quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Da vida vazia...


Eu era uma árdua defensora da "solteirice": os homens que passaram pela minha vida me mostraram que não importa o que tu faças para uma pessoa, ela jamais irá mudar a natureza dela. Por isso resolvi viver só. E  estava conseguindo sobreviver bem a isso: a chegada do verão era um estímulo a mais para ser feliz sem ninguém. Até que eu cansei.


Não sei se foi gradativamente ou repentino: só sei que foi. De uma  hora para outra as noites vazias já não me eram suficientes. A falta de ter com quem dividir  e o silêncio das tardes de domingo foram me deixando cada vez pior. Sou um ser inquieto: uma alma curiosa e avoada, que precisa de raízes para se estabelecer. Não me acusem de desespero, por favor: apenas entendam que essa vida sem regras já não me serve mais. Esse ano foi de extrema importância para meu amadurecimento pessoal, pois pude me compreender e me aceitar quase que por inteiro. Mas agora o trabalho já está feito e preciso de um porto tranquilo no qual eu possa ancorar.


Quero rotina, cuidados, sms na madrugada, pipoca em tarde de chuva e almoço no domingo. Quero poder mostrar ao mundo que amo e sou amada (não apenas por mim mesma). Quero dar atenção, quero andar de mãos dadas e quero cinema. Sim, eu sou cafona (me julguem). Mas essa falta de regras e sistematização com a qual tenho levado a minha vida  me preocupa um pouco. Ao mesmo tempo, minha vontade louca de ficar sossegada assusta a maioria das pessoas,visto que vivemos em um tempo onde todos têm medo de se apegar. Porém, nos dias que correm, é perigoso ficar sozinho, pois corremos o risco de perdermos a nós mesmos em alguma esquina escura das noites de verão.


O inverno se aproxima a passos lentos, e é aí que mora o perigo.


"Deixe que o sol da manhã aqueça seu coração quando é jovem
E deixe a brisa amena da tarde
Esfriar sua paixão.
Mas, cuidado com a noite!
Pois a morte ali espreita,
Esperando...esperando.."

Arthur Rimbaud