Mais uma segunda-feira pensando e refletindo e desejando não mais estar aqui. Mais uma segunda vazia, como todos sabem. Mas quando todos os dias são vazios já nem faz mais tanta diferença assim.
Guardar as cicatrizes para alguém que as mereça é realmente tão importante? Em que parte da história foi que minha imensidão se resumiu a uns poucos dados? Nome, idade, algumas fotos e três ou quatro palavras que facilmente me definem.Onde foi que escondi todas as minhas angústias, meus anseios, meu medo absurdo de mudar? Em quais caixas guardei minha sinceridade sem mesuras (ou tato, como preferirem chamar), minha vergonha gigante e minha despreocupação com o que pensam de mim?
Voltei em algumas esquinas pelas quais passei para tentar encontrar minha inocência, meu perdão fácil e meu sorriso frouxo. A viagem foi em vão.
Muito embora eu saiba que minhas novas características também constituem o meu "eu", algumas delas eu preferiria não ter adquirido. Qual a necessidade de tanta carência e de tanto desejo por aprovação? Pra quê tanto desejo de ser amada, tantas indagações sobre o futuro (que ninguém jamais saberá o que será)?
Parece que de uma hora para outra quem reinava absoluta caiu na mais profunda obsolência. E, novamente emergindo da plebe, volta para um posto que nem sabe mais se é tão merecedora assim. Algumas vezes nos atribuem responsabilidades que não são nossas. E são essas as mais pesadas. Tudo o que eu não escolhi e que me foi imposto. Tudo o que eu não queria, mas mesmo assim fizeram comigo.
Arrancaram minha pureza à tapas, me jogando no limbo do mundo real. Me atiraram em meio ao lixo da realidade, e assim que eu me vi perdida percebi o quão insignificante eu era em meio ao mundo (real ou não). Quem sou eu, além de mais uma?
Como se definir diferente de tantos outros que também buscam ser diferentes? Como mostrar sua individualidade cativante em meio a um mundo pasteurizado por ideias compradas em pacotes compactos (de 24 rolos)?
Questões existenciais que em nada contribuem para a minha melhora. Apenas mostram o quão perturbada eu sou por pensar em coisas assim em uma segunda-feira.
Uma boa noite, meus negros lindos.
xoxo
