"Essa gente que fala mal de mim. Aí, ó: tudo recalque!"
Valesca cantando "keep calm e deixa de recalque" é a consolidação oficial do que eu (carinhosamente) chamo de culpabilização do outro. É um fenômeno social que venho observando há alguns poucos anos, e que me deixa deveras intrigada sobre seu surgimento e consolidação. Já dizia o Bauman que vivemos em um mundo líquido, onde as interações sociais e as relações afetivas estão cada vez mais rápidas e menos estáveis. Percebi há tempos essa característica, que grita aos meus ouvidos cada vez que a vejo: culpar o outro pelos seus erros. Não é um fenômeno contemporâneo, tendo em vista que a prática de jogar a culpa em alguém vem sendo exercitada desde os primórdios da humanidade. Mas agora temos uma mutação dessa prática: não basta apenas jugar a culpa em um terceiro. O que as pessoas estão fazendo é atribuir um sentimento de mediocridade ao outro, fazendo com que este seja desacreditado e ridicularizado.
"Falam mal de mim porque me invejam"
Tem certeza de que te invejam? Vejo gente que não tem um pinto para dar água, vive uma vida cretina de tão ridícula e faz a vida falando que é invejada. Vão te invejar em quê, criatura? Invejar teu cabelo ruim? Invejar a tua casa caindo aos pedaços? Invejar teu emprego de salário mínimo? Invejar tuas roupas horrorosas que em nada lhe assentam? As pessoas invejam coisas bonitas, acredite. E eu não estou desmerecendo ninguém com isso: só acho que se olhar no espelho é bom de vez em quando, né.
Outra coisa: se as pessoas falam repetidamente sobre algo em você, é melhor reconsiderar. E eu não estou me referindo aos cabelos, roupas, peso ou corpo. Até porque eu seria extremamente hipócrita se eu dissesse para acreditar no que as pessoas falam sobre beleza e tal. Falo de atitudes que fazem quem você é. Será que vinte ou trinta pessoas que te falam algo estão erradas e só você que está certo?
Jogar a culpa no outro tentando ofuscar os seus defeitos é uma atitude mesquinha. É algo digno de quem não tem hombridade para reconhecer seus próprios defeitos e tentar mudá-los. Quem me acompanha de perto nos últimos três anos viu o quanto que eu mudei, o quanto que eu evoluí. Aprendi algumas coisas a duas penas, e não foi fácil ver as pessoas colocando o dedo na ferida e me apontando o problema. Acho que amadureci, no fim das contas. E acho que todo mundo deveria passar por esse processo também.
Um bom dia, meus negros lindos
xoxo