domingo, 24 de agosto de 2014

querer, ser e poder

Me perturba e me apavora a perspectiva de que, em algum momento da minha vida, eu vou decepcionar alguém por conta de minha incapacidade. Não sei ao certo se as pessoas que esperam muito de mim ou se eu acho que tenho que superar a tudo e a todos; essa dicotomia me persegue e me consome a cada passo que dou durante o dia. Será o passo certo? Quais as consequências que trará esse passo? O que será que os outros pensam de mim enquanto caminho?
Deixo de prestar atenção aos detalhes do caminho e apenas observo minuciosamente cada metro que avanço, na vã tentativa de não cair no meio do caminho. O medo e a incerteza de quem eu sou e de como esse ser se comporta no meio em que habita me consomem, enquanto vejo coisas belas e brancas como meras sombras que me passam meio que despercebidas.
Na confusão do caminho e das pessoas que me seguem acabo esbarrando [sem querer] em pessoas melhores do que eu, que me fazem reavaliar meu método. E eu, bicho sorrateiro que sou, sempre arrumo uma desculpa e me afasto desse tipo de gente. (everyday... everyday...)
Quando dou de cara com meus erros e percebo que eu nem sempre posso ser aquilo que eu quero (ou que as pessoas querem), dou meia volta e sigo para outro lado. Covarde, eu sei.
E ainda perco mais tempo planejando do que vivendo. Meus amores que o digam. 
Mas hoje, de repente, descubro um mar de leite que me acalma e me afunda. O cheiro macio e a temperatura adocicada tanto que me confundiram que eu acho que eu finalmente me achei. Sem vírgulas, pois tudo aconteceu muito rápido. Ao mesmo tempo, foi bem mais devagar do que os tantos e tantos de outrora...enfim...cá estou eu. Perdida,completamente perdida, mas com uma calma que eu acho que nunca senti antes. E daí se eu me atrasar? Qual é o problema de não sair tudo do jeito que eu planejo? Nem eu mesma sou como planejo...
Não ouço mais voz nenhuma. Não sigo mais as luzes. Agora fechei meus olhos e escuto apenas as  suas mãos sussurrando coisas doces para os meus cabelos. 
Viajo.

sábado, 16 de agosto de 2014

dormingo

   Sentada no sofá por sabe-se-lá quanto tempo, tomo um gole de minha xícara de café que me parecia fervente há poucos minutos atrás. Minha solidão é marcada pela inércia. Absorta com as visões das figuras nas marcas da madeira, vejo as horas me escapando como areia fina que escorre por entre os dedos. Uma ampulheta invisível, que me mostra o pouco tempo restante que tenho e o quão devagar ele passa. Os dias se tornam cada vez mais longos, e os anos cada vez mais curtos. Já estamos em agosto e eu não sei o que fiz das minhas promessas de ano-novo. Guardei as sementes de romã em alguma bolsa, que provavelmente já foi posta fora (não antes das sementes). Olho para os meus pés: de qual ex será que eu herdei essas pantufas? Seriam no cara do chevette ou daquele que tinha uma rinha de galos nos fundos de casa?
      Desde já quero deixar claro que não me mexo não por falta de vontade,e sim porque não posso. A distância entre o poder e o querer é imensa, como todos sabem. E eu não posso por motivos que me fogem à razão. Pareço um personagem tragicômico dos desenhos animados, que corre desesperadamente sobre a areia movediça e vai afundando enquanto a plateia se deleita e dá risada. E olha só, o café já esfriou novamente...
      No sul do sul, onde o mar também é pampa e a umidade é tamanha que sinto meus ossos congelando. Na cidade que Deus não vê chove por uma semana sem parar e tudo o que consigo pensar é na minha roupa no varal que não seca nunca. As unhas lascadas são uma breve lembrança de dias em que estive melhor (financeiramente e todo o resto). decadence avec elegance, por favor. E eu sei que já é dia 16, faltam apenas 14 dias pra eu receber de novo. Unha vermelha lascada nem na pior situação possível porque afinal de contas eu não sou obrigada... mas hoje eu tô cansada, amanhã compro acetona e limpo essa merda aqui.
       Como assim acabou o café? Sair de casa não é uma hipótese plausível. Nem é tanto pela chuva (que cai ininterruptamente há cerca de 80 horas), é mais por uma questão de princípios. Se eu sair, vou ter de tomar banho. Se eu tomar banho, vou ter que vestir uma roupa limpa. Que porra de depressão é essa em que se fica de banho tomado e cabelos penteados? Essa juventude, essa juventude... na minha época depressão era sinônimo de passar dias sem tomar banho e nem tirar o pijama... os cabelos despenteados e o cheiro de carniça são um estilo de vida, cara.... a geração Valium tá aí pra provar....
        Folheio mais uma vez o panfleto da loja de móveis e eletrodomésticos... acho que até já decorei os preços. Há quanto tempo que não levanto desse sofá ein? Minha bunda já está ardendo...ah, sim, preciso comprar um sofá novo que esse aqui está me machucando. Deixa eu ver um aqui nesse panfleto da loja de móveis e eletrodomésticos.De novo. 
        De repente, presto atenção na televisão: começou o domingão do faustão. Ufa, finalmente... achei que esse domingo não iria acabar nunca. Bora tirar a roupa da máquina de lavar que amanhã já recomeça minha semana monótona e sem descanso, onde eu, pobre coitada que sou apenas mais uma peça na máquina que eles controlam (sim, eles!), vou trabalhar  para pagar cerca de 40% de impostos (acho que foi isso que o cara da tv falou essa semana no jornal) para eles (sim, eles de novo!). O único dia que tenho para descansar é o domingo, e tenho tantas coisas para fazer que nem descanso direito, poxa...


domingo, 10 de agosto de 2014

Sobre TCC comprado, gente que não lê direito e outros mimimis

Claro que eu escreveria sobre isso. Claro. Só demorei um pouco porque eu tenho mais o que fazer da vida do que me preocupar com esse tipo de coisa (ao contrario de outras pessoas) rs.

Buenas, vamos começar do começo:

Essa história de gente comprando TCC, diploma, vestibular e afins não é de hoje. Isso eu sei, tu sabe, ele sabe, enfim, todo mundo sabe. O ensino superior no Brasil constitui um mercado extremamente lucrativo, com gente disposta a qualquer coisa para conseguir o seu "tão sonhado" diploma. Acontece que esse tipo de atividade é criminosa, como vocês também devem saber. Entre falsidade ideológica e plágio há um mundo de outras coisinhas feias que podemos citar quando o assunto é gente que compra TCC. O que mais me preocupa nisso tudo nem é a falta de caráter de quem desembolsa dinheiro para outra pessoa escrever algumas poucas páginas para ela, nem o tipo de profissional que essa criatura vai ser. O problema são as outras pessoas que ralam para conseguirem organizar suas ideias no papel. 

A escrita é um processo extremamente complicado, que envolve a codificação de um pensamento em um sistema gráfico a fim de ser decodificado e compreendido por outra pessoa que o domina. Sem falar, é claro, nos pormenores técnicos do tal do TCC: referencial teórico, estrutura, normas ABNT, a defesa de uma ideia ou um ponto de vista (a ser sustentado por autores com maior nível acadêmico, afinal de contas um mero graduando não passa do plâncton da cadeia alimentar acadêmica). 

Depois de todo essa trabalho a ser feito por uma única pessoa (que ainda tem vida pessoal para levar, com casa, eventuais filhos, maridos e esposas, um emprego e o resto das cadeiras que a gente sempre carrega no último semestre), acho inadmissível que alguém que pague por esse serviço tenha o mesmo mérito e os mesmos créditos do que alguém que o fez apenas com a ajuda divina e seu orientador (que por vezes pode ser um desorientador também).

Daí, eu posto umas duas frases no Facebook (sempre ele!) criticando tal atitude, e alguém vai lá fazer fofoca e distorcer as minhas palavras. Engraçado que a mesma pessoa que colocou lenha na fogueira sequer se pronunciou após o barraco começar. Engraçado também que em momento algum eu mencionei nomes de colegas da Biblioteconomia, da FURG, de orientador ou de qualquer outra pessoa ou instituição que pudessem incriminar (e porventura prejudicar alguém). Mas mesmo assim,  pessoas se morderam e vieram me soltar os cachorros. Eu não preciso nem dizer que  pessoas tem motivos o suficiente para comprar briga comigo, mesmo que de forma desnecessária e aleatória. E tem gente que pega o bonde andando e quer sentar na janela, né?

O lado bom disso tudo é perceber o quanto as pessoas podem ser influenciadas por comentários alheios, se queimarem de graça, mostrarem uma total falta de argumentos, demonstrar uma xenofobia mascarada e ainda por cima e ainda por cima quererem me processar (risos e mais risos). 

Falta leitura. Falta interpretação de texto. Falta compreender a situação e não se deixar ludibriar e enganar por palavras alheias. Falta aprender a não comprarem brigas desnecessárias e que não lhe pertencem, e falta aprender a controlar a língua. Falta também aprender a separar a vida acadêmica da vida pessoal, e entender de uma vez por todas que a academia não é o ensino fundamental, onde a coordenação de curso e a instituição irão perder seu tempo com picuinhas de alunos. 

Falta ler, reler e compreender o que foi lido. Ao invés de pensar a situação em si, é mais fácil criar uma guerra desnecessária e misturar as coisas. Falta entender que o mundo não gira ao seu redor, e que nem todo mundo se preocupa e se ocupa com a sua vida pessoal. Ao invés de refletir, vamos queimar as bruxas e tapar o sol com a peneira. O que aconteceu por esses dias é apenas uma prévia do que já está acontecendo nas redes sociais: as pessoas ainda não aprenderam a usa-las, bem como não entendem absolutamente nada de legislação e querem sair processando todo mundo. Voltamos ao começo: falta leitura.

Falta também a compreensão de que mesmo que algumas pessoas comprem seus TCC's, elas jamais terão o mesmo mérito de quem se esforçou e se esmerou para fazê-lo. Cada um sabe o trabalho que tem e a dor que sofre diariamente ao abdicar de sua vida particular em prol de seu trabalho de conclusão de curso. Cada um sabe do caminho que trilhou até aqui, das dificuldades que têm (e que teve) e de quantas vezes a vontade de desistir de tudo lhe bateu a porta nas madrugadas viradas. Cada um sabe dos problemas que enfrenta e dos sacrifícios que faz, e nenhum dinheiro do mundo pode pagar a superação pessoal e o gostinho de vencer por conta própria.

Aguardo mais interpretações errôneas. Beijos. 

sábado, 9 de agosto de 2014

voltimos!



Sim, voltei. Mas voltei por um motivo especial.

Voltei porque me conheci, reconheci e me enxerguei com outros olhos. Olhos que não são meus, diga-se de passagem. Mas foi esse par de olhos castanhos que me virou a cabeça e me fez voltar ao normal. Se é que algum dia eu já fui normal...bom, não vamos entrar em detalhes sobre isso agora, né não?

O que acontece é que eu lembrei, repentinamente, de uma musiquinha que eu ouvia quando era aborrescente

"um rosto lindo e um sorriso encantador, e um jeitinho de falar que me pirou.... que me pirou o cabeção!" dhoisadhoiahsdoiahsdiosahd

como pode né? Cada vez que eu olho pra aquela carinha de guri eu me derreto... logo eu, que tantas promessas fiz (a maioria delas eu compartilhei por aqui). Logo eu, que estava tão resoluta, tão mais segura e dona de mim mesma, tão mais eu... fui me deixar envolver assim. E sabe qual é a novidade disso tudo? Dessa vez é recíproco! dhaoisdhosaihdoaishdoasihd

Bom, ao menos eu acho que é.... aguardem os novos capítulos da novela.

E aos que aguardavam por um texto sobre os TCC's, relaxem aí e curtam a brisa, porque esse assunto ainda vai dar pano pra manga.

E AINDA TEVE GENTE QUE DISSE QUE EU TAVA NA PIOR! HDOAISHDOIASHD

BEIJO NA BUNDA DE VOCÊS, QUE AGORA EU VOLTI E VOLTI VITAMINADA!