Pílulas desnecessárias de críticas bem-humoradas, histórias verdadeiras (ou não) e constatações sobre a vida de uma acadêmica da FURG.
domingo, 13 de outubro de 2013
Lágrimas que Deus não vê
Ontem, entediada por conta da chuva excessiva que acabou com todos os meus planos para o final de semana, resolvi ir ao supermercado perto da minha casa para comprar algo para comer antes que eu morresse de fome. Como havia passado o dia todo coberta de sujeira e preguiça, tomei banho e alisei os cabelos, coloquei uma roupa decente e um pouco de perfume para parecer que eu me importo com a vida.
Saí do supermercado cerca de vinte reais mais pobre e com uma sacola cheia de "porcarias": comida congelada, lasanha, refrigerante, chocolate e biscoitos. A chuva, teimosa e persistente, ainda molhava meus cabelos e sapatos e me fazia praguejar contra a vida e minha falta de sorte. Foi nesse momento que vi uma cena que me fez dar um passo para trás e calar minha boca cheia de calúnias.
Antes de mais nada, vale lembrar que ontem foi Dia das Crianças: uma data comercial, confesso, mas que deixa os pequenos na expectativa por ganhar algo diferente. Um presente,por mais singelo que seja, sempre vai ser um presente.
E eu ali, parada na chuva gelada, vejo um menininho descalço (com cerca de 10 anos) caminhando ao lado de um senhor idoso que empurrava uma carroça cheia de móveis.As roupas puídas, molhadas, o corpo frágil encolhido sob poucas peças encharcadas, os pés enlameados, a
expressão de sofrimento que o velho e o menino carregavam.....
Tudo contribuiu para eu perceber o quanto meus problemas são insignificantes perante os problemas dessa gente. Deus não olha para as lágrimas desse povo?
Já dizia Plebe Rude:
"Não é nossa culpa, nascemos já com uma benção.
Mas isso não é desculpa pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração?
Até quando esperar?
E cadê a esmola que nós damos
Sem perceber que aquele abençoado
Poderia ter sido você
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração?
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração?"