Louco. Gosto muito deste adjetivo. Traz boas lembranças. Puro devaneio. Gosto também de pontos finais, como você deve ter reparado. É tudo culpa da obsessão pelo direto, objetivo. Natural, sou matemático. Subjetividade? Sou péssimo. Tentei me adaptar, até que não fui tão mal. Por um certo momento.
De origem inusitada: transação. Gostei. Adorei, para ser sincero. As suposições explodiram na mente, modéstia à parte, todas certas. The iceman dies. California Dreaming. Não demorou muito, tudo ocorreu como cogitaria em suas melhores hipóteses. Inacreditável.
Começou o jogo. Estava consideravelmente favorável. A subjetividade mais direta que presenciei em toda vida. Percebi que perderia ou demoraria eternidades para ganhar. Como diria Sherlock Holmes, o primeiro palpite geralmente é o certo. Game over, please insert coins. 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2. Foi posta uma ficha após a outra no fliperama. Avançou bastante no game, mesmo percebendo que seus créditos acabariam em breve.
Jogo vai, jogo vem. Game Over vai, Game Over vem. A cada nova tentativa, o jogo aumentava a dificuldade. Tudo bem, tudo bem, sou um péssimo jogador. Meu ranking? Fudido. Disputo contra caras experientes, que usam macetes na máquina. Nenhum deles joga "limpo". Fazer o quê? Escolhi ser adepto da sinceridade extrema. No fim das contas, comecei a inserir fichas e durar dez segundos no jogo. Chegou no extreme hard. Me fudi.
Me conte, em que fase do jogo eu perdi de vez? Aceito o provável Game Over final. Mesmo. Mas por favor, conte-me.
Houve sexo, há uma mulher grávida. Seu filho? The iceman. Aborto? Parto natural? Cesariana? Sou um grande mongolóide? Sou o melhor jogador? Há quem bote mais fichas que eu? Foda-se, quem se importa?
Texto original de Ciro Malhano.