Partiu festinha hoje à noite? Nos vemos lá então!
Quatro horas após esse sms, a confusão se alastra: não se sabe como ou o porquê, mas em um instante o dono daquelas calças sai correndo em busca de uma saída. A confusão era tão grande que, segundos depois, as calças, o celular, o dono das calças....tudo, tudo foi parar no chão. A fumaça densa não permitia que se visse nada lá dentro. Cerca de 3h depois, a fumaça se dissipa, e o que resta?
Centenas de calças, celulares e anjos caídos no chão. Os pulmões, repletos de fumaça negra, não mais cumprem suas funções.
Algum tempo depois, todos os celulares e os jeans e as saias e os anjos são carregados até um ginásio imenso. Aquelas vozes, que há menos de cinco horas atrás riam alegremente e comemoravam a alegria de ser jovem e se estar vivo se calaram para sempre.
De repente, um barulho em meio ao silencio: o primeiro celular começa a tocar.Um toque triste, repleto de angústia e de medo. Outro celular, longe dali, se junta ao coro. De repente, todos aqueles celulares que ali estavam começam a cantar a mesma música.
Um som de dor, de medo, de desespero e de despedida. Uma canção que, para aqueles que a ouviram, jamais será esquecida. Ao fundo, apenas uma palavra podia ser discernida em meio a tantas vozes diferentes:
Adeus.
Sem falsa hipocrisia, sem falso moralismo,longe de todo o alarde provocado pela mídia. O que me preocupa não são os celulares, as calças jeans, as saias ou os anjos. São as pessoas que, chorando, tentavam obter uma resposta por meio de uma ligação.
Meus negros lindos, acreditem. Nesse exato momento eu choro. Choro pelas mães que ficam aqui.
Choro pelos amigos que perderam seus parceiros de viagem.
Choro por todos aqueles anjos que nunca mais vão conseguir cantar seu hino de liberdade novamente.