quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Cafetina

Se você espera ler uma crônica sobre sexo, este texto não é para você. Se você espera ler um texto sobre minha vida sexual, esse texto não é para você. Aliás, se você procura qualquer coisa relacionada a sexo, vá dormir, moç@, ou procure outro site, pois esse texto fala sobre auto-estima.
Todas as garotas do mundo, sem exceção (sim, TODAS, sem tirar nenhuma da lista) conhecem alguma menina super linda que anda com outra 'feia'. Coloco esse adjetivo entre aspas porque a amiga feia só o é em razão da outra amiga ser bonita demais, o que acaba tornando a primeira feia apenas por comparação. Pior ainda é quando você é a amiga feia. Amiga feia, não: a amiga "inteligente". E venho através dessas tão singelas linhas narrar a minha experiência de vida como a amiga inteligente. É quase um manual, acreditem em mim.
Coisa triste é passar a sua adolescência toda agenciando os encontros da amiguinha bonita. É ela que fica com todos os encontros amorosos, com todos os sorrisos, os olhares, os elogios. E é você, a garota esperta, que leva as cartinhas, encobre os rolos da menina e morre de inveja. Cada sorriso direcionado a ela e não a você vai te matando lentamente, fazendo com que você crie raiva da pobre garota  e sinta-se menos importante do que papel de Trident. 
E tenho uma notícia terrível para dar-lhes, amigas inteligentes: esse carma perdura a vida toda. A menos, é claro, que você fique muito rica e coloque próteses de silicone, faça uma lipo na barriga e uma plástica no nariz. Caso contrário, esse fardo vai te acompanhar pelo ensino superior.
A faculdade. Ah, a faculdade! O ápice da juventude do século 21, o apogeu de sua vida social e a sua consolidação como a cafetina das amigas dá-se por completo. E agora, com o advento da internet e a massificação das redes sociais, o bagulho rola online mesmo. Tipo assim:

boy magia:
-E aí guria, beleza?
você:
-Oooooooi *---*
boy magia:
-como que tá? tudo certo?
você:
-melhor agora, rs rs rs - (aqui faço uma pausa. Garota, pare de esfregar a perseguida no teclado. O boy magia não quer nada contigo. Não te ilude!)
boy magia:
-Ah, te vi hoje de manhã na frente do cc e talz
você:
-aaaaaain, que fofo *--* é mesmo? :))))) - Pausa 2: sua imbecil, sossega o facho que já te avisei que o bagulho NÃO É CONTIGO!
boy magia:
-Sim sim, e tu tava com aquela mina, a Fulana de Tal. Mó gata ela, ein. Tu sabe me dizer se ela tem namorado ou tá pra rolo?
você, jogando todo o seu recalque  no teclado:
-Ela é uma sapatã e tem pavor de homem. Passar bem.


Eu disse. Eu bem que te avisei. E é sempre assim, mig's. Acostuma que vai doer menos. E que atire a primeira pedra o homem calhorda que nunca fez isso com a pobre garota inteligente.

Uma boa noite, meus negros lindos.
xoxo

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Azedume

Sempre desconfiei de quem acorda de bom-humor. Gente que acorda dando bom-dia para o sol, cantarolando e com um sorriso de orelha a orelha bom sujeito não pode ser. O azedume matinal me é persistente até o final do dia, na hora em que vou dormir. O meu humor ácido esguicha em jorros quilométricos nas pessoas que me cercam. 
-Bom dia, Carol! Tudo bem? :))))))
-São sete da manhã, está um frio do capeta, eu poderia estar dormindo/roubando/matando mas não! Onde estou eu? NA PORRA DA BIBLIOTECA COLANDO ETIQUETA EM LIVRO VELHO. E TU AINDA ACHA QUE EU ESTOU DE BOM HUMOR?????

no RU:

-Bom dia, crianças!
-Bom dia, velha bruaca? BOM DIA? VOCÊS ME DÃO UM MÍSERO CACETINHO RECHEADO DE MORTADELA COMO CAFÉ DA MANHÃ E AINDA TEM A PACHORRA DE ME DESEJAR UM DIA BOM?????

Na sala de aula.
-Bom dia, turma.
-BOM DIA, ENVIADO DO LEVIATÃ? TU ME DEU UMA BIBLIOGRAFIA BÁSICA COM 32 LIVROS PARA LER EM NOVE SEMANAS E AINDA ACHA QUE EU VOU TER UM BOM DIA?????

Pior do que quem acorda de mal-humor são aquelas pessoas que acordam lindas. Sabe aquela guria que levanta da cama maquiada/penteada/cheirosa/com roupa perfeita TODOS OS DIAS? Porra, só eu acordo com os cabelos parecendo um ninho de toupeira e tendo que alisar meus cabelos com a chapinha durante meia hora? (e nesse processo conseguindo queimaduras de terceiro grau nas orelhas, nos dedos, na testa.). E não se esqueçam vocês de que meu cabelo tem pouco mais de um palmo de comprimento. 
Sem contar no fato de que eu sou o tipo de mulher "casa de passagem": os caras ficam comigo, dizem que não querem relacionamento sério e depois de uma semana adivinha o que acontece? Adivinha? EXATAMENTE, AQUELE BROCHA PINTO PEQUENO DA PORRA COMEÇA A NAMORAR UMA AMIGA/VIZINHA/VETERANA/BISCATE QUALQUER!

Então, meus caros, não ousem me desejar bom dia, porque certamente ele não será nada bom.

Até a próxima
xoxo

domingo, 13 de outubro de 2013

Lágrimas que Deus não vê


Ontem, entediada por conta da chuva excessiva que acabou com todos os meus planos para o final de semana, resolvi ir ao supermercado perto da minha casa para comprar algo para comer antes que eu morresse de fome. Como havia passado o dia todo coberta de sujeira e preguiça, tomei banho e alisei os cabelos, coloquei uma roupa decente e um pouco de perfume para parecer que eu me importo com a vida.
Saí do supermercado cerca de vinte reais mais pobre e com uma sacola cheia de "porcarias": comida congelada, lasanha, refrigerante, chocolate e biscoitos. A chuva, teimosa e persistente, ainda molhava meus cabelos e sapatos e me fazia praguejar contra a vida e minha falta de sorte.  Foi nesse momento que vi uma cena que me fez dar um passo para trás e calar minha boca cheia de calúnias. 
Antes de mais nada, vale lembrar que ontem foi Dia das Crianças: uma data comercial, confesso, mas que deixa os pequenos na expectativa por ganhar algo diferente. Um presente,por mais singelo que seja, sempre vai ser um presente.
E eu ali, parada na chuva gelada, vejo um menininho descalço (com cerca de 10 anos) caminhando ao lado de um senhor idoso que empurrava uma carroça cheia de móveis.As roupas  puídas, molhadas, o corpo frágil encolhido sob poucas peças encharcadas, os pés enlameados, a

expressão de sofrimento que o velho e o menino carregavam.....

Tudo contribuiu para eu perceber o quanto meus problemas são insignificantes perante os problemas dessa gente. Deus não olha para as lágrimas desse povo?

Já dizia Plebe Rude:

"Não é nossa culpa, nascemos já com uma benção.
Mas isso não é desculpa pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração?
Até quando esperar?
E cadê a esmola que nós damos
Sem perceber que aquele abençoado
Poderia ter sido você
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração?
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração?"

terça-feira, 8 de outubro de 2013

sobre ser GG em um mundo P

Sou uma pessoa que sempre defendeu a aceitação do próprio corpo, principalmente no que diz respeito ao peso. Milito contra a ditadura da magreza imposta sabe-se lá por quem. Entretanto, ontem vivi um dos momentos mais constrangedores de minha tão singela vida.
Saí no centro da cidade de Rio Grande em busca de um short de alfaiataria, e minha procura foi malograda. Entrei em cerca de 20 lojas de confecções que se localizavam tanto no calçadão da cidade quanto nas ruas paralelas a ele, e em nenhuma delas consegui encontrar uma peça de meu tamanho. Mas vejam bem: eu não me considero uma pessoa obesa, até porque meu manequim é 46/48. Mas qual não foi a minha surpresa ao caçar algo entre as dezenas (centenas) de peças das lojas que adentrei e encontrar nas araras tamanhos que variavam do simplório 36 até o 44. 
Faço a vocês um único pedido: observem as pessoas normais que rodeiam vocês nas ruas, nos ônibus, no supermercado. Quantas delas possuem um manequim 36 e quantas possuem formas muito maiores do que isso? A maioria das mulheres não possuem uma cintura que caiba em uma calça de 60cm de circunferência.
E é nesse momento que ouço comentários do tipo "pois então trate de emagrecer!" "perca peso que as roupas servirão em você!". Quando uma pessoa calça um tamanho 40 e os sapatos são feitos apenas até o 38 vocês pedem que ela corte os dedos dos pés fora para caberem nos sapatos? Quando alguém mede cerca de 1,90m de altura vocês pedem para ela tirar as vértebras da coluna e cortar uma parte de suas pernas para entrarem em calças curtas? Não é questão de peso: é questão de aceitação das diferenças. A indústria da moda deve aceitar que os corpos da população em geral não são iguais aos das modelos esqueléticas que desfilam nas "fashion week" por aí. As pessoas possuem curvas, em especial a mulher brasileira. Somos geneticamente assim e não devemos deixar que o sistema nos convença a mudarmos. Já não basta a cobrança por cabelos claros, olhos azuis, pele alva e madeixas de um liso quase oriental? 
Essa padronização estúpida do corpo feminino leva dezenas de milhares de mulheres à loucura todos os anos: seios arredondados à base de muito silicone, cintura fina cirurgicamente modificada, cabelos com formol e lábios com botox.... e um somatório total de muitas mortes em uma mesa de cirurgia apenas para ter o corpo que todos querem que você tenha.
Voltando às roupas: existem sim lojas especializadas em tamanhos maiores, mas curiosamente o preço dessas lojas é o triplo de uma loja comum. Adentrei uma delas e vi um short (que tinha pouco mais de um metro quadrado de tecido) por salgados R$130,00. O curioso é que um short da mesma marca, porém com um tamanho menor estava na vitrine de uma loja por menos da metade do preço: R$59,90.
Acho (apenas acho) que está na hora de acordarmos dessa hipnose que nos foi induzida pela mídia e percebermos o quanto estamos sendo maltratados por quem nos impôs isso. E não é uma questão de saúde: é uma questão de respeito.

Um bom dia, meus negros lindos
xoxo

domingo, 6 de outubro de 2013

algum dia


Minha criatividade está diretamente relacionada com meu estado de espírito. Dificilmente consigo escrever quando as coisas estão bem: as palavras não fluem como eu gostaria, as orações parecem desconexas e as histórias não fazem sentido algum para mim. Recentemente passei por um período de torpor espiritual, pois as coisas estavam em seus devidos lugares e tudo o que eu gostaria estava acontecendo. Amor, casa, trabalho, amigos e lá seguia eu , feliz sem atualizar meu bebê por semanas. 
Mas como nem tudo são flores, a primeira pedra de meu castelinho de lego desmoronou recentemente. Acontece, acontece. Sei que minha sorte para o amor é inversamente proporcional ao meu peso e que meus romances duram quase nada. É demais eu querer apenas um amor para chamar de meu? Não me culpo em momento algum por esse fim repentino, pois dessa vez o problema realmente não era comigo. Fiz tudo da maneira mais correta possível (se é que há uma maneira correta de se fazer as coisas). Novamente as flores do caminho estão desabrochando, e as cores que elas doam aos olhos dos viajantes suficientemente sensíveis para percebê-las trazem consigo a esperança de que dias melhores estão por vir. O verão chega, insinuando-se por entre as nuvens carregadas de frio e me mostram que, mais uma vez, sobrevivi ao inverno. 
Mais um ciclo se encerra e entro agora em um momento mais maduro de meu eu, com novos objetivos e a sensação de que estou dependendo cada vez menos do outro para ser efetivamente feliz. Eu ainda espero por ele, confesso. Mas não será para sempre. Apenas dei um tempo para que ele possa fazer boas escolhas e ver o que realmente é importante na vida da gente. Pela primeira vez na minha vida pude perceber o quanto que o dinheiro não tem valor algum se não podemos compartilha-lo com alguém. De que adianta você ter os seus oito mil no banco, meu bem, se não pode gastá-los com ninguém? Tu fez questão de afastar teus amigos, tua vida, eu, apenas em prol do trabalho. E posso te afirmar que os meus R$500,00 da minha bolsa valem muito mais do que teus R$8 mil. Sabe porquê? Porque eu os conquistei fazendo aquilo que amo, e porque cada centavo será gasto com as pessoas que amo e com coisas que eu almejo há tempos. 
A vida é aquilo que acontece enquanto tu junta a tua fortuna, sem pensar no sol que está lá fora. Bem sabes que nossos melhores momentos foram em casa, apenas com a companhia um do outro e a sensação de que não havia mundo algum fora do meu quarto.
Olhai os lírios do campo, meu bem. 

Um bom dia, meus negros lindos
xoxo

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Meu precioso


Somos frutos de uma sociedade que educa suas meninas a guardarem o seu bem mais precioso por toda a vida, a fim de "presentear" um escolhido (que deve ser alguém para a vida toda). Como diria a poetiza brasileira Valesca Poposuda: por ela o homem  chora, gasta, mata, enlouquece. Falo da dita da "perseguida", o tesouro que cada mulher carrega dentro de si. Mas uma coisa que me deixa muito da intrigada (e chateada também) é a supervalorização do corpo feminino. "Guardar o seu melhor". Que frase mais idiota!
Tentarei explicar a você, caro leitor que me acompanha desde os primórdios desse blog (e sabe que eu sou uma pessoa que não costuma defender causas vãs), o porquê de eu achar que o corpo feminino traz consigo mais valor do que ele realmente tem, em especial a virgindade.
Penso eu que o melhor que podemos dar a alguém que se ama não é o corpo, o sexo, a virgindade, a "perereca". Qualquer homem com menos de cinquenta reais consegue comprar o corpo de uma mulher em qualquer esquina da vida. E ainda digo mais: se sexo segurasse homem não haveria nenhuma prostituta solteira.  Acho que o bem mais precioso que podemos dar para alguém que amamos é o nosso sentimento. Ninguém compra amor de verdade, por mais rico que seja. E (clichês à parte) não só o amor, como o carinho, a ternura, o cuidado com o outro e a preocupação verdadeira com o ser amado. O máximo que se pode comprar é uma falsa paixão, o interesse alheio (no dinheiro, e não da pessoa).
Enfim, a partir de hoje guardarei o meu melhor para quem realmente o mereça. De que adianta jogar meus sentimentos na mesa todas as vezes, e em todas as vezes eles serem (educadamente) rejeitados ou usados e depois colocados no lixo? De que adianta doar-se por inteiro para alguém que sequer tem conhecimento de seus sentimentos? Trocar a ingenuidade pueril por uma malícia de adulto que sabe o que faz tem sido o trabalho mais difícil de minha vida, algo quase impossível de ser feito. 
Mas o resto dessa história  é só mais do mesmo.

Um bom dia, meus negros lindos
xoxo