Sei que todos nós passamos por fases na vida, e a amadurecência é a mais complicada de todas elas. Ter 21 anos e ter seu futuro traçado como meta pode ser tanto uma baita sorte quanto um azar terrível. Não cumpri nem 1/4 de minha passagem sobre a Terra e já penso no final dos meus dias.
Ser jovem e ter vontade de viver, poder contar com poucas horas de sono para ser feliz e viver rodeado de amigos é quase lei em nossa sociedade. Há quem diga que seu pior medo é estar sozinho. Mas quantas pessoas estão realmente inclusas em seus círculos sociais? Basta olhar para alguns poucos rostos que transitam por aqui todos os dias que se pode ver a tristeza estampada na cara.
Que força é essa que nos obriga a levantar da cama todos os dias e enfrentar esse mundo hostil que nos cerca? O que te faz gastar o pouco dinheiro que recebe durante o mês com bebidas e festas? O que te motiva a sair distribuindo sorrisos para todo mundo, mesmo quando o seu mundinho interior está virado de pernas para o ar?
Felicidade de espírito e algo passageiro, momentâneo, eterno, que depende apenas da gente ou de todo um conjunto de fatores milimetricamente ajustados e sobrepostos?
E como lidar quando não se pode mais interpretar um sorriso? E quando a vontade de sair da cama dá lugar ao medo de encarar a realidade? E quando os amigos vão embora, o dinheiro também e sua única motivação é sair do mundo que você mesmo escolheu?
Há dias em que a vontade de viver é maior do que toda a dor que há na Terra, mas há dias em que simplesmente não se quer sair da inércia. E estes dias escuros são os mais longos de todos.