quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Te respiro

A

s luzes da Barra só contribuíram para a tua volta, meu bem. Se é que algum dia tu realmente fostes, porque até hoje te sinto em cada célula de meu corpo. De teus olhares vagos ao teu sorriso fácil, da tua cara de menino, da tua voz imponente, que imperiosa rugia pela casa velha, de tuas noites insones até ao simples "escuta essa música aqui". Sei que, na verdade, elas não queriam dizer nada. Bom, na verdade queriam sim. Queriam dizer que tu gostava da música e queria dividir o prazer de escutar algo bom comigo. 
Até o mais simples "que livro é esse?" me causava arrepios. Arrepios não; torpor. Eu te respirava. Eu te sentia na minha casa. Eu via a tua figura (gigante) adentrando a minha porta. Até quando tu dormia virado para o outro lado eu sentia o teu riso de deboche quando tu dizia "não faz beiço". Cada briga, cada promessa vazia, cada passo dado em falso me afastavam mais e mais de ti. Já nem sei mais em qual esquina da vida foi que te perdi. 
"E a torre balança...balança..."
Sabe que música que eu estava ouvindo hoje? Habits. Essa mesma que eu te mandei e tu só me respondeu com um "legalzinha...". Tens noção do quanto que isso doeu? Mais fundo do que tu pensa.
Mesmo assim ainda te sinto, ainda te respiro, ainda te quero. Sim, te quero. Como eu sempre disse que te queria. Mas dessa vez com mais certeza, mais convicção. Mais verdade.
Só não sei se realmente estou pronta para te ter de volta. Será que realmente preciso de toda aquela montanha-russa de sentimentos me atropelam cada vez que te vejo? 
E a pitangueira, como está? E o gato? E o cachorro, sujo e fedorento? E o  teu coração, ainda vazio?

E lá se vai mais um mês sem te ver....

"isso aí, negrinha. Bate o pé. Não te dobra às minhas chantagens e mostra a quê tu veio."