"Sabe, meu bem, nunca deixa que te esqueçam. A coisa mais do mundo é uma pessoa que sempre é esquecida."
Cartas à parte, ele fez com que o esquecessem. Deixou-se de lado, ignorando a si mesmo e afundando cada vez mais no limbo da solidão. Solidão ou solitude?
Ele pensava que ainda tinha todo o tempo do mundo para reviver as sombras do passado e mastigar todos aqueles rancores.... seguir em frente para quê?
Suas lágrimas eram muito mais honestas do que aquele sorriso da menina. Era tão linda e tão cruel...Pouco sabia do seu passado, mas o pouco tempo em que esteve com ela foi feliz de verdade. Aqueles olhos castanhos tão claros que quase tinham cor de mel e aqueles cabelos que não eram nem lisos e nem cacheados, nem curtos e nem compridos, nem loiros e nem morenos...
Com a mesma velocidade que ela veio, ela também se foi. Disse que não podia ficar,que seus planos eram grandes demais para aquele pequeno coração que ele lhe oferecera. Disse também que já não podia mais amar: ele que tratasse de ser feliz, que seguisse seu rumo e que procurasse outra que quisesse aquele amor escravo que ele lhe oferecia.Ela não podia aceitar aquilo. Sua felicidade estava em outros lugares.
Foram felizes, claro que foram. Mas ela sempre enjoou fácil de seus brinquedos. Vai-te embora, segue teu rumo e deixa que eu siga o meu. Ele realmente foi embora, mudou de cidade, de nome,de aparência e de hábitos. Criou vícios, aprendeu a nadar e adquiriu gosto pela leitura. Escondeu-se de tudo e de todos, e não sabia se agora era feliz em sua vida tão anônima....
Dia desses ela apareceu em uma revista. Algum escândalo sexual envolvendo um político de altíssima estirpe lá de Brasília. Ele sequer leu a matéria: estava ocupado demais olhando para uma mancha de café em seu tapete.
Tenham um bom dia, meus negros lindos
xoxo

