A geração 90 teve sua infância marcada por desenhos maravilhosos, como Capitão Planeta, Ursinhos Carinhosos, O fantástico mundo de Bob, Castelo Rá-tim-bum!, Pokemom, Digimom, Yu-Gih-OH! e tantos outros que eu levaria horas até completar o rol de programas que eu adorava enquanto criança. Jogamos Nintendo, vivenciamos a criação do Playstation e vimos o "boom" da internet. Que atire a primeira pedra quem nunca cogitou a ideia de se prostituir para ganhar um convite para o orkut.
Dominados pelas modinhas, meus companheiros de década lêem Carpinejar e Caio Fernando Abreu achando que um amontoado de lugares-comuns descreve totalmente a sua vida. Criticam o FUNK, BBB e o lixo em que nossa mídia se tornou em todas as suas redes sociais, enquanto assistem o vlog da moda. De seus Iphones, eles compartilham fotos criticando o consumismo desenfreado, enquanto fazem compras em algum supermercado da rede walmart. Vestem roupas que parecem velhas (mas na verdade custaram uma pequena fortuna) apenas para parecerem "indies" e "hipsters".
Outro dia li uma frase de uma menina de minha universidade que me chocou deveras: ao criticar um post meu no qual eu abordava o excesso de violência em alguns protestos, ela solta a seguinte pérola:
"QUALQUER TIPO DE PROTESTO É JUSTO"
Confesso que tive pena dela, de verdade. Será que ela não tem noção do perigo que essa frase carrega? Essa ideologia insensata de que os fins justificam os meios já caiu por terra há muito. Que tipo de monstros criaremos caso deixemos que todos protestem suas verdades de forma livre e sem interferência?
Acho que o maior pecado que nossos pais cometeram foi o excesso de liberdade que nos deram. Tudo é permitido, tudo é bonito, tudo é legal e tudo é aceitável. Cadê a ordem dessa sociedade? Nossos pais procuraram dar-nos toda a liberdade que não tiveram, mas esqueceram-se de que limites são importantes e extremante necessários. Sem limite, viveremos no caos.
Outra coisa em que minha geração é pioneira é no excesso de poder aquisitivo. Nem tudo compra-se com dinheiro, meus caros. Filhos precisam de amor, carinho e noção do que é certo e errado, e não de um novo smartphone.
Somos os eco-chatos. Criticamos quem fuma e quem bebe, quem come carne e quem não pratica exercício físico, enquanto comemos alguma verdura dita "orgânica" (pela qual pagamos o triplo do preço dos vegetais comuns do supermercado) sentados em nossos móveis planejados.
Que geração infeliz, meu Deus! Que tipo de adultos nos tornamos!
Desculpem pelo post demasiadamente longo, mas eu não suporto mais ver tanta mediocridade de ideologia ao meu redor. Se essas meninas parassem de ler o 50 tons de cinza (que, para quem não conhece, conta a história de uma mulher que se apaixona por um cara rico, poderoso, inteligente e com um pequeno fetiche sexual: para para que ela seja totalmente submissa à ele, tanto sexual quanto psicologicamente) e fossem lavar a louça que está suja na pia, certamente esse texto não estaria sendo escrito. E sim, minha louça está lavada, minhas roupas lavadas, dobradas e guardadas e o chão varrido. E não venham chamar-me de mulher machista: só acho preferível ter minha casa limpa do que ser mais uma no rebanho de ovelhas planejadas em série, que concordam com a ideologia da maioria apenas para serem aceitos pelo grande grupo. Sem falar naqueles que são os papagaios midiáticos: apenas repetem frases desconexas que viram no twitter, sem sequer saber do que se tratam. Ao discutirem, usam milhares de frases de efeito e citações de Clarice Lispector (que deve revirar-se no túmulo ao ouvir tantas aberrações saindo de bocas tão profanas), com o único intuito de mostrarem o quanto são literários. Enfim, chega de superficialidades por hoje
Boa tarde, meus negros lindos
xoxo