Munida de toda a (pouca) liberdade poética que tenho, trago com minhas mãos pequenas o que de mais importante tenho pra te oferecer.
Eu sei que já conversamos sobre isso.
Eu sei que tu sabe que eu sei que tu sabe.
Eu sei que não importa o que aconteça, tu vai embora de qualquer jeito e que teu coração nem mesmo está aqui.
Mas e daí?
Tentei algumas vezes encontrar um pouco de sentido nas nossas conversas. Mas tu sempre desconversa, metaforiza, joga palavras ao vento (pra ti parece tão fácil...) e me deixa com cara de palhaça.
Prefiro clown, porque acho mais chique. Na verdade, prefiro clown porque sim, afinal de contas não lhe devo satisfação alguma. Ou devo?
Te encontrei no setembro errado, no ano errado e no lugar errado. E eu odeio o fato de tu ser tão sincero. E eu odeio o fato de tu pagar pau pra mim. E eu odeio mais ainda o fato de chegar em casa e ficar pensando em ti, no jeito que tu me olha e na cara que tu fez quando disse que eu ficava linda com as mãos no bolso debaixo da tormenta. Ou era ciclone? Também não sei se foi esse o adjetivo que tu usou. Sei que eu gostei. E ponto mesmo, sem reticências.
Eu também sei que não tem mais nada que eu possa fazer para tentar te convencer qualquer coisa que seja, afinal de contas tu é bem mais esperto do que eu e não cai na minha conversa fiada, mas mesmo assim eu não canso de tentar. Quando tu me olha e diz que eu sou o máximo eu realmente acredito, porque eu sei que é verdade e é sincero e eu me afundo porque eu sei que esses olhos não são meus nem teus nem dela nem sei mais o que eu estava falando. E não, eu não sou o Saramago.
As palavras escolhem a gente, e o amor também. O que me resta é lamentar e esperar setembro acabar de uma vez,antes que minha rinite ou o ciclone acabem comigo
E eu não vou te dar boa noite, porque não.