quinta-feira, 4 de abril de 2013

façam suas apostas!

Não, você não vai entender nada. Exceto duas pessoas que não sabem que irão entender talvez saberão do que se trata.

Louco. Gosto muito deste adjetivo. Traz boas lembranças. Puro devaneio. Gosto também de pontos finais, como você deve ter reparado. É tudo culpa da obsessão pelo direto, objetivo. Natural, sou matemático. Subjetividade? Sou péssimo. Tentei me adaptar, até que não fui tão mal. Por um certo momento.
De origem inusitada: transação. Gostei. Adorei, para ser sincero. As suposições explodiram na mente, modéstia  à parte, todas certas. The iceman dies. California Dreaming. Não demorou muito, tudo ocorreu como cogitaria em suas melhores hipóteses. Inacreditável.
Começou o jogo. Estava consideravelmente favorável. A subjetividade mais direta que presenciei em toda vida. Percebi que perderia ou demoraria eternidades para ganhar. Como diria Sherlock Holmes, o primeiro palpite geralmente é o certo. Game over, please insert coins. 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2. Foi posta uma ficha após a outra no fliperama. Avançou bastante no game, mesmo percebendo que seus créditos acabariam em breve.
Jogo vai, jogo vem. Game Over vai, Game Over vem. A cada nova tentativa, o jogo aumentava a dificuldade. Tudo bem, tudo bem, sou um péssimo jogador. Meu ranking? Fudido. Disputo contra caras experientes, que usam macetes na máquina. Nenhum deles joga "limpo". Fazer o quê? Escolhi ser adepto da sinceridade extrema. No fim das contas, comecei a inserir fichas e durar dez segundos no jogo. Chegou no extreme hard. Me fudi.
Me conte, em que fase do jogo eu perdi de vez? Aceito o provável Game Over final. Mesmo. Mas por favor,  conte-me.
Houve sexo, há uma mulher grávida. Seu filho? The iceman. Aborto? Parto natural? Cesariana? Sou um grande mongolóide? Sou o melhor jogador? Há quem bote mais fichas que eu? Foda-se, quem se importa?


Texto original de Ciro Malhano.