Palavras inaudíveis ditas por um certo alguém invisível. Ninguém ouve esse grito de desespero? Ninguém percebe o pobre animal debatendo-se, agoniando em meio à sua solidão? Um gemido surdo, pressuponho.
Tantos outros gritando bobagens à sua volta; Tantos que nada têm a dizer mas mesmo assim não se calam; Tantos sorrisos falsos que não há como ver essas lágrimas verdadeiras.
Não há como perceber o tamanho do fardo que cada um carrega dentro de si mesmo. Todo o peso do mundo pode caber dentro de umas poucas palavras não ditas. E como conviver com um sorriso que não é enviado a você? "You don't want to be alone"...
Ninguém o quer, convenhamos. Quem aguenta a solidão? Como suportar o peso de uma noite (uma semana, um mês, um ano...) sozinho? Os que afirmam suportar, na verdade, estão com umas poucas estacas de segurança e o teto ameaça desabar sobre suas cabeças. Mas todos fingem não ver isso. "And now you're on your own.... won't you come back home?"
A vontade de voltar para casa por vezes supera a vontade de vencer, de mudar, de crescer. Mas e quando não se tem um lar de verdade? Quando nem a sua casa parece sua? Aquelas paredes (vistas por anos a fio) agora parecem julgar: você não é daqui. Este não é mais o seu lugar. Vá embora.
Tantos segredos escondidos dentro de quatro paredes. Tantas lágrimas e tantos sorrisos vivenciados por aquelas tábuas de madeira diagonais. Algumas noites de amor (que naquela época realmente era puro), algumas poucas cartas com palavras vazias e uma única promessa: não mais voltar. Não mais voltar para ele. Não mais voltar para aquela casa. Não mais voltar para aquela cidade.
Talvez a chacota da derrota seja pífia se colocada ao lado do medo da mudança. Todos os abraços não dados não são nem um quarto da dor que se sente dentro do seu quarto.
Levantar a cabeça com a mesma promessa (vazia?): dessa vez vai ser diferente.
Mas não foi.