Odeio que me considerem uma coitada Odeio. Prefiro que me tomem como alguém inescrupulosa, que não tem pena de ninguém. Prefiro ser a vadia sem coração. Prefiro ser a vagabunda que não olha para quem está pisando. Mas quando alguém me desmonta....
Volta a garota caipira, chorona e carente, que sofreu por amor e tentou virar predadora. Volta o eterno clichê. Mas que culpa tenho eu se todos somos um clichê? Todo mundo é previsível, moço. Todo mundo tem uma história mais-ou-menos-pronta, condensada, que pode ser adquirida em lotes no Walmart.
Hoje falávamos sobre amor e sexo. E eu lhe expliquei a diferença. Você não entendeu o porquê de eu querer um amor com tanta urgência. E novamente lhe expliquei. Mas os outros amigos, que nem sempre são telespectadores do meu drama, desconhecem os motivos. E novamente eu explico
Imagine você, quase quatro anos vivendo de aparências. Quatro anos nos quais cada elogio que você ouve só é direcionado a você com o intuito de tentar uma noite de sexo casual.
Quatro anos sem ouvir um "eu te amo".
Quatro anos sem um SMS de "bom dia". Sem alguém querendo saber se você está com frio. Sem alguém se preocupando com a sua saúde.
Quatro anos sendo recriminada por estar com o cabelo bagunçado. Quatro anos sem receber carinhos sinceros. Quatro anos sem um abraço livre de malícia. Quatro anos sem amor.
Quatro anos sem a certeza de um cheiro. Sem um sorriso familiar. Sem uma mão pra segurar quando você quer dividir os seus medos.
Quatro anos em que eu, em um primeiro momento, tentei me mostrar forte. Quatro anos vividos com o intuito de esquecer tudo o que se passou. Quatro anos de uma menina tentando se passar por mulher, e de alguém que não possuía o mínimo de maturidade emocional para seguir em frente sozinha. Quatro anos dividindo um teto com a angústia e a falta de amor-próprio.
E na noite de hoje eu resolvo assumir as rédeas da minha vida novamente. Declaro oficialmente minha libertação de toda essa sujeira que até então me amarrou a garganta. A partir de hoje, volto a ser a mesma menina que saiu daqui.
E mais um ciclo se encerra.

