, meus negros lindos. Fiz-me de boba, fingi que esqueci e retornei à estaca zero. "finjo que não ligo mas não vivo sem você." Quase isso, né preto?


Agora a roda-gigante sobe e sobe... Bom, então vamos logo às confissões:

Vivo de um amor inventado, utópico. Não sei por qual motivo, mas eu criei mil excpectativas com relação a nós dois e vivo delas. Invento palavras para a tua rejeição tão velada. Tua indiferença sempre esteve ali, mas eu a pintava de cores claras para fazer de conta que eu era feliz. Tu nunca me prometeu nada, eu sei. Mas mesmo assim eu imaginava mil acasos que pudessem nos unir e deixar-nos assim, felizes para sempre.

Burrice minha, I know. Sei que tu não queres nada sério comigo, mas eu faço de conta que poderemos ter alguma coisa juntos no futuro. Cozinhando em banho-maria há cerca de um ano, sei que daquele amor que idealizei não conseguirei nenhum pedaço. 

Formei uma imagem tua que não existe, algo tão inexato que quase beira a loucura... 

Depois de palavras tão desconexas e um choque de realidade, permitam que eu volte para o mundo real.


Um bom dia, meus negros lindos.
xoxo


terça-feira, 7 de maio de 2013

need someone to numb the pain...

E andamos em círculos, meu bem...

Quando eu pensava que finalmente havia derrubado a pitangueira e usado a lenha para acender a minha lareira no inverno, eis que surge um broto no quintal vazio...


Ameaça minhas rosas cariocas, quer derrubar meu muro novo criando novas raízes...


Aiai gato preto...quando vais entender que do amor que eu te dei tu nunca mais vai ter igual?

Cause now I'm comming home...


Nada mais disso importa agora, né criança? O inverno finalmente chegou, and you leave my soul on the floor like a doll...

Como um chinelo velho...algo sem importância. Sugou tudo o que tinha de mim e depois jogou fora.  E sim, tu faz jogos psicológicos comigo. Tu sabe que eu ainda te amo...

Mais um maço... menos um mês de vida. Mais 3 meses sem te ver... e assim vamos indo... uma hora eu canso dessa roda-gigante e desço do brinquedo. Sempre enjoei fácil das coisas.


sábado, 4 de maio de 2013

one more night alone

É esse o tipo de momento em que vejo que a menininha otária não morreu. Ela ainda está bem viva, atormentando-me e fazendo com que eu me torne cada vez menos dona de mim mesma. Bipolaridade não. Prefiro dizer que é um "eu" do passado que volta só para jogar minhas insanidades na minha cara e fazer com que eu sinta vontade de voltar.

Cala a boca, garota estúpida! Te avisei mil vezes para tomares cuidado. Não te deixes iludir por esses sorrisos fáceis e abraços pouco sinceros. Carência de quem não sabe ao certo o que quer, e acaba contentando-se com qualquer lixo que te oferecem. Esmola emocional.

Mendigando carinho em um mundo de maldades. Sonhando com aquilo que jamais terá. Esperando aquele que nunca chega. Vivendo de utopias dentro de um pesadelo. Pobre garotinha....


Abre essa janela e deixa que o sol entre pela vidraça. Troca os livros da estante e as músicas da playlist. Corta esse cabelo e veste a tua roupa de viver.
Deixa de ser burra!

Chega de dramas, chega de trapaças. Hora de vestir a carapaça do rancor e entrar em jogo para vencer. Eu nunca soube perder, e não será agora que aprenderei.