quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sobre não ser preferência nacional

É bem complicado (ao menos para mim) a questão da autoaceitação como um todo. Não me refiro ao conformismo com o próprio corpo/personalidade,  mas sim com os fatos derivados de minha rotina que me jogam na cara o problema que é eu não ser a preferência nacional.
Não tô dizendo que sou feia (apesar de alguns acharem isso), mas é horrível crescer ouvindo que, caso um cara faça um elogio a uma menina gordinha, ele só quer comer ela. Só as magras podem ser elogiadas? Que papo é esse, produção? 
Daí tu vira uma adulta extremamente insegura e que, ao ouvir um elogio, já se afasta do cara por motivos de "não tô afim de dar pra ti". 
Mas eu acho que a pior parte é quando tu resolve tomar a iniciativa e sair pro "ataque". As chances de rejeição de uma menina gordinha giram em torno dos 90%, e os 10% que dão bola geralmente não são lá grandes coisas. Sempre tem as exceções, claro, e são essas que nos deixam felizes. Mas é triste viver num mundo onde 10kg (para mais ou para menos) de peso corporal podem fazer uma pessoa se afastar ou se aproximar de ti. Ainda é o peso que define beleza, infelizmente.
Ontem uma guria postou no spotted que era morena, alta e magra, e estava afim de um boy. Muitos curtiram sem nem mesmo conhecer a menina. E eu já lhes digo que a palavra "magra" foi o grande truque da jogada. Porque aqui, na bolha acadêmica, pessoas gordas não são bem-vindas. As cadeiras da sala de aula foram projetadas justamente para que todo mundo que pese mais de 80kg sinta-se desconfortável o suficiente a ponto de fazer uma dieta (rápido!). 
Voltando ao assunto anterior...
Não sou o "padrão". Nem no peso, nem na altura e menos ainda na personalidade. Falo alto, grosso e rápido. Sei o que quero, e infelizmente tive de aprender a ir atrás pra conseguir, já que nessa vida só  chuva e goiaba que caem do céu. E quando eu vejo um  guri interessante, é claro que eu vou falar com ele pra saber "qualé". Mesmo que a minha chance de rejeição chegue à faixa dos 90%. Há de chegar o dia em que criarão uma rede social sem imagens, só com os textos (no padrão do finado chat uol), e que sirva para CONVERSAR com as pessoas.
Não vou ser hipócrita a ponto de dizer que a beleza não importa, pq importa sim. Mas eu troco facilmente um cara gostoso sarado gato molhado agroboy e que não saiba conversar por alguém que me ouça e que converse comigo, me faça rir e que dê prioridade, antes de tudo, à beleza da alma, e não a beleza do corpo. 


"De nada adianta ter um corpo bonito e a alma feia"


um bom dia de quem anda precisando sentir-se especial, e que lhes digam que é especial (receber carinho faz falta)

xoxo