sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aturação


Parece-me que, cada vez menos, as pessoas estão dispostas a “aturar” os outros. Os relacionamentos têm se tornado um litígio constante de sexo, bons momentos e só. Ter alguém para compartilhar também os momentos ruins está fora de questão. Ora, o ser humano é imperfeito, tipo um pacotinho de bala de goma. Não há como comprar um que tenha apenas as balas vermelhas: mesmo que sejam as mais gostosas, sempre tem as verdes que acabamos comendo, naquela ânsia de chegar logo às maravilhosas balas vermelhas e amarelas. Quem quer apenas as balas vermelhas de seu parceiro ainda não está maduro o suficiente para um relacionamento: quero alguém que me ature na TPM, que acorde comigo mesmo quando eu já não esteja maquiada, com cabelo bonito e salto alto. Quero alguém que tenha prazer em compartilhar meus momentos de angústia, que goste de andar de mãos dadas e que não me procure apenas quando eu estiver em bons momentos da minha vida. E eu também quero alguém com as balas verdes: mesmo sendo azedas, sei que fazem parte do pacote e seria um desperdício pô-las fora. Afinal, comprei o pacote todo. Algumas pessoas vêm com mais balas vermelhas, outras com mais balas amarelas e ainda há aquelas que possuem balas verdes em demasia. Mas, afinal de contas, quem é que possui apenas as vermelhas? Quero alguém disposto a salvar meu coração do tédio da minha rotina, que me escute quando eu não tiver absolutamente nada para dizer e que saiba dividir um sorvete de casquinha. E tô disposta a aturar mal-humor, ligações não-atendidas sem motivos aparentes e atrasos sem aviso. Faz parte. E que venham as balas verdes,porque só balas vermelhas me deixam enjoada com relativa facilidade.