quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Corpos Perfeitos



Tema recorrente nessas mal traçadas linhas meu amor é a ditadura da beleza, eu sei. Sei também que a auto-aceitação demora, e blablabla. Mas hoje pretendo ir um pouco mais fundo no assunto, e entender as causas da cobrança excessiva por um corpo perfeito. 
Acho que essa obsessão pela magreza veio junto com a internet. Acho. Tá certo que anterior a isso já se tinham alguns padrões meio loucos, mas nada comparado a hoje. E  eu acho que a principal culpa disso é a liberação da pornografia online. Mas antes de me crucificarem, deixem que eu me explique:
Com o acesso cada vez mais fácil à pornografia digital, as pessoas começaram a olhar mais para os corpos humanos desnudos. Com isso, aquele padrão de mulher sem defeito nenhum (com seios fartos e firmes, cintura mega fina, bumbum enorme e duro e coxas saradas) tornou-se cada vez mais normal aos nossos garotos. Acostumados a olharem esse tipo de mulher, eles saem na rua em busca de uma que tenha o corpo exatamente igual ao do xistube. Mas o que nossas crianças não sabem é que corpos assim são muito raros, e geralmente possuem toda uma história de dor, cirurgias plásticas e muita academia e dinheiro por trás. E os nossos meninos também estão obcecados com seus próprios corpos, pois acham que seus músculos tem de ser tão definidos quanto os dos atletas sexuais dos filmes, que seu tico tem de ser tão grande quanto e que dar 5 na sequencia é normal....meus amores, A VIDA REAL NÃO É ISSO! As pessoas nascem com pelos, gordurinhas, bunda com celulite e pinto de tamanho normal. Tudo o que está fora disso é exagero, raridade ou foi comprado, acreditem. E sim, nós somos lindas! Não fiquem no CC comparando as garotas que passam na sua frente com a Playboy da Andressa Urach, porque nem ela é de verdade. E vocês, guriazinhas gordinhas demais ou magrinhas demais ou com tudo no lugar mas que ainda assim acham que não tá bom: não se torturem. A vida real é muito mais bonita do que a vida das revistas.

#NMR

Agora  a nova moda do verão, digo, a nova mania que agita as redes sociais e as mentes dos pseudointelectuais é segurar cartazes com os dizeres " FULANO DE TAL (coloca-se aqui o nome da entidade, pessoa, time de futebol ou qualquer outra coisa que você queira) NÃO ME REPRESENTA!"
Como não posso generalizar (até mesmo porque toda e qualquer generalização é burra), vou contar para vocês o que acontece no pacato mundo da Biblioteconomia, que de pacato possui apenas o nome e o estigma do curso:
O curso de bacharelado em biblioteconomia existe na Universidade Federal do Rio Grande desde os longínquos anos setenta. Época das calças pantalonas, do Jackson Five  e da discoteca. E eis que desde essa época os alunos tem servido de mão de obra escrava, digo, barata para a universidade. Somos um curso extremamente focado, com cadeiras das mais diversas áreas (dentre elas História da Arte, Sociologia, Estatística Descritiva, Análise de Software e por aí vai), com uma carga horária relativamente tranquila e uma grade fechada nos quatro anos de curso. Ficamos em apenas um prédio, geralmente tendo aula na mesma sala durante todo o semestre. Isso acarreta a falta de troca com alunos de outros cursos, e consequentemente, com a falta de divulgação do curso. E é essa falta de divulgação que faz com que muitos alunos da biblio tenham a "síndrome do coitadinho" : passam o curso inteiro se lamentando da falta de visibilidade do curso, que ninguém aqui olha pra eles, que a universidade não reconhece o valor do profissional bibliotecário, e por aí vai. Mas eis que temos um Centro Acadêmico, que até um tempo atrás servia exclusivamente para promover eventos para os alunos da biblio. Acontece, meus negros lindos, que C.A. não serve apenas para isso. Não vou entrar em detalhes sobre a importância de uma entidade de base e todo o seu peso dentro do movimento estudantil, até mesmo porque isso demandaria muito tempo. Basta dizer que no ano de 2013, nos quais eu, o Eliezer, a Jaque, a Thainã e a Pâmela estivemos dirigindo o CAUBI (apelido carinhoso do C.A), participamos ativamente do Conselho de D. A's e C.A's. Ocupamos a cadeira que definitivamente pertencia à Biblioteconomia e fizemos a voz da biblio ser ouvida e respeitada. Mas ainda assim tem gente de mimimi pelos corredores do pavilhão 4 dizendo que o CAUBI não os representa e o caralho a quatro. E essas mesmas pessoas não querem participar do movimento estudantil de forma alguma, alegando falta de tempo e que tem mais o que fazer. Daí eu te pergunto, Batista: como lidar com essa gente? Não se sentem representados, mas não querem trabalhar para os outros; dizem que a biblioteconomia nunca tem voz nem vez, mas criticam quem trabalha por eles. 
E isso acontece nas mais variadas esferas da nossa tão perturbada sociedade: o comodismo dos meios eletrônicos faz com que todos virem críticos de tudo, mas ninguém quer levantar a bundinha da cadeira e fazer diferente. Todo mundo quer ter sua voz sendo ouvida por todos, porém não querem ouvir a voz de ninguém. Ninguém quer ninguém os representando, mas também não querem trabalhar para si mesmos.

Enfim, acho que esse texto foi mais um desabafo do que qualquer outro  tipo de coisa. E como hoje eu não tô boa, guardem suas opiniões e seus palpites e seus recalques em seus orifícios anais. 

Beijos de luz no coração de todos 
xoxo

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Dia de feira!



Há tempos que estou para escrever sobre esse assunto, mas sempre me faltava tempo e/ou vontade. Enfim, lá vamos nós:
Há uma corrente cada vez maior que motiva as meninas a atingirem um ideal de magreza que é que impossível de se conseguir. Por esses dias li em um blog avulso da vida sobre um movimento do Instagram estadunidense que motiva as garotas a possuírem um grande espaço entre suas coxas (oi?). Acontece que perder a gordura das coxas é algo complicado, e que depende também de predisposição genética e etc etc etc. Mãaaas, aqui no nosso Brasil varonil eis que temos um movimento totalmente contrário a isso, e confesso que tenho que agradecer horrores às precursoras desse esterótipo de beleza. Voltemos aos anos 2008/2009 e olhemos para as musas desses anos frutíferos: mulheres-fruta! Desde ao singelo moranguinho até a avantajada melancia, passando pela jaca, jabuticaba e banana (#medo), tinha fruta para todo gosto. E foram essas mulheres que vieram com suas grandes curvas (à base de silicone, suplemento e anabolizante para cavalos, claro) e meteram o grelo na mesa, falando que elas são lindas sim! E que mulher magra demais não tem graça nenhuma! E que gorda é o caralho eu sou é gostosa sua evejosa!

Aí  entramos na velha conversa de aceitar as diferenças mimimi que cada um é como é e mimimi mãaaas gente, a grande maioria das mulheres brasileiras não veste manequim 36/38! E nem as mulheres americanas, pelo que se vê na televisión. Então por que cargas d'água essas lojas grandes como Marisa, Renner e cia ltda insiste em nos empurrar goela abaixo etiquetas que variam do 34 ao 42?  

Quero agradecer de coração à Mulher Melancia por seu poposão de 120 cm (maior do que o meu), à Mulher Samambaia por seus 1m de tetas  sem absolutamente nada de silicone (pouca coisa menor que o meu) e à mulher Moranguinho por seus mais de 70kg. Foram elas que me mostraram o quanto que a TV engana e o quanto eu não estou tão longe assim de ser considerada uma mulher normal. Afinal, todas somos normais, não?


Uma boa tarde, meus negros lindos
xoxo

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Just remember...



Você consegue se lembrar de tudo o que aconteceu?  Não falo apenas de imagens dispersas, ofuscadas pela luz remanescente das velas que (outrora) incendiaram nossa vida. Não falo dos vagos momentos rebuscados sob o girar incessante do ventilador, que soprava um vento morno porém constante. Falo da verdade.
Se lhe serve de consolo, ainda estou sozinha. Sim, completamente sozinha. Este tempo que passou foi o suficiente para deixar meus sentimentos confusos apaziguarem-se e fazer com que toda a tormenta de ideias quebradas se acalmassem. Mesmo tanto tempo depois, ainda continuo sozinha. Não por opção, confesso. Ainda sinto uma ponta de dor a cada saída para encarar a realidade. Cada par de mãos dadas aumenta a minha incerteza quanto ao meu futuro. Cada beijo furtivo de amor é como uma pequena agulhada, que serve apenas para mostrar a mim mesma que ainda estou viva e que há tempos que espero. 
Não sei por quanto tempo mais vou conseguir suportar esse aperto gradual em meu peito. O nó da corda no pescoço tem ficado cada vez menos frouxo e mais propenso a me levar (definitivamente) para um lugar que talvez seja melhor. Quando não se tem mais nada não há mais nada a perder, certo? Tampouco deixarei saudades. Salvo uma que outra dívida não paga, pouco importa os que aqui ficarão.
Sei que fui relapsa com relação a nós. Sempre o fui, e não apenas com isso. Mas, em meus poucos momentos de lucidez, tenha em mente de que tentei. Tentei por mim. Tentei por você. Tentei por todos os sonhos que tive e que foram-se (em vão). Tentei por nosso futuro, o qual fora planejado nos mais minuciosos detalhes. Enfim....tentei por nós.
Prevejo apenas um futuro obscuro, com poucas certezas e muitas desilusões. E espero apenas que você seja tão feliz quanto o que eu tentei que fosse. Sei que parece clichê, mas só desejo a tua felicidade plena e constante. Quanto à minha, não guardo muitas expectativas, apenas rancores de desamores há muito esquecidos. 
Muito embora sozinha, mantenho-me firme em minha última promessa feita; quando não há mais nada a ser dito, basta escutar o silêncio para saber quais são as respostas corretas. E o resto é o resto.