Confesso que o tema do texto de hoje não seria este de
agora. Passei a tarde toda planejando falar sobre pessoas que não vivem a
realidade, que acham que tudo é lindo e que não percebem o mundo que as cerca.
Mas, ao voltar para casa (ah, sempre a maldita volta pra casa, aquele momento
em que coloco minha maquininha da consciência pra funcionar e faço o review do
dia), comecei a arquitetar minha vida amorosa. Há tempos que não tenho mais paixões
arrebatadoras, daquelas que fazem as pessoas sorrirem o dia todo, mandar
sms a cada trinta minutos e sonhar com
aquele que se ama. O máximo que tive foram projeções, utopias e desgostos.
Sabe, não sei se invejo os casais apaixonados que andam de mãos dadas por aí, demonstrando
afeto recíproco e vivendo em seus castelos de areia, ou se fico feliz por ter
me tornado mais realista.
Recalque à parte, por vezes me pergunto se não sou alguém
apaixonante. Revejo conceitos e atitudes, e penso toda vez que olho no espelho:
qual é o teu problema, moça? Por que ninguém consegue se apaixonar por ti? Qual
será teu grande segredo, que afasta as pessoas do teu coração e te impede de
ver a verdade?
Mas, por vezes, agradeço por não mais me apaixonar. Não
quero sentir novamente o gosto azedo que tem o veneno da decepção, inundando
minha boca e me afogando de amargura. Talvez seja essa a parte interessante da
coisa: amadurecer a cada passo que se dá. Mas sou o tipo de jogadora que sai na metade do jogo, quando
ainda não ganhou o suficiente mas também não perdeu tudo. Tenho optado pelo
certo de não perder tudo do que pela dúvida de ganhar o grande prêmio. Just
another girl alone at the bar.
Boa noite, meus negros lindos
Xoxo
