quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Vem e vai

É quase como uma maré, que vai e volta.... ininterruptamente. 

Algumas vezes nem percebo que chegou. Só meu dou conta de sua presença dias depois, quando ele já ocupou minha cabeça de tal forma que só consigo pensar nele. Outras vezes ele vem como uma onda incontrolável. O que resta é esperar e tentar fazer de conta que ele não está ali. Ele tem uma necessidade compulsiva de atenção.

Mas o pior é quando dói. Começa como uma dor fininha, aguda e persistente. Aos poucos vai ficando mais forte, mais ousada, a ponto de rasgar meu peito e todas as promessas que fiz a mim mesma de não mais chorar.

E da mesma forma que ele chegou ele vai embora, levando consigo mais uma meia-dúzia de promessas vãs e a esperança de que ele não mais retorne.

Mas ele volta... ele sempre volta.

E eu sempre busco uma maneira de deixá-lo de lado (definitivamente).

Talvez as pessoas não vejam. Talvez as pessoas não querem ver. Ou talvez seja mais cômodo não falar sobre isso. A dor alheia é pequena demais para  a tomarmos para si. É melhor cruzar a calçada e passar pelo outro lado, para não sentir o cheiro inconfundível que emana de um coração solitário.