Dos dias vindouros pouco sei: a única certeza que tenho é que não serão fáceis. As noites escuras se aproximam lentamente, mas já posso ver as nuvens que trazem consigo o frio e a chuva se aproximando no horizonte. As noites quentes de verão fazem com que as pessoas esqueçam que o inverno existe. Mas eu, sendo filha do vento, carrego comigo o medo perpétuo das águas que inundam tudo e do frio que gela até a alma. Pouco aproveito tiro do verão, isso é verdade. Mas viver como se o inverno não existisse é tolice. Providencio desde agora um estoque de sorrisos, de abraços calorosos e de amor para poder usá-los na estação do medo.
A indiferença dos "bom-dia" quase que sussurrados, as tardes cinzas e as noites quase intermináveis fazem com que o frio tenha um outro significado. O inverno tem gosto e cheiro de morte. Tem um algo que desanima, corrói, humilha. O inverno é a tristeza.
Tristeza é não conseguir escutar o que o silêncio está lhe dizendo. É o domingo vazio. É um ato mecânico. É deixar que a beleza da rotina lhe escape aos olhos.
É o olhar sem ver, o escutar sem ouvir, o tocar sem sentir.
Tristeza não é a solidão. É a decepção.