Pílulas desnecessárias de críticas bem-humoradas, histórias verdadeiras (ou não) e constatações sobre a vida de uma acadêmica da FURG.
domingo, 21 de julho de 2013
Welcome to Wonderland
"Felizes são os ignorantes." Sempre dei fé a esse provérbio popular. Acredito piamente na veracidade dessas palavas: quem não conhece a verdade acaba sendo bem mais feliz do que as pessoas que enxergam a podridão fétida que as cerca. Por vezes morro de inveja dessa gente que vive uma vida linda: gente bonita, que só faz frequentar as aulas da universidade, as baladas da cidade e postar fotos no facebook. Gente que não tem problemas com dinheiro, não precisa contar as moedas para comprar miojo no final do mês e sempre anda com aparelhos eletrônicos novos. Gente que não sabe o que é estar cansado de tanto trabalhar, e, mesmo assim, chegar em casa sabendo que no outro dia a sua rotina interminável recomeça.
Há também o outro lado da moeda: gente que vive acomodada em seu mundo pequeno e não sabe que há possibilidade de ser mais, melhor. Vivem felizes com seu salário mínimo e meio, sua casa pré-fabricada e seu trabalho "oito horas por dia de segunda a sexta". Nunca viajam porque o dinheiro nunca sobra, não buscam outro emprego porque aquele ali está bom, ainda não tou passando fome. Chegam em casa, tomam um banho, banham as crianças, fazem a janta com as sobras do almoço e assistem o jornal e a novela. E assim a vida segue, dia após dia, até se aposentarem ainda com seu salário e meio e curtirem a velhice jogando damas na praça da cidade.
Essa gente que possui a felicidade verdadeira. Não sabem o quanto mais há para se conquistar. Não estão contaminados com essa ânsia maldita de ter sempre mais. Essa patologia crônica, inerente ao ser humano, a ambição desenfreada por bens materiais, beleza, conhecimento ou popularidade, é a maior causadora de decepção da humanidade. Viver sempre desejando o mais, o melhor, o além do que se pode ter, que causa tanta tristeza, guerras, doenças e mazelas a nós, pobres criaturas.
Quisera eu ter essa vida linda, livre de decepções, ou aquela vidinha pacata, pão-com-ovo, que tá ruim mas tá bom, as crianças tão na escola, a guria mais velha trabalha de vendedora nas casas bahia e o guri tá juntando dinheiro pra comprar uma moto e ser motoboy da farmácia. Quisera eu...
