quinta-feira, 13 de junho de 2013

Onze e meia, mais ou menos

Dia de semana, não me recordo qual. Celular  começa a ter convulsões, tocando um rock gutural de gosto duvidoso. Vejo a hora: 23:30. Melhor amiga ligando, melhor atender. Uma voz sussurrada cochicha do outro lado da linha:

-Inda bem que tu atendeu.
-São onze e meia da noite. Melhor a porra ser séria, eu estava dormindo...
-Vim aqui pra casa daquele cara que eu estava ficando.
-Tá, qual é o problema? Ele brochou? hahahahah
-Não, pior. A ex dele está fazendo o maior barraco aqui na frente do prédio. Começou a berrar e atirar coisas na sacada.
-Cristo! Sai daí, guria! Quer que eu chame um motoboy?
-Não dá. Eu não sei onde estou. Ele me buscou no centro e começamos a adentrar um bairro MUITO estranho. Bem perigoso, maior favela.
-AAAAAAI sua louca! E agora?
-Não sei o que fazer. Me ajuda!
-Seguinte, vai discretamente na sacada e espia o que se passa lá embaixo.
-Ok, mas fica na linha comigo.

Ouço gritos distantes e a voz agora aumenta de tom:
-Tche, ela quer subir aqui!
-Fudeu! Seguinte: coloca a tua roupa e sai falando comigo ao telefone, discretamente. Passa por eles e dá boa noite, como se tu fosse uma moradora do prédio. Como ela não sabe com quem ele está, nada vai acontecer. 

Ela veste-se, fecha a porta e desce. Ouço gritos cada vez mais próximos. Algo sobre pagar a pensão atrasada do filho ou coisa que o valha. Sai do prédio, dirige-se até um boteco próximo ao prédio e pergunta o endereço dali. 

Passam-se vinte minutos, chega o motoboy e minha amiga vai para casa, apavorada. 
Digo a ela que fique tranquila: essa vida de amante não é fácil mas rende boas risadas.