Confesso que, da primeira vez, achei que o "nós" iria ser para sempre. A gente se completava e se gostava de uma forma sem igual. Talvez porque ele tenha sido o primeiro homem de minha vida, meu primeiro namorado, aquela coisa toda de levar em casa, mostrar para os pais e mimimi. O primeiro verão foi inesquecível: só nós dois no apartamento em Capão, que por sinal é belíssimo, tendo toda a vida, dinheiro e amor pela frente. As cartas de amor que ele me mandava, e que eu correspondia, as pequenas demostrações de afeto no dia-a-dia, os carinhos que, por mais que fossem habituais, me mostravam o quanto a gente se importava um com o outro, as noites de sábado e as tardes de domingo me faziam feliz. Brigávamos muito, claro que sim! Mas quem ama morde, bate, xinga e perdoa.
Então ele foi embora. Para a Nicarágua. Sem maiores explicações, ele disse que já não éramos mais os mesmos e que o amor que outrora ele sentia por mim havia se esvaído lentamente, quase sem perceber. E o que sobrara era apenas a rotina.
Demorei cerca de 3 meses para me acostumar com a nova solidão. A tal rotina mudou, e eu resolvi esquecer e ser feliz. Fui para a praia em fevereiro, e aquele apartamento ainda tinha o cheiro dele por lá. Cerca de uma semana antes de meu aniversário meu pai me liga, falando que ele apareceu (do nada!) em minha casa e procurava por mim.
Em meu aniversário resolvi juntar uns amigos em minha casa. Mas o melhor presente que recebi fui a entrada dele em minha casa, do nada, com duas dúzias de rosas colombianas vermelhas, uma corrente de ouro branco e um pedido de desculpas. Mais lágrimas, mais promessas feitas, e um perdão.
Nos meses que passaram depois disso nossa rotina não foi mais a mesma, e nem a minha confiança nele. Nem vou falar aqui sobre todas as provas de amor homéricas que fizemos um para o outro, pois a beleza daquilo tudo não merece ser compartilhada com o mundo. Mas eu sei que foi verdade. Eu lembro. Algumas eu ainda tenho, quase que para assegurar-me de que aquela época realmente existiu para mim. Algum tempo depois, um sms e um rompimento.
A alegação era a clássica: a menina que ele havia conhecido em setembro havia virado uma mulher, e ele não conseguia lidar com a mudança. Eu era muito diferente, um ser encantador, mas ele era apaixonado pela menina, não pela mulher. Mal sabia eu que era a outra menina que ele se referia, e não a que eu fora, mas tudo bem.
Sofri demais, fiz uso de placebos, tentei mudar e mudei. Fechei o meu coração de uma forma tão forte que ele quase virou uma prisão. Daquele amor que eu te dei, ninguém mais viu.
Ao olhar as fotos dele com a dita menina, vejo que ele está fazendo por ela tudo o que não fez por mim. Inveja? Provavelmente. Mas fico feliz em ver que ele tornou-se uma pessoa melhor, mais doce, que demonstra mais seus sentimentos, sem vergonha de ser feliz.
Com o passar do tempo percebi que realmente éramos pessoas diferentes, e analisando nosso segundo momento posso afirmar que não foi tempo perdido. Com a convivência com ele cresci, percebi que o mundo é um lugar grande e que Campo Bom era pequena demais para comportar meus sonhos. Percebi também que sou inteligente, mas que nenhuma FEEVALE ou UNISINOS da vida me faria despertar a minha essência.
Tenho muito a te agradecer, Gui, por tudo que tu me ensinou. E sim, fomos um casal diferente. E sim, tu me tirou do poço escuro. Mas a terra firme não bastava para mim, e quando eu resolvi voar, tu ficou com medo e preferiu colocar os pés no chão.
Da menina que tu conheceu em setembro resta apenas a pinta no queixo e algumas poucas lembranças. Me tornei mais amarga, mais viva, mais esperta e mais profunda. A maldade deixou em mim algumas marcas. Mas em quem ela não deixou, não é?
Espero que um dia a gente possa se encontrar, nem que seja para tomarmos um café e lembrarmos daquele tempo bom, dos shows, das noites viradas e dos filmes que eu sempre dormia.
Nem que seja para termos certeza de que aquilo tudo não foi um sonho, de que vivemos e que fomos felizes.
E sim, eu ainda te amo, mas de uma forma diferente. Por enquanto, só posso te dizer uma coisa:
Adeus.