Pílulas desnecessárias de críticas bem-humoradas, histórias verdadeiras (ou não) e constatações sobre a vida de uma acadêmica da FURG.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Pense nas crianças
Se você reparar bem, verá que são apenas crianças. Por baixo das barbas por fazer, dos piercings, tatuagens, roupas estilosas e fones de ouvido, há um rosto menino apaixonado por videogames e futebol. Por detrás da maquiagem forte, dos cigarros, do copo de bebida, dos saltos altíssimos e das roupas minúsculas escondem-se faces e corpos de meninas que ainda sonham com um príncipe encantado.
Nada de bonecas, nada de videogames, nada de desenho animado. Eles querem crescer e serem adultos o mais rápido possível. Bebedeiras, orgias sexuais, uso de drogas e vícios variados apenas comprovam o que eu falo: é uma forma de expulsar a criança interior aos tapas e deixar o adulto tomar conta do lugar. Acontece que o adulto não faz ideia de como se administra uma vida. Aprender errando: eis a única forma.
O que falar dos momentos de carência afetiva? Dos abraços de mãe e das discussões com irmãos que tanto fazem falta? Com pouco dinheiro, pouco tempo e pouco amor eles fazem o impensável: uma semana de noites viradas, uma rotina que vira o pretexto perfeito para os exageros e as maluquices incomensuráveis dos seus períodos ociosos. E não é apenas em SP que não existe amor: aqui também não há. Fato curioso é que todos querem exatamente a mesma coisa, mas têm vergonha de admitir para si mesmos e para os outros que é impossível ser feliz sozinho.
Viver de máscaras, esconder-se por baixo das barbas, maquiagens e cigarros. Ter uma rotina infernal de estudos para poder ter uma desculpa que justifique seus abusos e vícios e excessos e pecados dos finais de semana. Bem-vindo ao Vale dos Meninos Perdidos.