domingo, 6 de outubro de 2013

algum dia


Minha criatividade está diretamente relacionada com meu estado de espírito. Dificilmente consigo escrever quando as coisas estão bem: as palavras não fluem como eu gostaria, as orações parecem desconexas e as histórias não fazem sentido algum para mim. Recentemente passei por um período de torpor espiritual, pois as coisas estavam em seus devidos lugares e tudo o que eu gostaria estava acontecendo. Amor, casa, trabalho, amigos e lá seguia eu , feliz sem atualizar meu bebê por semanas. 
Mas como nem tudo são flores, a primeira pedra de meu castelinho de lego desmoronou recentemente. Acontece, acontece. Sei que minha sorte para o amor é inversamente proporcional ao meu peso e que meus romances duram quase nada. É demais eu querer apenas um amor para chamar de meu? Não me culpo em momento algum por esse fim repentino, pois dessa vez o problema realmente não era comigo. Fiz tudo da maneira mais correta possível (se é que há uma maneira correta de se fazer as coisas). Novamente as flores do caminho estão desabrochando, e as cores que elas doam aos olhos dos viajantes suficientemente sensíveis para percebê-las trazem consigo a esperança de que dias melhores estão por vir. O verão chega, insinuando-se por entre as nuvens carregadas de frio e me mostram que, mais uma vez, sobrevivi ao inverno. 
Mais um ciclo se encerra e entro agora em um momento mais maduro de meu eu, com novos objetivos e a sensação de que estou dependendo cada vez menos do outro para ser efetivamente feliz. Eu ainda espero por ele, confesso. Mas não será para sempre. Apenas dei um tempo para que ele possa fazer boas escolhas e ver o que realmente é importante na vida da gente. Pela primeira vez na minha vida pude perceber o quanto que o dinheiro não tem valor algum se não podemos compartilha-lo com alguém. De que adianta você ter os seus oito mil no banco, meu bem, se não pode gastá-los com ninguém? Tu fez questão de afastar teus amigos, tua vida, eu, apenas em prol do trabalho. E posso te afirmar que os meus R$500,00 da minha bolsa valem muito mais do que teus R$8 mil. Sabe porquê? Porque eu os conquistei fazendo aquilo que amo, e porque cada centavo será gasto com as pessoas que amo e com coisas que eu almejo há tempos. 
A vida é aquilo que acontece enquanto tu junta a tua fortuna, sem pensar no sol que está lá fora. Bem sabes que nossos melhores momentos foram em casa, apenas com a companhia um do outro e a sensação de que não havia mundo algum fora do meu quarto.
Olhai os lírios do campo, meu bem. 

Um bom dia, meus negros lindos
xoxo