Pílulas desnecessárias de críticas bem-humoradas, histórias verdadeiras (ou não) e constatações sobre a vida de uma acadêmica da FURG.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
O lobo mascarado
Coisa mais comum é abrir no facebook e ali, na sua timeline, dezenas de postagens do tipo "ai as pessoas são mentirosas nunca mais vou confiar em ninguém", ou então "odeio gente falsa que decepissão", ou "aquele que sorri pra ti vai te ferir quem tbm acha curti". Essas e mais tantas outras milhares de frases, repletas de lugares-comuns e sempre jogando a culpa da decepção no outro.
O que menos vejo é gente tomando essa culpa para si. Será que a culpa era da pessoa, por ser falsa, cretina, hipócrita, ou era sua, por ser tolo o suficiente para se deixar enganar? E por mais que a pessoa seja ardilosa, eu ainda acredito que a culpa é minha, sim! Ninguém manda confiar demais. E geralmente quem cai numa furada dessas uma vez acaba caindo outra. Não tem erro. É inerente ao ser humano esconder suas informações, segredos, estratégias. É uma questão de sobrevivência, poxa. Mas também é inerente ao ser humano essa ingenuidade tão prejudicial. Imagina só se todas as pessoas fossem verdadeiras o tempo todo... seria muito fácil aproveitar-se delas. E seria mais fácil ainda derrubá-las.
Prefiro assumir a culpa pelo engano do que derrubar sobre outra pessoa. Porque eu sim, fui ingênua e tola. Mas a pessoa que se passou por outra sem sempre teve essa intenção.
Ao invés de sair dizendo para as pessoas não serem falsas, duas-caras, para serem totalmente transparentes o tempo todo, prefiro educar meus filhos para serem mais atentos, mais espertos, para confiarem menos e questionarem mais. Para deixar de lado essa educação bovina que temos, de que todos devem se comportar de uma determinada forma e aceitarem as consequências. Desde pequenos todos foram instruídos a terem cuidado com os baobás, mas ninguém se deu conta disso.
E a questão da culpabilidade vai muito além disso. É o confiar cegamente. É o deixar-se mover junto com a multidão. É nunca questionar, nunca indagar, e sempre estar de braços abertos para tudo que te oferecem.
Olhos atentos, pequenos, olhos atentos. Porque o lobo mascarado de cordeiro é mais comum do que vocês imaginam, porém sua máscara (tosca e pobre), é facilmente reconhecível a olho nu.
