Mais um dia amargo. Mais um dia que não terminou bem. Cansou de dizer que esse lugar deixa as pessoas piores. A cada ano que passava tornava-se mais amarga, mais triste, mais fechada em seu próprio mundo.
Parecia totalmente dona de si mesma, mas bastava entrar em meio à multidão para que qualquer observação mais atenta percebesse os olhos furtivos, esquivos, que procuravam (em vão) um rosto conhecido, um rosto amigo, um rosto qualquer.
E da vida qualquer ela bem entendia. O cigarro, vício maldito e companheiro inseparável, era a âncora que a prendia ao mundo real. But this is a real life?
E quando nem os rostos que pareciam amigáveis realmente o eram? E nem as pessoas que pareciam sinceras o eram. E nem os corações (que se diziam partidos) realmente estavam à procura de uma cura qualquer.
Placebo, era disso que vivia. Gastava seus dias em busca de um alguém em quem jogar a culpa.
Doce. Olhos doces. Olhos assustados.
Onde anda o ser doce que ela conhecia?
Enquanto o lado doce não volta, os olhos amargos e agora feridos continuam à espreita, em alguma viela qualquer da vida. Mais uma amizade perdida, mais um litro de vodka, mais uma carteira de marlboro, mais uma noite insone e regada de lágrimas. Mais uma alma sã que foi embora para não mais voltar.
E assim, se deixando levar pela onda de leviandade que emanava daquele lugar, foi parar na beira da praia. Mais uma vez ela aprendeu a levantar e a jogar a culpa em alguém. E mais um coração doce se perdeu...
Pílulas desnecessárias de críticas bem-humoradas, histórias verdadeiras (ou não) e constatações sobre a vida de uma acadêmica da FURG.
sábado, 25 de janeiro de 2014
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Bullying, recreio e sabonete anti-bacteriano
Hoje em dia a palavra "bullying" já faz parte do cotidiano de todo mundo. De forma muito abrupta, ela entrou no vocabulário escolar, jornalístico, universitário e pseudo-pedagógico para ilustrar o ato de agressão contra alguém. Na minha infância, quando alguém me chamava de gorda, não era "bullying", era apelido. E quando eu chamava alguém de burro, nanico, magricela ou viado também o era. Na minha infãncia, quando as crianças cantavam "gorda, baleia, saco de areia, caiu na piscina de bunda pra cima" não era bullying, era brincadeira. E quando eu cagava as gurias a pau no banheiro da escola também era brincadeira. As coisas se resolviam, em sua maioria, por conta própria, sem intervenção de pais e professores. Foi dolorido? Claro que foi! Mas eu aprendi a não apanhar calada e a me defender.
Na minha infância, quando eu ia brincar na mesma areia que os cachorros na vila faziam xixi e pegava uma virose, em uma semana de soro fisiológico tava tudo resolvido. Eu nunca tinha tomado banho com protex até os meus 20 anos, porque não precisava (e nem queria). Coisa legal era pegar bicho geográfico na mão: as trilhas que ele ia fazendo pela minha palma ficavam ali por dias, até a mãe se ligar do porquê eu estar escondendo a mão dela e me obrigar a passar uma pomada qualquer. Férias na casa da vó? Sinônimo de bicho de pé. Em março havia mil buracos na sola dos meus pés. Alguns eu mesma tirava (achava aquilo demais); os outros, mais profundos, que a mãe tirava com uma agulha (gigantesca) traziam consigo um fiasco de alertar a vizinhança inteira. "parece que tão espancando essa guria!". "que nada! Guria fiasquenta! Só tô tirando um bicho de pé! Já falei que se ela não deixar eu levo no hospital, aí sim vai doer!". Pior do que bicho de pé era farpa de madeira debaixo da unha. Elas ganhavam um apelido carinhoso de "felpa", as quais a mãe tirava com o maior cuidado enquanto eu comia uma fatia de pão caseiro recém feito.
Meus joelhos hoje comprovam a quantidade absurda de tombos que caí. Minhas pernas nunca foram de "mocinha": sempre em carne-viva, com arranhões no joelho e picadas de insetos. E eu estava cagando para as cicatrizes. Aliás, as cicatrizes de catapora (que eu peguei na quinta série) ainda marcam meu rosto e meu corpo. E que coisa bem boa que era coçar as feridas!
Vou nem falar dos piolhos. Sempre tive a sorte de ter "sangue doce" e ser a criança mais piolhenta da escola. "Que raiva! Depois vão achar que eu não dou banho nesse inço, porque tá toda vida minada de piolho. Senta aqui guria, que vou passar o pente-fino pra tirar esse carnaval da tua cabeça!"
Lembro de uma vez, que ganhei um patinete e me quebrei dez minutos depois. Desci a lomba da rua de cima a todo pau, e como não sabia frear acabei aterrizando três metros longe do patinete, em cima de um monte de brita. Nunca mais andei naquela merda. Mentira. No dia seguinte já estava apostando corrida na mesma lomba maldita.
Outra vez, coloquei uma roupa branquinha (ia sair com meus pais), peguei minha bici e me larguei pro mercado (morro abaixo), pra comprar sabe-se Deus o quê. Acabei dentro de um buraco de barro (aberto pela Corsan no meio da rua), lavada de barro e merda dos pés à cabeça. Pior foi tentar desatolar a bici, que também tava toda cagada. A calça nunca mais ficou branca.
Quando a gente brigava na escola, era só se cagar a pau na hora da saída que tava tudo resolvido. E quando a guria era muito maior do que eu, meu pai me buscava, dando risada da minha cara e me chamando de cagona. Porque se eu apanhasse na rua, em casa eu apanharia de novo pra deixar de ser besta.
E hoje eu tô aqui. Bem gordinha. Bem criada. Sei me defender do mundo e não tenho medo de apanhar da sociedade (coisa que acontece todo dia). Já dizia MD2: um dia a gente perde, e no outro a gente apanha.
E eu nunca vou dar banho nos meus filhos com protex.
Na minha infância, quando eu ia brincar na mesma areia que os cachorros na vila faziam xixi e pegava uma virose, em uma semana de soro fisiológico tava tudo resolvido. Eu nunca tinha tomado banho com protex até os meus 20 anos, porque não precisava (e nem queria). Coisa legal era pegar bicho geográfico na mão: as trilhas que ele ia fazendo pela minha palma ficavam ali por dias, até a mãe se ligar do porquê eu estar escondendo a mão dela e me obrigar a passar uma pomada qualquer. Férias na casa da vó? Sinônimo de bicho de pé. Em março havia mil buracos na sola dos meus pés. Alguns eu mesma tirava (achava aquilo demais); os outros, mais profundos, que a mãe tirava com uma agulha (gigantesca) traziam consigo um fiasco de alertar a vizinhança inteira. "parece que tão espancando essa guria!". "que nada! Guria fiasquenta! Só tô tirando um bicho de pé! Já falei que se ela não deixar eu levo no hospital, aí sim vai doer!". Pior do que bicho de pé era farpa de madeira debaixo da unha. Elas ganhavam um apelido carinhoso de "felpa", as quais a mãe tirava com o maior cuidado enquanto eu comia uma fatia de pão caseiro recém feito.
Meus joelhos hoje comprovam a quantidade absurda de tombos que caí. Minhas pernas nunca foram de "mocinha": sempre em carne-viva, com arranhões no joelho e picadas de insetos. E eu estava cagando para as cicatrizes. Aliás, as cicatrizes de catapora (que eu peguei na quinta série) ainda marcam meu rosto e meu corpo. E que coisa bem boa que era coçar as feridas!
Vou nem falar dos piolhos. Sempre tive a sorte de ter "sangue doce" e ser a criança mais piolhenta da escola. "Que raiva! Depois vão achar que eu não dou banho nesse inço, porque tá toda vida minada de piolho. Senta aqui guria, que vou passar o pente-fino pra tirar esse carnaval da tua cabeça!"
Lembro de uma vez, que ganhei um patinete e me quebrei dez minutos depois. Desci a lomba da rua de cima a todo pau, e como não sabia frear acabei aterrizando três metros longe do patinete, em cima de um monte de brita. Nunca mais andei naquela merda. Mentira. No dia seguinte já estava apostando corrida na mesma lomba maldita.
Outra vez, coloquei uma roupa branquinha (ia sair com meus pais), peguei minha bici e me larguei pro mercado (morro abaixo), pra comprar sabe-se Deus o quê. Acabei dentro de um buraco de barro (aberto pela Corsan no meio da rua), lavada de barro e merda dos pés à cabeça. Pior foi tentar desatolar a bici, que também tava toda cagada. A calça nunca mais ficou branca.
Quando a gente brigava na escola, era só se cagar a pau na hora da saída que tava tudo resolvido. E quando a guria era muito maior do que eu, meu pai me buscava, dando risada da minha cara e me chamando de cagona. Porque se eu apanhasse na rua, em casa eu apanharia de novo pra deixar de ser besta.
E hoje eu tô aqui. Bem gordinha. Bem criada. Sei me defender do mundo e não tenho medo de apanhar da sociedade (coisa que acontece todo dia). Já dizia MD2: um dia a gente perde, e no outro a gente apanha.
E eu nunca vou dar banho nos meus filhos com protex.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Devolução Eletrônica
Uma carta...
Uma solicitação...
Um coração pulsante...
Um novo sentimento...
Uma emoção...
Uma carência que toma conta...
Hoje foi mais um dia quente e abafado, tudo que eu queria era chegar em casa, ligar todos os ventiladores e me deitar em minha cama, queria.
Amor e caos
Entre espalhar amor e espalhar o caos, fico com o amor por uma questão prática. Amor gera caos, mas a recíproca não é verdadeira. Como sempre fui acomodada, escolho essa opção por ser a mais simples.
O amor surge como um tsunami, que primeiro deixa tudo mais tranquilo, mas ereto, mas liso, para sugar todas as tuas barreiras e te inundar por completo. Te traz uma tormenta por segundo, do mais simples cheiro à mais arrebatadora lembrança.
Logo eu, que sempre fui tão ereta e tão senhora de mim mesma. Logo eu, que sempre tinha uma resposta pronta na ponta da língua. Logo eu, que não gaguejava em frente às grandes multidões, mesmo que estivesse contando a mais escabrosa mentira. Logo eu, que nunca suei frio e nunca tive medo de matar um (dois, três) leões todos os dias, me vi acuada como uma menina assustada.
Logo eu, que jamais sonhei em escolher palavras antes de as proferi-las (o que me trouxe a fama de ser extremamente grossa), me vi sem saber o que dizer.
Logo eu, que discursava aos quatro ventos, achei mais simples escrever do que falar.
Como alguém tão simples pode deixar alguém tão acuada?
Me vi perdida, sem saber o que fazer.
Logo eu, acostumada com a frivolidade, a imparcialidade, a falta de amor e a superficialidade, me vi presa a algo lento, demorado, teimoso e sem sentido. Muito mais fácil é vestir a roupa e ir embora sem me despedir do que dar-te um oi todos os dias. Mais confuso ainda é quando tento me fazer entender. As palavras voam para longe, e as frases ríspidas (que outrora me davam cobertura), esvaecem para longe, me deixando completamente nua perante ti.
Não interprete como loucura, por favor. Interprete apenas como um breve torpor que o caos iminente nos dá.
O amor surge como um tsunami, que primeiro deixa tudo mais tranquilo, mas ereto, mas liso, para sugar todas as tuas barreiras e te inundar por completo. Te traz uma tormenta por segundo, do mais simples cheiro à mais arrebatadora lembrança.
Logo eu, que sempre fui tão ereta e tão senhora de mim mesma. Logo eu, que sempre tinha uma resposta pronta na ponta da língua. Logo eu, que não gaguejava em frente às grandes multidões, mesmo que estivesse contando a mais escabrosa mentira. Logo eu, que nunca suei frio e nunca tive medo de matar um (dois, três) leões todos os dias, me vi acuada como uma menina assustada.
Logo eu, que jamais sonhei em escolher palavras antes de as proferi-las (o que me trouxe a fama de ser extremamente grossa), me vi sem saber o que dizer.
Logo eu, que discursava aos quatro ventos, achei mais simples escrever do que falar.
Como alguém tão simples pode deixar alguém tão acuada?
Me vi perdida, sem saber o que fazer.
Logo eu, acostumada com a frivolidade, a imparcialidade, a falta de amor e a superficialidade, me vi presa a algo lento, demorado, teimoso e sem sentido. Muito mais fácil é vestir a roupa e ir embora sem me despedir do que dar-te um oi todos os dias. Mais confuso ainda é quando tento me fazer entender. As palavras voam para longe, e as frases ríspidas (que outrora me davam cobertura), esvaecem para longe, me deixando completamente nua perante ti.
Não interprete como loucura, por favor. Interprete apenas como um breve torpor que o caos iminente nos dá.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Café amargo, café doce, café.
Sempre odiei café com açúcar. Meu café favorito sempre foi preto, sem um pingo de açúcar ou leite. Não me pergunte o porquê disso, que não sei responder. Talvez porque gosto de sentir o sabor verdadeiro do café, a pureza (ou não) do sabor em contato com o palato. Basta o cheiro de café com leite para que eu fique enjoada, sentindo meu estômago reverberando só de pensar em beber aquilo. Sequer a cor me agrada: é uma cor sem definição, uma cor insegura, uma cor sem cor.
Já o açúcar no café me faz sentir basicamente as mesmas coisas, com a diferença de que não basta olhar para o café para saber se há açúcar ali ou não. É preciso arriscar e provar. E o susto do gosto doce no meu café me decepciona. Me faz sentir boba, enganada, trapaceada. Café com adoçante é ainda pior: considero o adoçante uma mentira das mais feias. A princípio, o gosto doce te confunde e te faz pensar que é açúcar, mas aquele rastro amargo que ele deixa no fundo da língua te sussurra ao pé do ouvido : você está sendo enganado. Você está se enganando.
Mas, por uma ironia do destino, eis que surge na minha vida uma pessoa que me dá um mocaccino. Eu odeio mocaccino. Essa mistura sem nexo de sabores, essa indefinição de textura, de gosto. Eca. Mas, para não fazer desfeita, bebi o raio do pseudo-café. E gostei. E gostei muito.
Talvez não seja pelo gosto do café, mas sim pelo significado. Um café dado por alguém faz sentido, mesmo que seu sabor não faça. Agora, ao beber esse café (coisa que já fiz diversas vezes), o que me vem à cabeça não é a mistura igual de café, leite e chocolate-quente. É o rosto da pessoa. É o cheiro dela. É aquele sorriso tímido e as roupas bregas que lhe assentam tão bem. O que me faz sentir desejo de sorver aquele líquido meio marrom, meio branco é mais a vontade de lembrar aquele dia do que seu gosto em si. Um café que deixou de ser café e tornou-se uma lembrança, um desejo, uma vontade. Um café real. E com açúcar ele fica ainda melhor. Mesmo que o amor não venha, mesmo que as investidas sejam falhas e mesmo que não passe de um simples "trouxe um café pra ti", agora há um significado real para ele. Há uma memória em forma de café.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Sobre pílulas desnecessárias de críticas bem-humoradas, histórias verdadeiras (ou não) e constatações sobre a vida
Ai ai, vai ser um prazer meter
o pau falar desse blog, ou melhor, da autora dele...
“Um dia me disseram quem era os
donos da situação, sem querer eles me deram as chaves que abrem essa prisão, e
tudo ficou tão claro, o que era raro ficou comum”, cacete, quem cita
Engenheiros do Havaii num texto? Pelo menos esse não é acadêmico, ai, pera, já
vi citarem Latino num acadêmico. Enfim, vim falar desse blog. Não, vim falar da
pessoa que me faz ingerir essas pílulas completamente desnecessárias...
Te respiro
A
s luzes da Barra só contribuíram para a tua volta, meu bem. Se é que algum dia tu realmente fostes, porque até hoje te sinto em cada célula de meu corpo. De teus olhares vagos ao teu sorriso fácil, da tua cara de menino, da tua voz imponente, que imperiosa rugia pela casa velha, de tuas noites insones até ao simples "escuta essa música aqui". Sei que, na verdade, elas não queriam dizer nada. Bom, na verdade queriam sim. Queriam dizer que tu gostava da música e queria dividir o prazer de escutar algo bom comigo.
Até o mais simples "que livro é esse?" me causava arrepios. Arrepios não; torpor. Eu te respirava. Eu te sentia na minha casa. Eu via a tua figura (gigante) adentrando a minha porta. Até quando tu dormia virado para o outro lado eu sentia o teu riso de deboche quando tu dizia "não faz beiço". Cada briga, cada promessa vazia, cada passo dado em falso me afastavam mais e mais de ti. Já nem sei mais em qual esquina da vida foi que te perdi.
"E a torre balança...balança..."
Sabe que música que eu estava ouvindo hoje? Habits. Essa mesma que eu te mandei e tu só me respondeu com um "legalzinha...". Tens noção do quanto que isso doeu? Mais fundo do que tu pensa.
Mesmo assim ainda te sinto, ainda te respiro, ainda te quero. Sim, te quero. Como eu sempre disse que te queria. Mas dessa vez com mais certeza, mais convicção. Mais verdade.
Só não sei se realmente estou pronta para te ter de volta. Será que realmente preciso de toda aquela montanha-russa de sentimentos me atropelam cada vez que te vejo?
E a pitangueira, como está? E o gato? E o cachorro, sujo e fedorento? E o teu coração, ainda vazio?
E lá se vai mais um mês sem te ver....
"isso aí, negrinha. Bate o pé. Não te dobra às minhas chantagens e mostra a quê tu veio."
s luzes da Barra só contribuíram para a tua volta, meu bem. Se é que algum dia tu realmente fostes, porque até hoje te sinto em cada célula de meu corpo. De teus olhares vagos ao teu sorriso fácil, da tua cara de menino, da tua voz imponente, que imperiosa rugia pela casa velha, de tuas noites insones até ao simples "escuta essa música aqui". Sei que, na verdade, elas não queriam dizer nada. Bom, na verdade queriam sim. Queriam dizer que tu gostava da música e queria dividir o prazer de escutar algo bom comigo.
Até o mais simples "que livro é esse?" me causava arrepios. Arrepios não; torpor. Eu te respirava. Eu te sentia na minha casa. Eu via a tua figura (gigante) adentrando a minha porta. Até quando tu dormia virado para o outro lado eu sentia o teu riso de deboche quando tu dizia "não faz beiço". Cada briga, cada promessa vazia, cada passo dado em falso me afastavam mais e mais de ti. Já nem sei mais em qual esquina da vida foi que te perdi.
"E a torre balança...balança..."
Sabe que música que eu estava ouvindo hoje? Habits. Essa mesma que eu te mandei e tu só me respondeu com um "legalzinha...". Tens noção do quanto que isso doeu? Mais fundo do que tu pensa.
Mesmo assim ainda te sinto, ainda te respiro, ainda te quero. Sim, te quero. Como eu sempre disse que te queria. Mas dessa vez com mais certeza, mais convicção. Mais verdade.
Só não sei se realmente estou pronta para te ter de volta. Será que realmente preciso de toda aquela montanha-russa de sentimentos me atropelam cada vez que te vejo?
E a pitangueira, como está? E o gato? E o cachorro, sujo e fedorento? E o teu coração, ainda vazio?
E lá se vai mais um mês sem te ver....
"isso aí, negrinha. Bate o pé. Não te dobra às minhas chantagens e mostra a quê tu veio."
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
O lobo mascarado
Coisa mais comum é abrir no facebook e ali, na sua timeline, dezenas de postagens do tipo "ai as pessoas são mentirosas nunca mais vou confiar em ninguém", ou então "odeio gente falsa que decepissão", ou "aquele que sorri pra ti vai te ferir quem tbm acha curti". Essas e mais tantas outras milhares de frases, repletas de lugares-comuns e sempre jogando a culpa da decepção no outro.
O que menos vejo é gente tomando essa culpa para si. Será que a culpa era da pessoa, por ser falsa, cretina, hipócrita, ou era sua, por ser tolo o suficiente para se deixar enganar? E por mais que a pessoa seja ardilosa, eu ainda acredito que a culpa é minha, sim! Ninguém manda confiar demais. E geralmente quem cai numa furada dessas uma vez acaba caindo outra. Não tem erro. É inerente ao ser humano esconder suas informações, segredos, estratégias. É uma questão de sobrevivência, poxa. Mas também é inerente ao ser humano essa ingenuidade tão prejudicial. Imagina só se todas as pessoas fossem verdadeiras o tempo todo... seria muito fácil aproveitar-se delas. E seria mais fácil ainda derrubá-las.
Prefiro assumir a culpa pelo engano do que derrubar sobre outra pessoa. Porque eu sim, fui ingênua e tola. Mas a pessoa que se passou por outra sem sempre teve essa intenção.
Ao invés de sair dizendo para as pessoas não serem falsas, duas-caras, para serem totalmente transparentes o tempo todo, prefiro educar meus filhos para serem mais atentos, mais espertos, para confiarem menos e questionarem mais. Para deixar de lado essa educação bovina que temos, de que todos devem se comportar de uma determinada forma e aceitarem as consequências. Desde pequenos todos foram instruídos a terem cuidado com os baobás, mas ninguém se deu conta disso.
E a questão da culpabilidade vai muito além disso. É o confiar cegamente. É o deixar-se mover junto com a multidão. É nunca questionar, nunca indagar, e sempre estar de braços abertos para tudo que te oferecem.
Olhos atentos, pequenos, olhos atentos. Porque o lobo mascarado de cordeiro é mais comum do que vocês imaginam, porém sua máscara (tosca e pobre), é facilmente reconhecível a olho nu.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Another year it will (later)
E acabou 2013. Só felicidade e
alegrias! Vamos nos manter na primeira frase: Dois mil e treze A-C-A-B-O-U! Treze é o número de Deus. Sério
mesmo que eu já li isso em algum site por aí? Vai à merda Rita Barreto, tu não viveu
o meu ano 13! “Mas 2013 foi legal, teve até greve...” Ô vagabundo, se não quer
estudar sai da universidade, eu quero me formar (de uma vez por todas). Um celular
roubado logo em janeiro (aviso de ano bom!), uma câmera quebrada, uma reforma
não acabada, um computador queimado, uma carteira perdida... “São bens materiais, você vai superar!” Vai te
foder, veado, eram minhas coisas e eu perdi o emprego na penúltima semana do
ano! Êêêêêêêê o ano fechando melhor do que começou!
Saúde: eu tive isso em 2013?
Vamos contar quantas vezes parei no hospital... não, vou cansar minha beleza exótica.
Vamos falar de amor que é melhor. “Meu namoro sobreviveu ao 13, ele é mesmo de
Deus!” Não, meu namoro acabou em 2013. Chupa Rita! “Ahhh,
mas foi eterno enquanto durou.” Tu falou mesmo isso, infeliz? De boa,
para de comer Sonho de Valsa e vai ler um pouco, tu estás no ensino superior.
Não, não gosto do meu ex, mas porra, o ano já tão estava bom o suficiente?!
Eis que chega o segundo semestre,
pelo menos do ano, porque o acadêmico perdeu o horário do ônibus da Noiva do
Mar e o outro ônibus só passou meses depois. "Agora as coisas vão melhorar!" SÓ
QUE NÃO, BEESHA! Tá. Mentira. Conheci gente legal no segundo semestre, reconheci velhas
pessoas que levarei pra toda o sempre (que coisa gay isso), mas tudo bem. O
segundo semestre me rendeu boas risadas, e choros intensos. Pessoas que jamais
imaginei se tornariam grandes amigos, e quem eu considerava pra lá de especial
me decepcionou muito. Eis que o ano divino está chegando em sua despedida...
Isso significa que 2014 tá chegando? Pois é, será que ele vai trazer um grande
amor?
“Eu não quero um “amor eterno”
que acabe um ano e meio depois. Eu quero um amor casual, que apesar de eu não ter
a certeza do amanhã, tenho o prazer do hoje.” (Carolina Bensino)
Realmente, uma pessoa aí tocou
forte o cristal que existe no centro dessa fortaleza que muitos pensam ser
inabalável. O medo de se foder de novo surge aqui, mas a vontade de que dê
certo é mais forte e não me faz desistir. Se vai dar certo, eu não sei, mas se
não me permitir também não vou saber.
Me disseram (em 2013) uma frase
que usei algumas vezes e repassei outras várias...
“Let it be!”
Vamos acabar de vez com 2013 e
começar 2014 com o pé direito, mas com que cor, Bilhar? Com que cor?? Começamos
com todas, com o pé direito firme, beijando os boys logo nas primeiras horas do
ano pra começar melhor ainda e brindando... Como nos disseram... “Ostentando”.
Banho de cidra não cabe pra esse
ano que começou prometendo, nosso banho foi digno, lavou corpo e limpou a
alma...
Beijo pras recalcadas!
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Oblivion
Há tempos que não chora mais por ele. Aliás, há tempos que não chora por mais ninguém. O choro nunca acrescentou em nada. O choro não resolveu. O choro não o fez voltar.
Procura agora, em meio aos lençóis revirados e os livros intactos, uma maneira de não mais sofrer. Embora todos achem que a Rainha de Espadas não sofre, a pobre menina indefesa debate-se desesperadamente por debaixo da armadura imposta. Das areias do tempo que nos ensinam a esquecer sobraram apenas uns poucos grãos, intactos sobre a prateleira da sala. "Sofrer e chorar não são sinônimos", salienta para si mesma.
E mais um inverno se aproxima a passos lentos...as madrugadas insones por conta do calor logo serão substituídas pelos dias frios e noites gélidas.
Você lembra do nosso segundo inverno (inferno)? Cinco cobertas, dois aquecedores, várias juras de amor e uma xícara de chá quente não foram suficientes para aquecer o teu coração gelado. Conto agora um segredo: aquela noite, em que tu parou o teu jogo idiota e colocou o computador para o lado a fim de arrumar minhas cobertas (que eu sempre derrubo) eu estava acordada. Totalmente acordada. Mas deixei as cobertas de lado e passei frio por cerca de meia hora, só para te ver parando tudo e cuidando de mim. Suponho que tu já saiba isso, mas eu nunca me senti tão segura e ao mesmo tempo tão frágil quanto ao teu lado. E suponho também que tu nunca vai ler isso...Mas não há de ser nada, não há de ser nada.
Lembro-te também que perdoar é diferente de esquecer. E há coisas das quais nunca se esquece...teu cheiro, o calor do teu corpo por trás do meu, branco e frio. Teu sorriso fácil e tua cara de deboche. Tua maldita cara de deboche. Cara que eu poderia retalhar facilmente com uma faca, enquanto dormes. Colocar fogo na tua casa também seria algo fácil, tomada pelos cupins como está. Mas não hoje, não hoje. Contenho minha raiva para coisas mais perenes, afinal de contas tu és apenas uma criança besta que nunca soube medir as consequências dos teus atos. E eu tentando te ensinar a jogar....
"I need someone now to look into my eyes and tell me "girl you know you gotta watch your health"
To look into my eyes and tell me la la la la la"
Esquecimento...até quando? Até quando suportar esse furor que me invade a cada noite insone longe de ti?Como vestir a armadura (todos os dias) sem sentir o peso da responsabilidade (que eu nunca quis) em minhas costas?
Como provar ao mundo que a Rainha de Espadas não passa de uma vassala assustada, que se deixa manipular pelas ventanias da mudança (apesar de parecer inabalável)?
"See you in a dark night..."
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