Eu, carne-e-sangue que sou, começo sempre pelo olfato. O sentido mais renegado assume para mim proporções dantescas, e sempre que possível fecho meus olhos e deixo-me envolver pela sinfonia de odores que me cercam.
O segundo passo é o contato visual. Meu lado masculino fala alto, e de repente me vejo contemplando e mirando de uma forma que os deixa constrangidos. Também pudera: procuro absorver cada detalhe, cada centímetro de pele e cada espaço entre nós. A visão é minha suprema guia, e talvez o meu maior pecado seja justamente amar o que me é belo. Neste ponto saliento que não sou hipócrita, e que a relativização da beleza me exime (um pouco) da culpa que ~supostamente ~ depositam em mim.
Depois disso, o que resta é deixar a natureza seguir seu rumo e a química dos feromônios fazer seu trabalho. Quanto à audição, pouco importa: não sou fã de palavras vazias ou de sons programados. Por vezes, o melhor é o silêncio: nesse meio-tempo até a respiração ofegante vira poesia.
O toque da pele e o calor das mãos no mais absoluto escuro também fazem parte da dança, muito embora eu use - o escuro - mais como refúgio do que como ferramenta.
Apenas com um o claro se torna confortável o suficiente para eu me despir de meus medos e vestir minha roupa de viver.
Apenas com um os cheiros se misturam e se fundem e se confundem que eu já nem sei mais qual cheiro eu tenho ou ele tem: sei apenas que há um cheiro nosso, e esse é o meu perfume favorito.
Apenas com um o paladar se faz presente, e o gosto que sinto é, sem sombra de dúvidas, o sabor da perfeição. Aquele rastro doce no fundo da boca que me faz querer mais e mais e mais e mais
Apenas com um minha pele derrete, meus dedos se entrelaçam e eu mergulho em um mar castanho-avelã repleto de ilhas fantasiosas. E é ali que eu gostaria de ficar o resto da minha vida.
O mundo real perde o sentido; minha existência ali é outra, além de qualquer ciclo material ou racional que o homem já criou.
Um quarto em três por quatro, uma cama no canto e o desejo de que tudo lá fora não passasse de um sonho ruim, onde basta eu cruzar meus dedos com os dele para que todos os meus problemas desapareçam.
E, ao soltar a minha mão, é que percebo que a realidade do mundo real não é assim tão doce, e que as utopias sim que deveriam ser reais (mais do que as faço): meus sonhos em cor-de-rosa com uma casa de cerca branca e um labrador correndo no quintal não passam disso. Sonhos. Fantasias. Utopias. Regalias que me permito diariamente, no frenesi de tê-lo para mim antes que o ano acabe e o vento da vida adulta o sopre para longe daqui.
Mesmo que tudo o que imagino (e vejo e prevejo e ansejo) seja fruto de uma mente um pouco fértil demais
Um pouco apaixonada demais
Um pouco abandonada demais
Um pouco solitária demais
Pílulas desnecessárias de críticas bem-humoradas, histórias verdadeiras (ou não) e constatações sobre a vida de uma acadêmica da FURG.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Sobre não ser preferência nacional
É bem complicado (ao menos para mim) a questão da autoaceitação como um todo. Não me refiro ao conformismo com o próprio corpo/personalidade, mas sim com os fatos derivados de minha rotina que me jogam na cara o problema que é eu não ser a preferência nacional.
Não tô dizendo que sou feia (apesar de alguns acharem isso), mas é horrível crescer ouvindo que, caso um cara faça um elogio a uma menina gordinha, ele só quer comer ela. Só as magras podem ser elogiadas? Que papo é esse, produção?
Daí tu vira uma adulta extremamente insegura e que, ao ouvir um elogio, já se afasta do cara por motivos de "não tô afim de dar pra ti".
Mas eu acho que a pior parte é quando tu resolve tomar a iniciativa e sair pro "ataque". As chances de rejeição de uma menina gordinha giram em torno dos 90%, e os 10% que dão bola geralmente não são lá grandes coisas. Sempre tem as exceções, claro, e são essas que nos deixam felizes. Mas é triste viver num mundo onde 10kg (para mais ou para menos) de peso corporal podem fazer uma pessoa se afastar ou se aproximar de ti. Ainda é o peso que define beleza, infelizmente.
Ontem uma guria postou no spotted que era morena, alta e magra, e estava afim de um boy. Muitos curtiram sem nem mesmo conhecer a menina. E eu já lhes digo que a palavra "magra" foi o grande truque da jogada. Porque aqui, na bolha acadêmica, pessoas gordas não são bem-vindas. As cadeiras da sala de aula foram projetadas justamente para que todo mundo que pese mais de 80kg sinta-se desconfortável o suficiente a ponto de fazer uma dieta (rápido!).
Voltando ao assunto anterior...
Não sou o "padrão". Nem no peso, nem na altura e menos ainda na personalidade. Falo alto, grosso e rápido. Sei o que quero, e infelizmente tive de aprender a ir atrás pra conseguir, já que nessa vida só chuva e goiaba que caem do céu. E quando eu vejo um guri interessante, é claro que eu vou falar com ele pra saber "qualé". Mesmo que a minha chance de rejeição chegue à faixa dos 90%. Há de chegar o dia em que criarão uma rede social sem imagens, só com os textos (no padrão do finado chat uol), e que sirva para CONVERSAR com as pessoas.
Não vou ser hipócrita a ponto de dizer que a beleza não importa, pq importa sim. Mas eu troco facilmente um cara gostoso sarado gato molhado agroboy e que não saiba conversar por alguém que me ouça e que converse comigo, me faça rir e que dê prioridade, antes de tudo, à beleza da alma, e não a beleza do corpo.
"De nada adianta ter um corpo bonito e a alma feia"
um bom dia de quem anda precisando sentir-se especial, e que lhes digam que é especial (receber carinho faz falta)
xoxo
Não tô dizendo que sou feia (apesar de alguns acharem isso), mas é horrível crescer ouvindo que, caso um cara faça um elogio a uma menina gordinha, ele só quer comer ela. Só as magras podem ser elogiadas? Que papo é esse, produção?
Daí tu vira uma adulta extremamente insegura e que, ao ouvir um elogio, já se afasta do cara por motivos de "não tô afim de dar pra ti".
Mas eu acho que a pior parte é quando tu resolve tomar a iniciativa e sair pro "ataque". As chances de rejeição de uma menina gordinha giram em torno dos 90%, e os 10% que dão bola geralmente não são lá grandes coisas. Sempre tem as exceções, claro, e são essas que nos deixam felizes. Mas é triste viver num mundo onde 10kg (para mais ou para menos) de peso corporal podem fazer uma pessoa se afastar ou se aproximar de ti. Ainda é o peso que define beleza, infelizmente.
Ontem uma guria postou no spotted que era morena, alta e magra, e estava afim de um boy. Muitos curtiram sem nem mesmo conhecer a menina. E eu já lhes digo que a palavra "magra" foi o grande truque da jogada. Porque aqui, na bolha acadêmica, pessoas gordas não são bem-vindas. As cadeiras da sala de aula foram projetadas justamente para que todo mundo que pese mais de 80kg sinta-se desconfortável o suficiente a ponto de fazer uma dieta (rápido!).
Voltando ao assunto anterior...
Não sou o "padrão". Nem no peso, nem na altura e menos ainda na personalidade. Falo alto, grosso e rápido. Sei o que quero, e infelizmente tive de aprender a ir atrás pra conseguir, já que nessa vida só chuva e goiaba que caem do céu. E quando eu vejo um guri interessante, é claro que eu vou falar com ele pra saber "qualé". Mesmo que a minha chance de rejeição chegue à faixa dos 90%. Há de chegar o dia em que criarão uma rede social sem imagens, só com os textos (no padrão do finado chat uol), e que sirva para CONVERSAR com as pessoas.
Não vou ser hipócrita a ponto de dizer que a beleza não importa, pq importa sim. Mas eu troco facilmente um cara gostoso sarado gato molhado agroboy e que não saiba conversar por alguém que me ouça e que converse comigo, me faça rir e que dê prioridade, antes de tudo, à beleza da alma, e não a beleza do corpo.
"De nada adianta ter um corpo bonito e a alma feia"
um bom dia de quem anda precisando sentir-se especial, e que lhes digam que é especial (receber carinho faz falta)
xoxo
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Fluorescência
E de repente me vem aquela brisa leve, acolhedora e mansa que só tu pode me trazer. Os meus olhos embaçam por um pequeno instante, talvez inundados com a maresia calma e doce que tu me traz.
Teu cheiro doce por vezes me enjoa. Desculpe-me se sei que não és perfeita.. Convenhamos que o teu gosto também já foi melhor. Depende do teu dia, eu sei. Tu tens diversos momentos e casualmente nos encontramos quando estás naqueles dias ruins. Não é culpa tua, e sim dos outros que te transformam tanto a ponto de ficares irreconhecível. Depois de ti, ouço todos os milhares de pássaros que passaram o dia todo cantando ao meu redor e que eu sequer tive a capacidade de parar para ouvir. Eles estão conversando conosco...
O sol parece mais perto e a lua parece maior. Sinto o cheiro da chuva e o gosto da terra. Sei que, a partir de agora, tudo ao meu redor fica mais bonito: os rostos me parecem mais alegres, os problemas viram estrelas distantes e o tempo se molda facilmente em minhas mãos. Volto a ser um eu primitivo, consciente, que é capaz de enxergar tudo o que está acima das nuvens e que não é visível a olho nu.
Faço de mim mesma corredor do mundo, e deixo que os pensamentos pousem e decolem a hora que quiserem. Já não sou mais apenas eu: somos nós, somos o outro e, sobretudo, somos um todo uniforme e multicor. Meus pensamentos passam por mim em uma velocidade assustadora; mas quem sou eu para lhes dizer a hora em que devem partir? Cada um que cuide de seus horários e de seus ritmos...
O ritmo é que coordena o andamento de meu dia. Podem ser apenas quatro horas da tarde quanto já pode ser meio-dia.... e o meu tempo também não é mais meu.
Nem dona de meu corpo sou mais: ele se movimenta de um jeito próprio, independente, como se o meu cérebro fosse destituído de seu cargo máximo por mero capricho do resto das células. Cada uma com sua ideologia, e sempre que possível, alheias à minha vontade.
Quando tu vai embora (quase sempre sem se despedir), viro os olhos e penso que, para te ter de volta, bastam alguns movimentos de minhas mãos. E assim o ciclo recomeça.
uma boa tarde, meus negros lindos
xoxo
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Ressignificação
Munida de toda a (pouca) liberdade poética que tenho, trago com minhas mãos pequenas o que de mais importante tenho pra te oferecer.
Eu sei que já conversamos sobre isso.
Eu sei que tu sabe que eu sei que tu sabe.
Eu sei que não importa o que aconteça, tu vai embora de qualquer jeito e que teu coração nem mesmo está aqui.
Mas e daí?
Tentei algumas vezes encontrar um pouco de sentido nas nossas conversas. Mas tu sempre desconversa, metaforiza, joga palavras ao vento (pra ti parece tão fácil...) e me deixa com cara de palhaça.
Prefiro clown, porque acho mais chique. Na verdade, prefiro clown porque sim, afinal de contas não lhe devo satisfação alguma. Ou devo?
Te encontrei no setembro errado, no ano errado e no lugar errado. E eu odeio o fato de tu ser tão sincero. E eu odeio o fato de tu pagar pau pra mim. E eu odeio mais ainda o fato de chegar em casa e ficar pensando em ti, no jeito que tu me olha e na cara que tu fez quando disse que eu ficava linda com as mãos no bolso debaixo da tormenta. Ou era ciclone? Também não sei se foi esse o adjetivo que tu usou. Sei que eu gostei. E ponto mesmo, sem reticências.
Eu também sei que não tem mais nada que eu possa fazer para tentar te convencer qualquer coisa que seja, afinal de contas tu é bem mais esperto do que eu e não cai na minha conversa fiada, mas mesmo assim eu não canso de tentar. Quando tu me olha e diz que eu sou o máximo eu realmente acredito, porque eu sei que é verdade e é sincero e eu me afundo porque eu sei que esses olhos não são meus nem teus nem dela nem sei mais o que eu estava falando. E não, eu não sou o Saramago.
As palavras escolhem a gente, e o amor também. O que me resta é lamentar e esperar setembro acabar de uma vez,antes que minha rinite ou o ciclone acabem comigo
E eu não vou te dar boa noite, porque não.
Eu sei que já conversamos sobre isso.
Eu sei que tu sabe que eu sei que tu sabe.
Eu sei que não importa o que aconteça, tu vai embora de qualquer jeito e que teu coração nem mesmo está aqui.
Mas e daí?
Tentei algumas vezes encontrar um pouco de sentido nas nossas conversas. Mas tu sempre desconversa, metaforiza, joga palavras ao vento (pra ti parece tão fácil...) e me deixa com cara de palhaça.
Prefiro clown, porque acho mais chique. Na verdade, prefiro clown porque sim, afinal de contas não lhe devo satisfação alguma. Ou devo?
Te encontrei no setembro errado, no ano errado e no lugar errado. E eu odeio o fato de tu ser tão sincero. E eu odeio o fato de tu pagar pau pra mim. E eu odeio mais ainda o fato de chegar em casa e ficar pensando em ti, no jeito que tu me olha e na cara que tu fez quando disse que eu ficava linda com as mãos no bolso debaixo da tormenta. Ou era ciclone? Também não sei se foi esse o adjetivo que tu usou. Sei que eu gostei. E ponto mesmo, sem reticências.
Eu também sei que não tem mais nada que eu possa fazer para tentar te convencer qualquer coisa que seja, afinal de contas tu é bem mais esperto do que eu e não cai na minha conversa fiada, mas mesmo assim eu não canso de tentar. Quando tu me olha e diz que eu sou o máximo eu realmente acredito, porque eu sei que é verdade e é sincero e eu me afundo porque eu sei que esses olhos não são meus nem teus nem dela nem sei mais o que eu estava falando. E não, eu não sou o Saramago.
As palavras escolhem a gente, e o amor também. O que me resta é lamentar e esperar setembro acabar de uma vez,antes que minha rinite ou o ciclone acabem comigo
E eu não vou te dar boa noite, porque não.
domingo, 24 de agosto de 2014
querer, ser e poder
Me perturba e me apavora a perspectiva de que, em algum momento da minha vida, eu vou decepcionar alguém por conta de minha incapacidade. Não sei ao certo se as pessoas que esperam muito de mim ou se eu acho que tenho que superar a tudo e a todos; essa dicotomia me persegue e me consome a cada passo que dou durante o dia. Será o passo certo? Quais as consequências que trará esse passo? O que será que os outros pensam de mim enquanto caminho?
Deixo de prestar atenção aos detalhes do caminho e apenas observo minuciosamente cada metro que avanço, na vã tentativa de não cair no meio do caminho. O medo e a incerteza de quem eu sou e de como esse ser se comporta no meio em que habita me consomem, enquanto vejo coisas belas e brancas como meras sombras que me passam meio que despercebidas.
Na confusão do caminho e das pessoas que me seguem acabo esbarrando [sem querer] em pessoas melhores do que eu, que me fazem reavaliar meu método. E eu, bicho sorrateiro que sou, sempre arrumo uma desculpa e me afasto desse tipo de gente. (everyday... everyday...)
Quando dou de cara com meus erros e percebo que eu nem sempre posso ser aquilo que eu quero (ou que as pessoas querem), dou meia volta e sigo para outro lado. Covarde, eu sei.
E ainda perco mais tempo planejando do que vivendo. Meus amores que o digam.
Mas hoje, de repente, descubro um mar de leite que me acalma e me afunda. O cheiro macio e a temperatura adocicada tanto que me confundiram que eu acho que eu finalmente me achei. Sem vírgulas, pois tudo aconteceu muito rápido. Ao mesmo tempo, foi bem mais devagar do que os tantos e tantos de outrora...enfim...cá estou eu. Perdida,completamente perdida, mas com uma calma que eu acho que nunca senti antes. E daí se eu me atrasar? Qual é o problema de não sair tudo do jeito que eu planejo? Nem eu mesma sou como planejo...
Não ouço mais voz nenhuma. Não sigo mais as luzes. Agora fechei meus olhos e escuto apenas as suas mãos sussurrando coisas doces para os meus cabelos.
Viajo.
sábado, 16 de agosto de 2014
dormingo
Sentada no sofá por sabe-se-lá quanto tempo, tomo um gole de minha xícara de café que me parecia fervente há poucos minutos atrás. Minha solidão é marcada pela inércia. Absorta com as visões das figuras nas marcas da madeira, vejo as horas me escapando como areia fina que escorre por entre os dedos. Uma ampulheta invisível, que me mostra o pouco tempo restante que tenho e o quão devagar ele passa. Os dias se tornam cada vez mais longos, e os anos cada vez mais curtos. Já estamos em agosto e eu não sei o que fiz das minhas promessas de ano-novo. Guardei as sementes de romã em alguma bolsa, que provavelmente já foi posta fora (não antes das sementes). Olho para os meus pés: de qual ex será que eu herdei essas pantufas? Seriam no cara do chevette ou daquele que tinha uma rinha de galos nos fundos de casa?
Desde já quero deixar claro que não me mexo não por falta de vontade,e sim porque não posso. A distância entre o poder e o querer é imensa, como todos sabem. E eu não posso por motivos que me fogem à razão. Pareço um personagem tragicômico dos desenhos animados, que corre desesperadamente sobre a areia movediça e vai afundando enquanto a plateia se deleita e dá risada. E olha só, o café já esfriou novamente...
No sul do sul, onde o mar também é pampa e a umidade é tamanha que sinto meus ossos congelando. Na cidade que Deus não vê chove por uma semana sem parar e tudo o que consigo pensar é na minha roupa no varal que não seca nunca. As unhas lascadas são uma breve lembrança de dias em que estive melhor (financeiramente e todo o resto). decadence avec elegance, por favor. E eu sei que já é dia 16, faltam apenas 14 dias pra eu receber de novo. Unha vermelha lascada nem na pior situação possível porque afinal de contas eu não sou obrigada... mas hoje eu tô cansada, amanhã compro acetona e limpo essa merda aqui.
Como assim acabou o café? Sair de casa não é uma hipótese plausível. Nem é tanto pela chuva (que cai ininterruptamente há cerca de 80 horas), é mais por uma questão de princípios. Se eu sair, vou ter de tomar banho. Se eu tomar banho, vou ter que vestir uma roupa limpa. Que porra de depressão é essa em que se fica de banho tomado e cabelos penteados? Essa juventude, essa juventude... na minha época depressão era sinônimo de passar dias sem tomar banho e nem tirar o pijama... os cabelos despenteados e o cheiro de carniça são um estilo de vida, cara.... a geração Valium tá aí pra provar....
Folheio mais uma vez o panfleto da loja de móveis e eletrodomésticos... acho que até já decorei os preços. Há quanto tempo que não levanto desse sofá ein? Minha bunda já está ardendo...ah, sim, preciso comprar um sofá novo que esse aqui está me machucando. Deixa eu ver um aqui nesse panfleto da loja de móveis e eletrodomésticos.De novo.
De repente, presto atenção na televisão: começou o domingão do faustão. Ufa, finalmente... achei que esse domingo não iria acabar nunca. Bora tirar a roupa da máquina de lavar que amanhã já recomeça minha semana monótona e sem descanso, onde eu, pobre coitada que sou apenas mais uma peça na máquina que eles controlam (sim, eles!), vou trabalhar para pagar cerca de 40% de impostos (acho que foi isso que o cara da tv falou essa semana no jornal) para eles (sim, eles de novo!). O único dia que tenho para descansar é o domingo, e tenho tantas coisas para fazer que nem descanso direito, poxa...
domingo, 10 de agosto de 2014
Sobre TCC comprado, gente que não lê direito e outros mimimis
Claro que eu escreveria sobre isso. Claro. Só demorei um pouco porque eu tenho mais o que fazer da vida do que me preocupar com esse tipo de coisa (ao contrario de outras pessoas) rs.
Buenas, vamos começar do começo:
Essa história de gente comprando TCC, diploma, vestibular e afins não é de hoje. Isso eu sei, tu sabe, ele sabe, enfim, todo mundo sabe. O ensino superior no Brasil constitui um mercado extremamente lucrativo, com gente disposta a qualquer coisa para conseguir o seu "tão sonhado" diploma. Acontece que esse tipo de atividade é criminosa, como vocês também devem saber. Entre falsidade ideológica e plágio há um mundo de outras coisinhas feias que podemos citar quando o assunto é gente que compra TCC. O que mais me preocupa nisso tudo nem é a falta de caráter de quem desembolsa dinheiro para outra pessoa escrever algumas poucas páginas para ela, nem o tipo de profissional que essa criatura vai ser. O problema são as outras pessoas que ralam para conseguirem organizar suas ideias no papel.
A escrita é um processo extremamente complicado, que envolve a codificação de um pensamento em um sistema gráfico a fim de ser decodificado e compreendido por outra pessoa que o domina. Sem falar, é claro, nos pormenores técnicos do tal do TCC: referencial teórico, estrutura, normas ABNT, a defesa de uma ideia ou um ponto de vista (a ser sustentado por autores com maior nível acadêmico, afinal de contas um mero graduando não passa do plâncton da cadeia alimentar acadêmica).
Depois de todo essa trabalho a ser feito por uma única pessoa (que ainda tem vida pessoal para levar, com casa, eventuais filhos, maridos e esposas, um emprego e o resto das cadeiras que a gente sempre carrega no último semestre), acho inadmissível que alguém que pague por esse serviço tenha o mesmo mérito e os mesmos créditos do que alguém que o fez apenas com a ajuda divina e seu orientador (que por vezes pode ser um desorientador também).
Daí, eu posto umas duas frases no Facebook (sempre ele!) criticando tal atitude, e alguém vai lá fazer fofoca e distorcer as minhas palavras. Engraçado que a mesma pessoa que colocou lenha na fogueira sequer se pronunciou após o barraco começar. Engraçado também que em momento algum eu mencionei nomes de colegas da Biblioteconomia, da FURG, de orientador ou de qualquer outra pessoa ou instituição que pudessem incriminar (e porventura prejudicar alguém). Mas mesmo assim, pessoas se morderam e vieram me soltar os cachorros. Eu não preciso nem dizer que pessoas tem motivos o suficiente para comprar briga comigo, mesmo que de forma desnecessária e aleatória. E tem gente que pega o bonde andando e quer sentar na janela, né?
O lado bom disso tudo é perceber o quanto as pessoas podem ser influenciadas por comentários alheios, se queimarem de graça, mostrarem uma total falta de argumentos, demonstrar uma xenofobia mascarada e ainda por cima e ainda por cima quererem me processar (risos e mais risos).
Falta leitura. Falta interpretação de texto. Falta compreender a situação e não se deixar ludibriar e enganar por palavras alheias. Falta aprender a não comprarem brigas desnecessárias e que não lhe pertencem, e falta aprender a controlar a língua. Falta também aprender a separar a vida acadêmica da vida pessoal, e entender de uma vez por todas que a academia não é o ensino fundamental, onde a coordenação de curso e a instituição irão perder seu tempo com picuinhas de alunos.
Falta ler, reler e compreender o que foi lido. Ao invés de pensar a situação em si, é mais fácil criar uma guerra desnecessária e misturar as coisas. Falta entender que o mundo não gira ao seu redor, e que nem todo mundo se preocupa e se ocupa com a sua vida pessoal. Ao invés de refletir, vamos queimar as bruxas e tapar o sol com a peneira. O que aconteceu por esses dias é apenas uma prévia do que já está acontecendo nas redes sociais: as pessoas ainda não aprenderam a usa-las, bem como não entendem absolutamente nada de legislação e querem sair processando todo mundo. Voltamos ao começo: falta leitura.
Falta também a compreensão de que mesmo que algumas pessoas comprem seus TCC's, elas jamais terão o mesmo mérito de quem se esforçou e se esmerou para fazê-lo. Cada um sabe o trabalho que tem e a dor que sofre diariamente ao abdicar de sua vida particular em prol de seu trabalho de conclusão de curso. Cada um sabe do caminho que trilhou até aqui, das dificuldades que têm (e que teve) e de quantas vezes a vontade de desistir de tudo lhe bateu a porta nas madrugadas viradas. Cada um sabe dos problemas que enfrenta e dos sacrifícios que faz, e nenhum dinheiro do mundo pode pagar a superação pessoal e o gostinho de vencer por conta própria.
Aguardo mais interpretações errôneas. Beijos.
sábado, 9 de agosto de 2014
voltimos!
Sim, voltei. Mas voltei por um motivo especial.
Voltei porque me conheci, reconheci e me enxerguei com outros olhos. Olhos que não são meus, diga-se de passagem. Mas foi esse par de olhos castanhos que me virou a cabeça e me fez voltar ao normal. Se é que algum dia eu já fui normal...bom, não vamos entrar em detalhes sobre isso agora, né não?
O que acontece é que eu lembrei, repentinamente, de uma musiquinha que eu ouvia quando era aborrescente
"um rosto lindo e um sorriso encantador, e um jeitinho de falar que me pirou.... que me pirou o cabeção!" dhoisadhoiahsdoiahsdiosahd
como pode né? Cada vez que eu olho pra aquela carinha de guri eu me derreto... logo eu, que tantas promessas fiz (a maioria delas eu compartilhei por aqui). Logo eu, que estava tão resoluta, tão mais segura e dona de mim mesma, tão mais eu... fui me deixar envolver assim. E sabe qual é a novidade disso tudo? Dessa vez é recíproco! dhaoisdhosaihdoaishdoasihd
Bom, ao menos eu acho que é.... aguardem os novos capítulos da novela.
E aos que aguardavam por um texto sobre os TCC's, relaxem aí e curtam a brisa, porque esse assunto ainda vai dar pano pra manga.
E AINDA TEVE GENTE QUE DISSE QUE EU TAVA NA PIOR! HDOAISHDOIASHD
BEIJO NA BUNDA DE VOCÊS, QUE AGORA EU VOLTI E VOLTI VITAMINADA!
quarta-feira, 19 de março de 2014
Quatro anos
Odeio que me considerem uma coitada Odeio. Prefiro que me tomem como alguém inescrupulosa, que não tem pena de ninguém. Prefiro ser a vadia sem coração. Prefiro ser a vagabunda que não olha para quem está pisando. Mas quando alguém me desmonta....
Volta a garota caipira, chorona e carente, que sofreu por amor e tentou virar predadora. Volta o eterno clichê. Mas que culpa tenho eu se todos somos um clichê? Todo mundo é previsível, moço. Todo mundo tem uma história mais-ou-menos-pronta, condensada, que pode ser adquirida em lotes no Walmart.
Hoje falávamos sobre amor e sexo. E eu lhe expliquei a diferença. Você não entendeu o porquê de eu querer um amor com tanta urgência. E novamente lhe expliquei. Mas os outros amigos, que nem sempre são telespectadores do meu drama, desconhecem os motivos. E novamente eu explico
Imagine você, quase quatro anos vivendo de aparências. Quatro anos nos quais cada elogio que você ouve só é direcionado a você com o intuito de tentar uma noite de sexo casual.
Quatro anos sem ouvir um "eu te amo".
Quatro anos sem um SMS de "bom dia". Sem alguém querendo saber se você está com frio. Sem alguém se preocupando com a sua saúde.
Quatro anos sendo recriminada por estar com o cabelo bagunçado. Quatro anos sem receber carinhos sinceros. Quatro anos sem um abraço livre de malícia. Quatro anos sem amor.
Quatro anos sem a certeza de um cheiro. Sem um sorriso familiar. Sem uma mão pra segurar quando você quer dividir os seus medos.
Quatro anos em que eu, em um primeiro momento, tentei me mostrar forte. Quatro anos vividos com o intuito de esquecer tudo o que se passou. Quatro anos de uma menina tentando se passar por mulher, e de alguém que não possuía o mínimo de maturidade emocional para seguir em frente sozinha. Quatro anos dividindo um teto com a angústia e a falta de amor-próprio.
E na noite de hoje eu resolvo assumir as rédeas da minha vida novamente. Declaro oficialmente minha libertação de toda essa sujeira que até então me amarrou a garganta. A partir de hoje, volto a ser a mesma menina que saiu daqui.
E mais um ciclo se encerra.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Recalque
"Essa gente que fala mal de mim. Aí, ó: tudo recalque!"
Valesca cantando "keep calm e deixa de recalque" é a consolidação oficial do que eu (carinhosamente) chamo de culpabilização do outro. É um fenômeno social que venho observando há alguns poucos anos, e que me deixa deveras intrigada sobre seu surgimento e consolidação. Já dizia o Bauman que vivemos em um mundo líquido, onde as interações sociais e as relações afetivas estão cada vez mais rápidas e menos estáveis. Percebi há tempos essa característica, que grita aos meus ouvidos cada vez que a vejo: culpar o outro pelos seus erros. Não é um fenômeno contemporâneo, tendo em vista que a prática de jogar a culpa em alguém vem sendo exercitada desde os primórdios da humanidade. Mas agora temos uma mutação dessa prática: não basta apenas jugar a culpa em um terceiro. O que as pessoas estão fazendo é atribuir um sentimento de mediocridade ao outro, fazendo com que este seja desacreditado e ridicularizado.
"Falam mal de mim porque me invejam"
Tem certeza de que te invejam? Vejo gente que não tem um pinto para dar água, vive uma vida cretina de tão ridícula e faz a vida falando que é invejada. Vão te invejar em quê, criatura? Invejar teu cabelo ruim? Invejar a tua casa caindo aos pedaços? Invejar teu emprego de salário mínimo? Invejar tuas roupas horrorosas que em nada lhe assentam? As pessoas invejam coisas bonitas, acredite. E eu não estou desmerecendo ninguém com isso: só acho que se olhar no espelho é bom de vez em quando, né.
Outra coisa: se as pessoas falam repetidamente sobre algo em você, é melhor reconsiderar. E eu não estou me referindo aos cabelos, roupas, peso ou corpo. Até porque eu seria extremamente hipócrita se eu dissesse para acreditar no que as pessoas falam sobre beleza e tal. Falo de atitudes que fazem quem você é. Será que vinte ou trinta pessoas que te falam algo estão erradas e só você que está certo?
Jogar a culpa no outro tentando ofuscar os seus defeitos é uma atitude mesquinha. É algo digno de quem não tem hombridade para reconhecer seus próprios defeitos e tentar mudá-los. Quem me acompanha de perto nos últimos três anos viu o quanto que eu mudei, o quanto que eu evoluí. Aprendi algumas coisas a duas penas, e não foi fácil ver as pessoas colocando o dedo na ferida e me apontando o problema. Acho que amadureci, no fim das contas. E acho que todo mundo deveria passar por esse processo também.
Um bom dia, meus negros lindos
xoxo
segunda-feira, 10 de março de 2014
Save your scissors
Mais uma segunda-feira pensando e refletindo e desejando não mais estar aqui. Mais uma segunda vazia, como todos sabem. Mas quando todos os dias são vazios já nem faz mais tanta diferença assim.
Guardar as cicatrizes para alguém que as mereça é realmente tão importante? Em que parte da história foi que minha imensidão se resumiu a uns poucos dados? Nome, idade, algumas fotos e três ou quatro palavras que facilmente me definem.Onde foi que escondi todas as minhas angústias, meus anseios, meu medo absurdo de mudar? Em quais caixas guardei minha sinceridade sem mesuras (ou tato, como preferirem chamar), minha vergonha gigante e minha despreocupação com o que pensam de mim?
Voltei em algumas esquinas pelas quais passei para tentar encontrar minha inocência, meu perdão fácil e meu sorriso frouxo. A viagem foi em vão.
Muito embora eu saiba que minhas novas características também constituem o meu "eu", algumas delas eu preferiria não ter adquirido. Qual a necessidade de tanta carência e de tanto desejo por aprovação? Pra quê tanto desejo de ser amada, tantas indagações sobre o futuro (que ninguém jamais saberá o que será)?
Parece que de uma hora para outra quem reinava absoluta caiu na mais profunda obsolência. E, novamente emergindo da plebe, volta para um posto que nem sabe mais se é tão merecedora assim. Algumas vezes nos atribuem responsabilidades que não são nossas. E são essas as mais pesadas. Tudo o que eu não escolhi e que me foi imposto. Tudo o que eu não queria, mas mesmo assim fizeram comigo.
Arrancaram minha pureza à tapas, me jogando no limbo do mundo real. Me atiraram em meio ao lixo da realidade, e assim que eu me vi perdida percebi o quão insignificante eu era em meio ao mundo (real ou não). Quem sou eu, além de mais uma?
Como se definir diferente de tantos outros que também buscam ser diferentes? Como mostrar sua individualidade cativante em meio a um mundo pasteurizado por ideias compradas em pacotes compactos (de 24 rolos)?
Questões existenciais que em nada contribuem para a minha melhora. Apenas mostram o quão perturbada eu sou por pensar em coisas assim em uma segunda-feira.
Uma boa noite, meus negros lindos.
xoxo
quinta-feira, 6 de março de 2014
Amores virtuais
A cada dia que passa surgem novos aplicativos destinados a encontros, com a promessa de "encontrar homens e mulheres interessantes e perto de você". Algumas redes, já consagradas, contam com milhões de usuários, procurando sabe-se lá o quê. Com tanta gente perto da gente, por qual motivo se procura um relacionamento dentro de uma rede virtual?
A facilidade da mentira na internet provavelmente seja a grande responsável por tanta gente sozinha. Com smartphones, tablets, notebooks, conexão 24h por dia com alguns milhares de amigos no facebook, como é possível sentir o peso da solidão? Como é possível sentir-se a pessoa mais isolada da face da terra, mesmo em um campus onde circulam cerca de oito mil pessoas todos os dias?
Criar uma vida virtual, na qual só se tem adjetivos bons e fotos bonitas, um cabelo arrumado, uma vida saudável e boas opiniões políticas. Criar uma imagem de boa moça, casta, inteligente, higiênica e sem vícios. Loira, magra, cabelos lisos, seios firmes porém fartos, preferencialmente virgem (mesmo aos 22 anos), que tenha horror à drogas e bebidas, que não saia de casa (porém não reclame quando seu consorte resolver sair com seus amigos para beber uma cerveja, afinal de contas ninguém é de ferro)
Criar padrões de um homem que seja moreno alto, bonito, sensual, (que seja a solução dos meus problemas), com um bom emprego, que vise um crescimento exponencial em poucos anos, estabilidade financeira (com um salário algo, claro), inteligente, que me ame sobre todas as coisas e que tenha todos os dentes dentro da boca. Cristão, de preferência, sem vícios, que deteste drogas, álcool e cigarro, que tenha bons hábitos de higiene, que não tenha nenhuma doença venérea, que ame cachorros, gatos e crianças.
Padrões tão absurdos, porém tão intrínsecos em nosso cotidiano, que caso alguém fuja a um ou dois detalhes já será descartado de cara.
Num desses novos aplicativos, o Tinder, a superficialidade (seria essa a palavra?) é tão escrachada que as únicas coisas que aparecem são o nome da pessoa, a idade, uma foto e as opções "passa" ou "pega". Sério mesmo que eu instalei isso no meu celular? Sério mesmo que eu, alguém que há anos milita contra a ditadura da beleza e os padrões ridículos impostos pela mídia (porém aceitos de braços abertos pela grande maioria das pessoas) usei esse aplicativo? As coisas vão ficando cada vez mais difíceis de contornar.
"Ai, mas eu não suporto homem gordo"
"Odeio gente que fuma"
"Tenho pavor de pernas peludas"
"Homem baixinho não me serve"
"Mulher alta é uó"
"Gosto de meninas baixinhas, magrinhas, cabelo liso, loiro de preferência. Claro que nenhum amigo meu pode ter pego, claro, porque ficar com mulher rodada não dá né rs rs rs "
Gosto é como cu, cada um tem o seu. E nesse ponto eu sou obrigada a concordar. Mas o que acontece quando todas as pessoas pensam iguais, afunilando seus ideais de forma a pensarem e desejarem exatamente o que a Tv (e o Youtube, e o Instagram, e o Facebook, e a PlayBoy) te oferecem?
Pessoas normais possuem vícios. Homens normais não possuem um pau de 30 cm (mole), o bíceps maior do que a sua perna e um sorriso perfeito. Mulheres normais possuem celulite, estrias, perna cabeluda e também peidam.
E sim, prefiro terminar o texto sendo curta e grossa do que continuar iludindo todo mundo.
A foto escolhida foi uma da Barbra Streisand. Linda, com uma voz magnífica e a vida toda atormentada para a realização de uma rinoplastia desnecessária. E, mais uma vez, comecei um texto de uma forma e terminei com mais um desabafo.
E uma boa tarde, meus negros lindos
xoxo
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Quem
Quem é que te conta como foi o dia, independente de ser sido de chuva ou de sol?
Quem é que te manda uma música qualquer, a qual você ouve (e às vezes demora a entender o significado)?
Quem é que não aceita de imediato as tuas desculpas, na vã esperança de que tu te arrependa ou pouquinho mais por ter sido tão imbecil?
Quem é que te conta o porquê de ler aquele livro?
Quem é que abre um sorriso cada vez que tu diz que não liga?
Quem é que te faz feliz?
Quem é que prende tua respiração, acelera teus batimentos cardíacos e te faz perder a razão dos teus atos?
Mesmo que um sorriso não baste. Mesmo que uma noite a mais seja a gota d'água para todas as outras (dezenas) de noites que se antecederam. Mesmo que o meu cheiro custe a sair do teu travesseiro. Ás vezes, um pedido de desculpas não é o suficiente para uma queda na realidade.
Quem é que te manda uma música qualquer, a qual você ouve (e às vezes demora a entender o significado)?
Quem é que não aceita de imediato as tuas desculpas, na vã esperança de que tu te arrependa ou pouquinho mais por ter sido tão imbecil?
Quem é que te conta o porquê de ler aquele livro?
Quem é que abre um sorriso cada vez que tu diz que não liga?
Quem é que te faz feliz?
Quem é que prende tua respiração, acelera teus batimentos cardíacos e te faz perder a razão dos teus atos?
Mesmo que um sorriso não baste. Mesmo que uma noite a mais seja a gota d'água para todas as outras (dezenas) de noites que se antecederam. Mesmo que o meu cheiro custe a sair do teu travesseiro. Ás vezes, um pedido de desculpas não é o suficiente para uma queda na realidade.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Completo
Aninha conheceu Otávio em um restaurante japonês. Enquanto aguardava no bar do local, viu aquele homem loiro recostado no balcão. Alto, altivo, elegante. Entre um gole de saquê e outro, foi prestando atenção aos pequenos detalhes de suas roupas. Ao focar em sua barba, sobe os olhos e percebe que ele também a olhava. Sorriu, enrubesceu e percebeu que havia encontrado o homem da sua vida. O próximo saquê, ofertado por ele, deu inicio a uma conversa longa sobre coisas simples da vida e pequenas atividades corriqueiras. A conversa, que se estendeu durante o jantar, foi terminar na cama de Aninha.
Otávio, extremamente educado, ligou no dia seguinte. Otávio mandou flores para Aninha durante a tarde (que foram deixadas sobre a mesa de secretária que ela ocupava em um escritório).
Otávio também ligou durante a noite, convidando-a para jantar em um restaurante italiano "Maravilhoso, completamente maravilhoso", foram as palavras utilizadas para descrever o restaurante. E realmente o era.
Durante aquela semana seguiram-se encontros diários, todos encerrados no pequeno apartamento de um quarto que Aninha ocupava no subúrbio da cidade. Após um mês de encontros diários, Aninha conta para a sua mãe que havia encontrado o homem da sua vida. Educado, bonito, elegante, com situação financeira estável e completamente solteiro. "Sem filhos, mãe. Sem filhos!". Um achado e tanto, considerando os trinta e oito anos que Aninha tinha passado sem encontrar um homem sequer que prestasse. E ele ainda gostava de seus dois gatos. Para casar, definitivamente. Otávio era um diamante encontrado em meio ao lixo.
Depois de mais de um mês de encontros casuais, passeios aos finais de semana e almoço de domingo, Aninha pergunta a Otávio se ele tinha perfil no Facebook. A resposta afirmativa seguiu-se da anotação de seu nome na rede social.
Aninha chega ao escritório na manhã seguinte, abre seu facebook e procura pelo nome que ele havia anotado no papel. Ao carregar a página, Aninha tem um susto. Com os olhos marejados, sai correndo em direção ao banheiro (onde fica chorando por cerca de três horas). Pede folga pelo resto da tarde, vai para casa e toma um porre de uma garrafa de vinho que ela ganhara na cesta de Natal do escritório. Durante a noite, quando Otávio lhe liga, ela dá o seu decreto. "Está tudo acabado, Otávio. Essa relação é completamente impossível depois do que eu vi hoje. Para mim, é o fim". Também pudera. Aninha jamais conseguiria ter seu perfil associado "em um relacionamento sério" com alguém que estudou na Instituição de ensino "COMPLETO".
Uma boa tarde, meus negros lindos
xoxo
Otávio, extremamente educado, ligou no dia seguinte. Otávio mandou flores para Aninha durante a tarde (que foram deixadas sobre a mesa de secretária que ela ocupava em um escritório).
Otávio também ligou durante a noite, convidando-a para jantar em um restaurante italiano "Maravilhoso, completamente maravilhoso", foram as palavras utilizadas para descrever o restaurante. E realmente o era.
Durante aquela semana seguiram-se encontros diários, todos encerrados no pequeno apartamento de um quarto que Aninha ocupava no subúrbio da cidade. Após um mês de encontros diários, Aninha conta para a sua mãe que havia encontrado o homem da sua vida. Educado, bonito, elegante, com situação financeira estável e completamente solteiro. "Sem filhos, mãe. Sem filhos!". Um achado e tanto, considerando os trinta e oito anos que Aninha tinha passado sem encontrar um homem sequer que prestasse. E ele ainda gostava de seus dois gatos. Para casar, definitivamente. Otávio era um diamante encontrado em meio ao lixo.
Depois de mais de um mês de encontros casuais, passeios aos finais de semana e almoço de domingo, Aninha pergunta a Otávio se ele tinha perfil no Facebook. A resposta afirmativa seguiu-se da anotação de seu nome na rede social.
Aninha chega ao escritório na manhã seguinte, abre seu facebook e procura pelo nome que ele havia anotado no papel. Ao carregar a página, Aninha tem um susto. Com os olhos marejados, sai correndo em direção ao banheiro (onde fica chorando por cerca de três horas). Pede folga pelo resto da tarde, vai para casa e toma um porre de uma garrafa de vinho que ela ganhara na cesta de Natal do escritório. Durante a noite, quando Otávio lhe liga, ela dá o seu decreto. "Está tudo acabado, Otávio. Essa relação é completamente impossível depois do que eu vi hoje. Para mim, é o fim". Também pudera. Aninha jamais conseguiria ter seu perfil associado "em um relacionamento sério" com alguém que estudou na Instituição de ensino "COMPLETO".
Uma boa tarde, meus negros lindos
xoxo
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Um Rei e um Zé
Tem um ditado que diz "Felizes são os ignorantes". Poucas foram as vezes que ouvi frase mais sábia do que essa. Felizes são aqueles que trabalham por seu salário mínimo, contam o dinheiro para o "rancho", assistem a novela com fervor religioso e acreditam em tudo que está na TV. Felizes são as pessoas que vivem reclusas em suas bolhas de ignorância e sequer sabem o que a vida tem a oferecer.
Eu, ao sair dessa bolha, assumi toda a responsabilidade que o peso do conhecimento nos tráz. Ao perfurar a minha realidade obsoleta e saltar para a imensidão da vida real tive plena certeza de que nunca mais seria feliz em toda a minha vida. Não aquela felicidade bovina, de contentar-se com o que lhe é oferecido. Nunca mais teria a felicidade de não questionar, de acreditar piamente nos meus superiores e de achar que teria um único amor para a vida inteira.
Minha busca desenfreada pelo "ter mais" apenas começa. Ter mais conhecimento. Ter mais dinheiro. Ter mais viagens colecionadas. Ter mais amigos. Ter mais estabilidade. Ter mais. Mais. MAis. MAIs. MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS
Que tipo de pessoa eu me tornei, meu Deus? Por que cargas d'água vim parar aqui?
Já dizia Apanhador Só:
Um rei me disse que quem deixa ir tem pra sempre.E me contou que só foi rei porque pensava assim: Tão diferente. E eu, que andava assim tão zé, deixei que tudo fosse e decidi olhar pra frente, mas não vi nada. E o rei me disse:"A pressa esconde o que já é evidente. Foi do meu lado que eu achei o que me fez assim, tão diferente." E eu, que corria assim tão zé, deixei que tudo fosse e decidi mudar de frente, mas não vi nada.
Não leve a mal, eu só queria poder ter outra filosofia, mas não nasci pra conversar com rei.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Tipos de Homem
Uma das minhas muitas manias estranhas é ficar imaginando que para cada pessoa existe um certo tipo de homem. Já tive minhas muitas fases: aquela em que o homem ideal era bonito, inteligente, me amasse acima de todas as coisas e fosse fiel. O quesito beleza caiu por terra um tempo depois e descobri que estabilidade financeira e simpatia eram muito mais importantes do que ter uma carinha bonita.Com um pouco mais de experiência e amadurecimento descobri tipos físicos que me atraiam mais: primeiro os loiros com olhos azuis, depois os altos, algum mulato que me chamasse atenção e o rato-de-academia-mega-sarado.
Hoje em dia as únicas coisas que valorizo de verdade é a disponibilidade de tempo do cara para o relacionamento e a fidelidade dele para comigo. De que adianta o cara ser boy magia e nunca te ligar? Ou então ser educado, elegante, simpático, inteligente e passar o rodo em cada micareta que ele vai?
Não idealizo mais um "príncipe encantado". Quero apenas alguém que me trate bem, tenha todos os dentes dentro da boca (rs), tenha tempo para nós e que queira crescer na vida. Talvez sejam pré-requisitos demais, talvez não. Mas aguardemos em Cristo que nosso dia chegará, mulherada! Uma hora aparece aquele amor para chamar de meu.
Uma boa noite, meus negros lindos
xoxo
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Dois patinhos na lagoa!
E lá se foram vinte e dois aninhos, que passaram na velocidade da luz. Lembro-me de que quando eu tinha treze, catorze anos, meu sonho era ter meus vinte e tantos. Mal sabia eu a furava em que eu estava me metendo.
Uma das coisas mais difíceis, ao meu ver, é falar de mim mesma. Ninguém convive tanto comigo quanto eu mesma, mas eu, acostumada a mentir para mim mesma e a tentar me enganar, possuo um olhar viciado para os meus erros. Me considero uma das pessoas mais controvertidas do mundo. Não diria bipolar, porque acho um termo meio exagerado (assim como eu). Aos poucos vou me acalmando, deixando de ser assim tão xucra, assim tão revoltada, assim tão achando que o mundo inteiro está de cabeça para baixo e que cabe a mim, salvadora da humanidade (e mera mortal), fazer com que as pessoas abram seus olhos para o que se passa ao redor. Apaixonada por músicas, gatinhos e café. Faço questão de parecer inabalável, inatingível, mas em poucos segundos desabo se vejo um sorriso de uma criança. Sim, sou apaixonada por crianças. Meu instinto materno ( o qual eu refreio com muito custo) aflora a cada mãozinha pequena, cada passinho desajeitado, cada sorriso inocente e cada olhar puro e inquieto.
Injustiça, taí uma coisa que odeio. Não consigo ver alguém sendo feito de bobo sem tomar partido. Acabo comprando brigas alheias, colecionando inimizades e deixando meu nome cada vez mais vulgar. Mas, afinal de contas, o que é uma pessoa a mais falando mal de mim? Só me machuca quando são pessoas próximas, pois essas sim me fazem desconfiar de que tenho feito algo de errado.
Por mais bobo que pareça, fico feliz em seguir o meu caminho. Porque ele é MEU, ninguém o escolheu (além de mim), ninguém me impôs, ninguém gritou mais alto do que eu . Fazendo errado ou não, eu sigo fazendo o que posso para ser feliz.
"Não há razão para tanto medo. Os dias não vão em vão. Se o teu vídeo não virou viral, valeu a festa. Se o teu astral não vai assim tão bem, vá ler um livro. Um grande dragão não mete medo se o herói for Dom Quixote. Se o teu traço não é assim tão bom, valeu o risco. Se a tua história vem do coração, valeu a pena. Um cavaleiro morre, o nome dele não. O tempo escorre, dias não são em vão. "
Um bom dia, meus negros lindos
xoxo
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Vem e vai
É quase como uma maré, que vai e volta.... ininterruptamente.
Algumas vezes nem percebo que chegou. Só meu dou conta de sua presença dias depois, quando ele já ocupou minha cabeça de tal forma que só consigo pensar nele. Outras vezes ele vem como uma onda incontrolável. O que resta é esperar e tentar fazer de conta que ele não está ali. Ele tem uma necessidade compulsiva de atenção.
Mas o pior é quando dói. Começa como uma dor fininha, aguda e persistente. Aos poucos vai ficando mais forte, mais ousada, a ponto de rasgar meu peito e todas as promessas que fiz a mim mesma de não mais chorar.
E da mesma forma que ele chegou ele vai embora, levando consigo mais uma meia-dúzia de promessas vãs e a esperança de que ele não mais retorne.
Mas ele volta... ele sempre volta.
E eu sempre busco uma maneira de deixá-lo de lado (definitivamente).
Talvez as pessoas não vejam. Talvez as pessoas não querem ver. Ou talvez seja mais cômodo não falar sobre isso. A dor alheia é pequena demais para a tomarmos para si. É melhor cruzar a calçada e passar pelo outro lado, para não sentir o cheiro inconfundível que emana de um coração solitário.
Algumas vezes nem percebo que chegou. Só meu dou conta de sua presença dias depois, quando ele já ocupou minha cabeça de tal forma que só consigo pensar nele. Outras vezes ele vem como uma onda incontrolável. O que resta é esperar e tentar fazer de conta que ele não está ali. Ele tem uma necessidade compulsiva de atenção.
Mas o pior é quando dói. Começa como uma dor fininha, aguda e persistente. Aos poucos vai ficando mais forte, mais ousada, a ponto de rasgar meu peito e todas as promessas que fiz a mim mesma de não mais chorar.
E da mesma forma que ele chegou ele vai embora, levando consigo mais uma meia-dúzia de promessas vãs e a esperança de que ele não mais retorne.
Mas ele volta... ele sempre volta.
E eu sempre busco uma maneira de deixá-lo de lado (definitivamente).
Talvez as pessoas não vejam. Talvez as pessoas não querem ver. Ou talvez seja mais cômodo não falar sobre isso. A dor alheia é pequena demais para a tomarmos para si. É melhor cruzar a calçada e passar pelo outro lado, para não sentir o cheiro inconfundível que emana de um coração solitário.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Funk, Valesca Popozuda e essa gente com falta de cultura
E eis que o funk explode no cenário nacional. O que antes era tido como um movimento das favelas, de gente pobre e sem acesso à bens materiais caros, hoje em dia enriquece uma meia dúzia de MC's que falam sobre carros de luxo, mansões com orgias de mulheres e bebidas e cordões de ouro. Mas eu acho que já vi esse filme.... alguém se arrisca a palpitar? Quem pensou no rap americano, acertou. Um movimento que mudou sua estrutura, suas letras e a vida de uns poucos afortunados.
Outra pessoinha que despontou do nada na televisão e ganhou o carisma de uns (e a fúria de muitos) foi a Valesca Popozuda, que não apenas diz que sua pussy é o poder como também consegue fazer o clipe musical brasileiro mais caro de todos os tempos.
Então, aqui no sul do sul, a gurizada começa a escutar em suas caixinhas de som (enquanto andam de bicicleta) esse tipo de música. E eis que surge (de dentro da universidade [e do facebook]) um bando de gente falando que isso não é cultura, que é baixaria e etc. Dizem que não é cultura porque os mc's cantam sobre uma realidade que não é a da favela. Mas essas mesmas pessoas que falam isso são podres de ricos e escutam Emicida, idolatrando o cara. Mas.... calma aí. Quantos de vocês já viram uma favela? Já entraram em uma? Já passaram fome algum dia?
Ainda falo mais: dizem que funk não é cultura mas nunca leram algo mais complexo do que a Veja. Shakespeare passou longe desse corpo. Machado de Assis? Érico Veríssimo? José de Alencar? É que nem caviar: nunca viu nem leu, só ouve falar.
Então keep calm e deixa de recalque, meu povo. Chega de falar que funk não é cultura, que novela aliena, que telejornal emburrece. Eu assisto novela, BBB, ouço funk e nem por isso deixo de ser uma das pessoas que mais lêem no meu círculo de amizades. Chega de achar que só o que presta é o que vem de fora, até porque as musiquinhas que ouço vocês cantarolando (em inglês) possuem a letra bem parecida com as do mc guimê.
Uma boa tarde, meus negros lindos
xoxo
Outra pessoinha que despontou do nada na televisão e ganhou o carisma de uns (e a fúria de muitos) foi a Valesca Popozuda, que não apenas diz que sua pussy é o poder como também consegue fazer o clipe musical brasileiro mais caro de todos os tempos.
Então, aqui no sul do sul, a gurizada começa a escutar em suas caixinhas de som (enquanto andam de bicicleta) esse tipo de música. E eis que surge (de dentro da universidade [e do facebook]) um bando de gente falando que isso não é cultura, que é baixaria e etc. Dizem que não é cultura porque os mc's cantam sobre uma realidade que não é a da favela. Mas essas mesmas pessoas que falam isso são podres de ricos e escutam Emicida, idolatrando o cara. Mas.... calma aí. Quantos de vocês já viram uma favela? Já entraram em uma? Já passaram fome algum dia?
Ainda falo mais: dizem que funk não é cultura mas nunca leram algo mais complexo do que a Veja. Shakespeare passou longe desse corpo. Machado de Assis? Érico Veríssimo? José de Alencar? É que nem caviar: nunca viu nem leu, só ouve falar.
Então keep calm e deixa de recalque, meu povo. Chega de falar que funk não é cultura, que novela aliena, que telejornal emburrece. Eu assisto novela, BBB, ouço funk e nem por isso deixo de ser uma das pessoas que mais lêem no meu círculo de amizades. Chega de achar que só o que presta é o que vem de fora, até porque as musiquinhas que ouço vocês cantarolando (em inglês) possuem a letra bem parecida com as do mc guimê.
Uma boa tarde, meus negros lindos
xoxo
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Olho de gata
"E quando ela passa eu acho tudo massa, e é só ela que tem graça (e é só ela)
E quando ela veio me acertou em cheio! E eu caía em devaneio, e eu caía...."
A chuva forte da noite anterior esburacou todas as ruas da praia. Nada além do comum: bastam alguns pingos a mais para deixar todos os moradores ilhados. O quarto, quente e embaçado, era um convite para ficar na cama. "Hora de acordar e encarar a vida. De novo. E não me olhe com esses olhos julgadores porque tu pode ficar dormindo o dia todo, seu ingrato!" O pobre gato limitou-se a virar para o lado e dormir novamente. Olha o relógio. Oito da manhã. "Droga. Vou ter de caminhar até a faixa e pegar um ônibus qualquer. Depois, mais quinze minutos de caminhada". Confere a carteira: dois reais. O suficiente para comprar um pão de queijo, mas não uma passagem. O que restava era pedir carona e torcer para alguma alma caridosa apiedar-se dela.
Veste-se com pressa, ajustando as diversas blusas umas sobre as outras. Caminha quinze minutos (longos e ofegantes). "Tenho que largar essa merda de cigarro!". Para na faixa e estende o dedo. Uma chuva fina começa a cair. Um carro grande, esportivo, para um pouco mais a frente. O vidro escurecido desce e revela o rosto de um homem bonito. Trinta e poucos anos, talvez. Não mais do que isso. O sorriso simpático a atrai e ela entra, envergonhada. "Vais para a faculdade?" "Sim, atrasadíssima!" Começam a conversar e ele conta muitas coisas: médico, também estudara ali alguns anos atrás. Certa vez ele até contabilizou as horas que gastou dentro de ônibus quando saía de sua casa e ia até o centro. Pediatra, pelo que lembra. Muito simpático, contou-lhe que gosta de escrever cartas. "Eu tenho um blog", lhe dissera. "Eu também." Seu olhar lhe parecia curioso, interessado em saber mais sobre ela.
A viagem de vinte minutos acaba. Ela lhe diz seu nome completo, e ele faz o mesmo.
Encontrou-o dias depois no Facebook. Deixou-lhe um recado (visualizado, porém nunca respondido).
Quem sabe um dia voltem a conversar. Quem sabe um dia ela ganhe um buquê de rosas e uma carta (porém não dele). Quem sabe um dia ele lembre da menina da carona, que possuía muitos sonhos e nenhum dinheiro. Quem sabe...
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Invisible
Palavras inaudíveis ditas por um certo alguém invisível. Ninguém ouve esse grito de desespero? Ninguém percebe o pobre animal debatendo-se, agoniando em meio à sua solidão? Um gemido surdo, pressuponho.
Tantos outros gritando bobagens à sua volta; Tantos que nada têm a dizer mas mesmo assim não se calam; Tantos sorrisos falsos que não há como ver essas lágrimas verdadeiras.
Não há como perceber o tamanho do fardo que cada um carrega dentro de si mesmo. Todo o peso do mundo pode caber dentro de umas poucas palavras não ditas. E como conviver com um sorriso que não é enviado a você? "You don't want to be alone"...
Ninguém o quer, convenhamos. Quem aguenta a solidão? Como suportar o peso de uma noite (uma semana, um mês, um ano...) sozinho? Os que afirmam suportar, na verdade, estão com umas poucas estacas de segurança e o teto ameaça desabar sobre suas cabeças. Mas todos fingem não ver isso. "And now you're on your own.... won't you come back home?"
A vontade de voltar para casa por vezes supera a vontade de vencer, de mudar, de crescer. Mas e quando não se tem um lar de verdade? Quando nem a sua casa parece sua? Aquelas paredes (vistas por anos a fio) agora parecem julgar: você não é daqui. Este não é mais o seu lugar. Vá embora.
Tantos segredos escondidos dentro de quatro paredes. Tantas lágrimas e tantos sorrisos vivenciados por aquelas tábuas de madeira diagonais. Algumas noites de amor (que naquela época realmente era puro), algumas poucas cartas com palavras vazias e uma única promessa: não mais voltar. Não mais voltar para ele. Não mais voltar para aquela casa. Não mais voltar para aquela cidade.
Talvez a chacota da derrota seja pífia se colocada ao lado do medo da mudança. Todos os abraços não dados não são nem um quarto da dor que se sente dentro do seu quarto.
Levantar a cabeça com a mesma promessa (vazia?): dessa vez vai ser diferente.
Mas não foi.
Trocas
Nasci e cresci em um mundo no qual as pessoas são facilmente substituíveis, trocáveis, descartáveis. Amores de plástico e amizades de papel, que nada duram, que em nada acrescentam, que valor algum possuem. Um círculo fechado e seleto, que te faz pensar ser especial quando, na verdade, o único valor que você carrega consigo é o de ser novidade. "Carne fresca", como dizem. O cheiro da novidade atrai os lobos e leoas famintos, em busca de uma nova alma da qual possam se alimentar. Te colocam em um pedestal; na verdade, não passa de um altar de oferendas ao deus do Vazio, na qual o sacrifício é você.
Esse mundo te faz ficar pior a cada dia que passa. Lembra de como você chegou aqui? Um rosto jovem, um sorriso fácil e umas poucas malas cheias de sonhos. Adentrou o templo no tempo certo: ainda jovem; ainda fresco; ainda inocente. Eu também cheguei assim. Um coração remendado de duas grandes decepções e uma esperança de recomeço. "É dada a hora da mudança". Mal sabia eu que a mudança seria para pior. O terceiro ano começa e tudo o que eu fiz até hoje foi colecionar amarguras, lágrimas, desafetos e vícios. De cara já alerto que não é culpa minha: todos ficam assim quando chegam. Os vícios daqui são uma espécie de boia que te faz ficar acima das ondas; é a corda que te liga com a realidade e o bom-senso. Sem eles, seria fácil demais submergir e ali ficar para todo o sempre. Alguns se agarram de forma tão firme nessa boia que acabam furando-a e afundando por causa dela. Outros, como eu, apenas a seguram com uma mão, para ter a certeza de que tudo fica bem (no final). O problema é que quando estamos tristes tudo demora mais para passar, e o final parece cada vez mais distante.
Depois que os amigos artificiais te sacrificam e vão-se embora (pois lobos e leões sempre saem em bando para caçar novas presas), a única coisa que te resta é deixar-se ficar abatido e apático ou tornar-se predador. Como sempre fui um ser de reação rápida e pouco tato para coisas superficiais, saio em busca de presas para mim, enquanto meus raptores me julgam e me condenam por abater umas poucas ovelhas doentes.
Entre permanecer ovelha pelo resto da vida e tornar-me uma leoa com fama de cruel,escolho a segunda opção (por uma questão de princípios). Sempre tive nojo de coitadinhos, de apáticos, de gente com falta de vontade.
Agora observe ao seu redor as matilhas de lobos, de hienas, de leões: quantos estão rindo de você e quantos estão pensando em te devorar nesse exato momento?
Esse mundo te faz ficar pior a cada dia que passa. Lembra de como você chegou aqui? Um rosto jovem, um sorriso fácil e umas poucas malas cheias de sonhos. Adentrou o templo no tempo certo: ainda jovem; ainda fresco; ainda inocente. Eu também cheguei assim. Um coração remendado de duas grandes decepções e uma esperança de recomeço. "É dada a hora da mudança". Mal sabia eu que a mudança seria para pior. O terceiro ano começa e tudo o que eu fiz até hoje foi colecionar amarguras, lágrimas, desafetos e vícios. De cara já alerto que não é culpa minha: todos ficam assim quando chegam. Os vícios daqui são uma espécie de boia que te faz ficar acima das ondas; é a corda que te liga com a realidade e o bom-senso. Sem eles, seria fácil demais submergir e ali ficar para todo o sempre. Alguns se agarram de forma tão firme nessa boia que acabam furando-a e afundando por causa dela. Outros, como eu, apenas a seguram com uma mão, para ter a certeza de que tudo fica bem (no final). O problema é que quando estamos tristes tudo demora mais para passar, e o final parece cada vez mais distante.
Depois que os amigos artificiais te sacrificam e vão-se embora (pois lobos e leões sempre saem em bando para caçar novas presas), a única coisa que te resta é deixar-se ficar abatido e apático ou tornar-se predador. Como sempre fui um ser de reação rápida e pouco tato para coisas superficiais, saio em busca de presas para mim, enquanto meus raptores me julgam e me condenam por abater umas poucas ovelhas doentes.
Entre permanecer ovelha pelo resto da vida e tornar-me uma leoa com fama de cruel,escolho a segunda opção (por uma questão de princípios). Sempre tive nojo de coitadinhos, de apáticos, de gente com falta de vontade.
Agora observe ao seu redor as matilhas de lobos, de hienas, de leões: quantos estão rindo de você e quantos estão pensando em te devorar nesse exato momento?
sábado, 25 de janeiro de 2014
Doce
Mais um dia amargo. Mais um dia que não terminou bem. Cansou de dizer que esse lugar deixa as pessoas piores. A cada ano que passava tornava-se mais amarga, mais triste, mais fechada em seu próprio mundo.
Parecia totalmente dona de si mesma, mas bastava entrar em meio à multidão para que qualquer observação mais atenta percebesse os olhos furtivos, esquivos, que procuravam (em vão) um rosto conhecido, um rosto amigo, um rosto qualquer.
E da vida qualquer ela bem entendia. O cigarro, vício maldito e companheiro inseparável, era a âncora que a prendia ao mundo real. But this is a real life?
E quando nem os rostos que pareciam amigáveis realmente o eram? E nem as pessoas que pareciam sinceras o eram. E nem os corações (que se diziam partidos) realmente estavam à procura de uma cura qualquer.
Placebo, era disso que vivia. Gastava seus dias em busca de um alguém em quem jogar a culpa.
Doce. Olhos doces. Olhos assustados.
Onde anda o ser doce que ela conhecia?
Enquanto o lado doce não volta, os olhos amargos e agora feridos continuam à espreita, em alguma viela qualquer da vida. Mais uma amizade perdida, mais um litro de vodka, mais uma carteira de marlboro, mais uma noite insone e regada de lágrimas. Mais uma alma sã que foi embora para não mais voltar.
E assim, se deixando levar pela onda de leviandade que emanava daquele lugar, foi parar na beira da praia. Mais uma vez ela aprendeu a levantar e a jogar a culpa em alguém. E mais um coração doce se perdeu...
Parecia totalmente dona de si mesma, mas bastava entrar em meio à multidão para que qualquer observação mais atenta percebesse os olhos furtivos, esquivos, que procuravam (em vão) um rosto conhecido, um rosto amigo, um rosto qualquer.
E da vida qualquer ela bem entendia. O cigarro, vício maldito e companheiro inseparável, era a âncora que a prendia ao mundo real. But this is a real life?
E quando nem os rostos que pareciam amigáveis realmente o eram? E nem as pessoas que pareciam sinceras o eram. E nem os corações (que se diziam partidos) realmente estavam à procura de uma cura qualquer.
Placebo, era disso que vivia. Gastava seus dias em busca de um alguém em quem jogar a culpa.
Doce. Olhos doces. Olhos assustados.
Onde anda o ser doce que ela conhecia?
Enquanto o lado doce não volta, os olhos amargos e agora feridos continuam à espreita, em alguma viela qualquer da vida. Mais uma amizade perdida, mais um litro de vodka, mais uma carteira de marlboro, mais uma noite insone e regada de lágrimas. Mais uma alma sã que foi embora para não mais voltar.
E assim, se deixando levar pela onda de leviandade que emanava daquele lugar, foi parar na beira da praia. Mais uma vez ela aprendeu a levantar e a jogar a culpa em alguém. E mais um coração doce se perdeu...
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Bullying, recreio e sabonete anti-bacteriano
Hoje em dia a palavra "bullying" já faz parte do cotidiano de todo mundo. De forma muito abrupta, ela entrou no vocabulário escolar, jornalístico, universitário e pseudo-pedagógico para ilustrar o ato de agressão contra alguém. Na minha infância, quando alguém me chamava de gorda, não era "bullying", era apelido. E quando eu chamava alguém de burro, nanico, magricela ou viado também o era. Na minha infãncia, quando as crianças cantavam "gorda, baleia, saco de areia, caiu na piscina de bunda pra cima" não era bullying, era brincadeira. E quando eu cagava as gurias a pau no banheiro da escola também era brincadeira. As coisas se resolviam, em sua maioria, por conta própria, sem intervenção de pais e professores. Foi dolorido? Claro que foi! Mas eu aprendi a não apanhar calada e a me defender.
Na minha infância, quando eu ia brincar na mesma areia que os cachorros na vila faziam xixi e pegava uma virose, em uma semana de soro fisiológico tava tudo resolvido. Eu nunca tinha tomado banho com protex até os meus 20 anos, porque não precisava (e nem queria). Coisa legal era pegar bicho geográfico na mão: as trilhas que ele ia fazendo pela minha palma ficavam ali por dias, até a mãe se ligar do porquê eu estar escondendo a mão dela e me obrigar a passar uma pomada qualquer. Férias na casa da vó? Sinônimo de bicho de pé. Em março havia mil buracos na sola dos meus pés. Alguns eu mesma tirava (achava aquilo demais); os outros, mais profundos, que a mãe tirava com uma agulha (gigantesca) traziam consigo um fiasco de alertar a vizinhança inteira. "parece que tão espancando essa guria!". "que nada! Guria fiasquenta! Só tô tirando um bicho de pé! Já falei que se ela não deixar eu levo no hospital, aí sim vai doer!". Pior do que bicho de pé era farpa de madeira debaixo da unha. Elas ganhavam um apelido carinhoso de "felpa", as quais a mãe tirava com o maior cuidado enquanto eu comia uma fatia de pão caseiro recém feito.
Meus joelhos hoje comprovam a quantidade absurda de tombos que caí. Minhas pernas nunca foram de "mocinha": sempre em carne-viva, com arranhões no joelho e picadas de insetos. E eu estava cagando para as cicatrizes. Aliás, as cicatrizes de catapora (que eu peguei na quinta série) ainda marcam meu rosto e meu corpo. E que coisa bem boa que era coçar as feridas!
Vou nem falar dos piolhos. Sempre tive a sorte de ter "sangue doce" e ser a criança mais piolhenta da escola. "Que raiva! Depois vão achar que eu não dou banho nesse inço, porque tá toda vida minada de piolho. Senta aqui guria, que vou passar o pente-fino pra tirar esse carnaval da tua cabeça!"
Lembro de uma vez, que ganhei um patinete e me quebrei dez minutos depois. Desci a lomba da rua de cima a todo pau, e como não sabia frear acabei aterrizando três metros longe do patinete, em cima de um monte de brita. Nunca mais andei naquela merda. Mentira. No dia seguinte já estava apostando corrida na mesma lomba maldita.
Outra vez, coloquei uma roupa branquinha (ia sair com meus pais), peguei minha bici e me larguei pro mercado (morro abaixo), pra comprar sabe-se Deus o quê. Acabei dentro de um buraco de barro (aberto pela Corsan no meio da rua), lavada de barro e merda dos pés à cabeça. Pior foi tentar desatolar a bici, que também tava toda cagada. A calça nunca mais ficou branca.
Quando a gente brigava na escola, era só se cagar a pau na hora da saída que tava tudo resolvido. E quando a guria era muito maior do que eu, meu pai me buscava, dando risada da minha cara e me chamando de cagona. Porque se eu apanhasse na rua, em casa eu apanharia de novo pra deixar de ser besta.
E hoje eu tô aqui. Bem gordinha. Bem criada. Sei me defender do mundo e não tenho medo de apanhar da sociedade (coisa que acontece todo dia). Já dizia MD2: um dia a gente perde, e no outro a gente apanha.
E eu nunca vou dar banho nos meus filhos com protex.
Na minha infância, quando eu ia brincar na mesma areia que os cachorros na vila faziam xixi e pegava uma virose, em uma semana de soro fisiológico tava tudo resolvido. Eu nunca tinha tomado banho com protex até os meus 20 anos, porque não precisava (e nem queria). Coisa legal era pegar bicho geográfico na mão: as trilhas que ele ia fazendo pela minha palma ficavam ali por dias, até a mãe se ligar do porquê eu estar escondendo a mão dela e me obrigar a passar uma pomada qualquer. Férias na casa da vó? Sinônimo de bicho de pé. Em março havia mil buracos na sola dos meus pés. Alguns eu mesma tirava (achava aquilo demais); os outros, mais profundos, que a mãe tirava com uma agulha (gigantesca) traziam consigo um fiasco de alertar a vizinhança inteira. "parece que tão espancando essa guria!". "que nada! Guria fiasquenta! Só tô tirando um bicho de pé! Já falei que se ela não deixar eu levo no hospital, aí sim vai doer!". Pior do que bicho de pé era farpa de madeira debaixo da unha. Elas ganhavam um apelido carinhoso de "felpa", as quais a mãe tirava com o maior cuidado enquanto eu comia uma fatia de pão caseiro recém feito.
Meus joelhos hoje comprovam a quantidade absurda de tombos que caí. Minhas pernas nunca foram de "mocinha": sempre em carne-viva, com arranhões no joelho e picadas de insetos. E eu estava cagando para as cicatrizes. Aliás, as cicatrizes de catapora (que eu peguei na quinta série) ainda marcam meu rosto e meu corpo. E que coisa bem boa que era coçar as feridas!
Vou nem falar dos piolhos. Sempre tive a sorte de ter "sangue doce" e ser a criança mais piolhenta da escola. "Que raiva! Depois vão achar que eu não dou banho nesse inço, porque tá toda vida minada de piolho. Senta aqui guria, que vou passar o pente-fino pra tirar esse carnaval da tua cabeça!"
Lembro de uma vez, que ganhei um patinete e me quebrei dez minutos depois. Desci a lomba da rua de cima a todo pau, e como não sabia frear acabei aterrizando três metros longe do patinete, em cima de um monte de brita. Nunca mais andei naquela merda. Mentira. No dia seguinte já estava apostando corrida na mesma lomba maldita.
Outra vez, coloquei uma roupa branquinha (ia sair com meus pais), peguei minha bici e me larguei pro mercado (morro abaixo), pra comprar sabe-se Deus o quê. Acabei dentro de um buraco de barro (aberto pela Corsan no meio da rua), lavada de barro e merda dos pés à cabeça. Pior foi tentar desatolar a bici, que também tava toda cagada. A calça nunca mais ficou branca.
Quando a gente brigava na escola, era só se cagar a pau na hora da saída que tava tudo resolvido. E quando a guria era muito maior do que eu, meu pai me buscava, dando risada da minha cara e me chamando de cagona. Porque se eu apanhasse na rua, em casa eu apanharia de novo pra deixar de ser besta.
E hoje eu tô aqui. Bem gordinha. Bem criada. Sei me defender do mundo e não tenho medo de apanhar da sociedade (coisa que acontece todo dia). Já dizia MD2: um dia a gente perde, e no outro a gente apanha.
E eu nunca vou dar banho nos meus filhos com protex.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Devolução Eletrônica
Uma carta...
Uma solicitação...
Um coração pulsante...
Um novo sentimento...
Uma emoção...
Uma carência que toma conta...
Hoje foi mais um dia quente e abafado, tudo que eu queria era chegar em casa, ligar todos os ventiladores e me deitar em minha cama, queria.
Amor e caos
Entre espalhar amor e espalhar o caos, fico com o amor por uma questão prática. Amor gera caos, mas a recíproca não é verdadeira. Como sempre fui acomodada, escolho essa opção por ser a mais simples.
O amor surge como um tsunami, que primeiro deixa tudo mais tranquilo, mas ereto, mas liso, para sugar todas as tuas barreiras e te inundar por completo. Te traz uma tormenta por segundo, do mais simples cheiro à mais arrebatadora lembrança.
Logo eu, que sempre fui tão ereta e tão senhora de mim mesma. Logo eu, que sempre tinha uma resposta pronta na ponta da língua. Logo eu, que não gaguejava em frente às grandes multidões, mesmo que estivesse contando a mais escabrosa mentira. Logo eu, que nunca suei frio e nunca tive medo de matar um (dois, três) leões todos os dias, me vi acuada como uma menina assustada.
Logo eu, que jamais sonhei em escolher palavras antes de as proferi-las (o que me trouxe a fama de ser extremamente grossa), me vi sem saber o que dizer.
Logo eu, que discursava aos quatro ventos, achei mais simples escrever do que falar.
Como alguém tão simples pode deixar alguém tão acuada?
Me vi perdida, sem saber o que fazer.
Logo eu, acostumada com a frivolidade, a imparcialidade, a falta de amor e a superficialidade, me vi presa a algo lento, demorado, teimoso e sem sentido. Muito mais fácil é vestir a roupa e ir embora sem me despedir do que dar-te um oi todos os dias. Mais confuso ainda é quando tento me fazer entender. As palavras voam para longe, e as frases ríspidas (que outrora me davam cobertura), esvaecem para longe, me deixando completamente nua perante ti.
Não interprete como loucura, por favor. Interprete apenas como um breve torpor que o caos iminente nos dá.
O amor surge como um tsunami, que primeiro deixa tudo mais tranquilo, mas ereto, mas liso, para sugar todas as tuas barreiras e te inundar por completo. Te traz uma tormenta por segundo, do mais simples cheiro à mais arrebatadora lembrança.
Logo eu, que sempre fui tão ereta e tão senhora de mim mesma. Logo eu, que sempre tinha uma resposta pronta na ponta da língua. Logo eu, que não gaguejava em frente às grandes multidões, mesmo que estivesse contando a mais escabrosa mentira. Logo eu, que nunca suei frio e nunca tive medo de matar um (dois, três) leões todos os dias, me vi acuada como uma menina assustada.
Logo eu, que jamais sonhei em escolher palavras antes de as proferi-las (o que me trouxe a fama de ser extremamente grossa), me vi sem saber o que dizer.
Logo eu, que discursava aos quatro ventos, achei mais simples escrever do que falar.
Como alguém tão simples pode deixar alguém tão acuada?
Me vi perdida, sem saber o que fazer.
Logo eu, acostumada com a frivolidade, a imparcialidade, a falta de amor e a superficialidade, me vi presa a algo lento, demorado, teimoso e sem sentido. Muito mais fácil é vestir a roupa e ir embora sem me despedir do que dar-te um oi todos os dias. Mais confuso ainda é quando tento me fazer entender. As palavras voam para longe, e as frases ríspidas (que outrora me davam cobertura), esvaecem para longe, me deixando completamente nua perante ti.
Não interprete como loucura, por favor. Interprete apenas como um breve torpor que o caos iminente nos dá.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Café amargo, café doce, café.
Sempre odiei café com açúcar. Meu café favorito sempre foi preto, sem um pingo de açúcar ou leite. Não me pergunte o porquê disso, que não sei responder. Talvez porque gosto de sentir o sabor verdadeiro do café, a pureza (ou não) do sabor em contato com o palato. Basta o cheiro de café com leite para que eu fique enjoada, sentindo meu estômago reverberando só de pensar em beber aquilo. Sequer a cor me agrada: é uma cor sem definição, uma cor insegura, uma cor sem cor.
Já o açúcar no café me faz sentir basicamente as mesmas coisas, com a diferença de que não basta olhar para o café para saber se há açúcar ali ou não. É preciso arriscar e provar. E o susto do gosto doce no meu café me decepciona. Me faz sentir boba, enganada, trapaceada. Café com adoçante é ainda pior: considero o adoçante uma mentira das mais feias. A princípio, o gosto doce te confunde e te faz pensar que é açúcar, mas aquele rastro amargo que ele deixa no fundo da língua te sussurra ao pé do ouvido : você está sendo enganado. Você está se enganando.
Mas, por uma ironia do destino, eis que surge na minha vida uma pessoa que me dá um mocaccino. Eu odeio mocaccino. Essa mistura sem nexo de sabores, essa indefinição de textura, de gosto. Eca. Mas, para não fazer desfeita, bebi o raio do pseudo-café. E gostei. E gostei muito.
Talvez não seja pelo gosto do café, mas sim pelo significado. Um café dado por alguém faz sentido, mesmo que seu sabor não faça. Agora, ao beber esse café (coisa que já fiz diversas vezes), o que me vem à cabeça não é a mistura igual de café, leite e chocolate-quente. É o rosto da pessoa. É o cheiro dela. É aquele sorriso tímido e as roupas bregas que lhe assentam tão bem. O que me faz sentir desejo de sorver aquele líquido meio marrom, meio branco é mais a vontade de lembrar aquele dia do que seu gosto em si. Um café que deixou de ser café e tornou-se uma lembrança, um desejo, uma vontade. Um café real. E com açúcar ele fica ainda melhor. Mesmo que o amor não venha, mesmo que as investidas sejam falhas e mesmo que não passe de um simples "trouxe um café pra ti", agora há um significado real para ele. Há uma memória em forma de café.
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